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Com pegada de carbono do etanol de milho, Brasil amplia papel na descarbonização do transporte marítimo

Com pegada de carbono do etanol de milho, Brasil amplia papel na descarbonização do transporte marítimo

Em maio, a IMO definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por megajoule

O Brasil tem potencial de ser um dos principais provedores de soluções verdes na corrida internacional para descarbonizar o transporte marítimo. E uma decisão recente da Organização Marítima Internacional (IMO) pode contribuir ainda mais para o desenvolvimento da indústria de biocombustíveis para este modal.

Em maio, a IMO definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por megajoule, referindo-se especificamente ao biocombustível produzido a partir da chamada segunda safra de milho do país. Segundo reportagem da agência Reuters, esta definição representa um marco que pode posicionar o transporte marítimo como um importante mercado futuro para o setor, na opinião de executivos.

Em maio, a IMO definiu o valor padrão da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro em 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por megajoule, referindo-se especificamente ao biocombustível produzido a partir da chamada segunda safra de milho do país.

A agência aprovou uma série de regras para o transporte marítimo, definindo cronograma de diminuição das emissões de gases de efeito estufa e promovendo o debate internacional acerca de novas tecnologias e combustíveis que permitem uma navegação de menor impacto.

Atualmente, a intensidade média de emissões de gases de efeito estufa dos combustíveis utilizados no transporte marítimo é de 93,3 gramas de CO₂e por megajoule, de acordo com informações da própria IMO.

No Brasil, apesar de o etanol de cana-de-açúcar ainda ser o mais comum, a produção de etanol de milho vem crescendo. Segundo a associação do setor UNEM, a produção de etanol de milho saltou para quase 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante 2,65 bilhões de litros no início da década.

À Reuters, o vice-presidente de comercialização da Inpasa, Gustavo Mariano, comentou que a decisão da IMO consolida a posição do etanol de milho brasileiro e sul-americano como um combustível viável para a descarbonização. Isso se deve principalmente porque o primeiro passo para que a demanda cresça é a validação da alternativa energética entre as práticas internacionais. A decisão da IMO, então, coloca definitivamente o etanol de milho como uma das alternativas de biocombustível.

Uma vez que os biocombustíveis recebam aprovação para uso no transporte marítimo, os produtores poderão se beneficiar de possíveis prêmios pagos por combustíveis mais sustentáveis, afirmou Rafael Abud, presidente-executivo da produtora de etanol de milho FS Fueling Sustainability, também à Reuters. O executivo cita uma série de iniciativas que a indústria vem fazendo para descarbonizar o produto, tais como uso de biomassa, ganhos de eficiência industrial e um projeto de bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS).

Contudo, os executivos reiteram que o etanol de milho da segunda safra brasileira não competirá com outros biocombustíveis, como o etanol de cana-de-açúcar e o biodiesel, mas atuará de forma complementar.

“Se o mercado global de combustível marítimo fosse convertido em equivalente de etanol, seriam quase 400 bilhões de litros”, afirmou Mariano. “São volumes tão grandes que precisamos de todos os biocombustíveis sustentáveis.”

Fonte: Um Só Planeta


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