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RN perde 44 mil hectares de superfície com água

O Rio Grande do Norte perdeu 44.529 hectares (ha) de superfície coberta por água em 16 anos, entre 2004 e 2020. A área é equivalente ao território da cidade de Jandaíra, no Agreste potiguar, ou a duas vezes e meia a extensão da capital Natal

seca

Imagem ilustrativa

Os dados foram divulgados pelo MapBiomas, instituto que monitora a dinâmica territorial da água superficial e de corpos hídricos em todo Brasil desde 1985 a partir da análise de 150 mil imagens geradas por satélites. Na série histórica que começou na metade da década de 1980, o Estado alcançou a maior extensão em 2004, quando foi registrado o índice de 156.366 hectares de superfície aquática.

De lá para cá, as reservas potiguares tiveram uma redução de 28,48%. O último registro referente ao ano de 2020 mostra que o Rio Grande do Norte tem hoje 111.837 ha de superfície de água. O indicador está abaixo da média dos últimos 35 anos que é de 120.294 ha. As áreas superficiais são representadas pelos espelhos d’água de açudes e lagoas, além dos reservatórios do Estado, que sofrem interferência direta da variação da ocorrência de chuvas. De acordo com a especialista em gestão de recursos hídricos, Adelena Gonçalves Maia, a oscilação nos volumes de chuva é a principal causa para o esvaziamento dos reservatórios. A pesquisadora reforça que a menor oferta do recurso natural requer maior atenção ao gerenciamento das demandas.

“Se usamos mais água, esvaziamos nossos açudes mais rapidamente. No entanto, a entrada de água, que ocorre de forma abundante nos bons invernos, é capaz de recuperar o volume destes reservatórios. Quando temos a ocorrência de seca, por anos consecutivos, associada à necessidade de atendimento de uma demanda crescente, aí sim os efeitos nas nossas reservas hídricas são sentidos de forma mais contundente. Sendo assim, existe sempre a necessidade de fazer a gestão das demandas também, principalmente a da agropecuária”, afirma a professora do Laboratório de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Larhisa/UFRN).

Diminuição das áreas cobertas por água

Chuvas abaixo do esperado na última quadra invernosa (fevereiro a maio) e volume total de água armazenada inferior à metade da capacidade máxima, autoridades da área reforçam o alerta para o uso responsável do recurso natural. De janeiro a julho, as chuvas ficaram 35,7% abaixo do esperado, conforme dados da Unidade Instrumental de Meteorologia da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn). Atualmente, a caixa d’água do Estado, representada pelos 47 reservatórios com capacidades superiores a 5 milhões de metros cúbicos (m³), está 46,66% cheia, segundo monitoramento da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).

O titular da pasta, João Maria Cavalcanti, ressalta que a previsão de boas chuvas para este ano foi frustrada no primeiro semestre, o que acabou contribuindo para a situação considerada preocupante.

“Isto preocupa. Menor disponibilidade de água, queda de reserva hídrica, impactam diretamente o setor produtivo. Seja na produção de área de sequeiro, que é quando se produz em virtude do período chuvoso, seja pela agricultura irrigada. Se temos uma diminuição de reserva hídrica, afeta drasticamente a economia, principalmente, nas camadas mais pobres, onde se desenvolve a agricultura familiar”, comenta.

Hoje, cerca de 20% da água é destinado ao consumo humano, enquanto que o restante, algo em torno de 70% a 80%, é utilizada para irrigação, de acordo com estimativa do Instituto de Gestão das Águas do RN (Igarn). Auricélio Costa, diretor-presidente do órgão, reforça que uma eventual campanha de racionamento do recurso poderá ser discutida em caso de um novo inverno ruim em 2022. “Se o inverno do próximo ano não vier a contento, vamos começar a restringir o uso. Por enquanto não”, declara.


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Para a professora do Departamento de Engenharia Civil da UFRN, Joana Darc de Medeiros, a impossibilidade de prever o quadro hídrico do estado para os próximos anos também é um motivo de preocupação.
“o clima e a natureza têm uma variabilidade grande, então a gente não sabe o que vai acontecer em termos de quadra chuvosa no próximo ano. O que a gente já vivencia hoje é que não estamos em uma situação muito confortável, temos sim uma certa quantidade de água e essa quantidade ainda permite abastecer a população, mas temos já que acender o sinal de alerta e começar a usar essa água com parcimônia”, opina.

Desabastecimento

O secretário de Recursos Hídricos do RN garante que, pelo menos a curto prazo, não há risco de uma nova crise de desabastecimento, como a registrada no período de 2012 a 2016, quando 91% dos municípios potiguares estiveram em estado de emergência por conta da seca.

“Precisamos apenas de uma boa gestão dos recursos hídricos para cuidar desta reserva. A médio prazo, e do ponto de vista da infraestrutura hídrica, o RN está se preparando para este enfrentamento. Estamos executando grandes obras, armazenando através da construção da Barragem de Oiticica, e distribuindo água através de adutoras, como o Projeto Seridó”, acrescenta.

Ainda segundo o chefe da Semarh, até o final de 2022, 800 poços de água serão instalados no Rio Grande do Norte. Além disso, o Governo do Estado aguarda a finalização do Projeto de Integração do São Francisco (PISF). A previsão é de que as águas do Velho Chico cheguem ao RN na metade do ano que vem.

Fonte: Tribuna do Norte.


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