NOTÍCIAS

Demanda recorde por rede elétrica leva espera a até 5 anos e põe indústria e data centers em disputa

Além do alto consumo de água para refrigeração, os Data Centers disputam as redes elétricas com pedidos de conexão de até 300 MW

São Paulo e Ceará concentram projetos de centros de dados com pedidos de conexão de até 300 MW Sistema criado pelo governo federal prevê disputa por quem paga mais e preocupa indústria de base

Existe um número recorde de pedidos para conectar grandes consumidores à rede de transmissão de eletricidade brasileira, o chamado grid, que transporta energia das usinas para os centros de consumo. A depender do lugar, a conexão deve ocorrer só depois de 2030, indicam dados públicos e relatos de empresas.

Nos pontos em que a demanda supera a capacidade de atendimento, as empresas terão de passar por um processo competitivo criado pelo governo federal em dezembro do ano passado. Quem oferecer o maior bônus financeiro por cada quilowatt (kW) de capacidade de conexão disponível receberá o direito de se conectar à rede. Como base de comparação, uma ducha elétrica tem potência instalada em torno de 5 kW, enquanto os projetos em discussão têm centenas de milhares de kW.

O sistema gera receio na indústria de base, que agora terá que competir diretamente com os data centers por espaço no grid, de acordo com a Abrace (Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia). Essa associação reúne 59 grupos empresariais responsáveis por 40% do consumo de energia elétrica do país.

Segundo a entidade, não falta energia no país —o gargalo está na infraestrutura de São Paulo e no Nordeste, principalmente nos arredores do porto de Pecém, próximo a Fortaleza.

De acordo com o MME (Ministério de Minas e Energia), o governo já planejou obras para abrir cerca de 8 GW (gigawatts, 1.000.000 de kW) de margem para conexão de novos consumidores, com destaque para as regiões da capital paulista e de Campinas. “A maior parte dos reforços já está outorgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)”, diz a pasta.

Ainda segundo o ministério, a região metropolitana de São Paulo tem histórico de operação com elevada utilização da transmissão. “O crescimento acelerado das solicitações de acesso associadas a data centers intensificou essa pressão sobre a infraestrutura existente.”

Em 5 de dezembro, o MME também editou uma portaria para extinguir a antiga fila por ordem cronológica para dar lugar às chamadas “temporadas de acesso”, um sistema que funciona como leilão. A norma também transferiu ao ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) os 94 pedidos de acesso que aguardavam análise no ministério.

Segundo o ONS, 39 desses protocolos foram formalizados. Hoje, o ONS analisa 61 pedidos de conexão direta à rede básica, comuns no caso de grandes consumidores, considerando os requerimentos de aumento de carga. Dos 61 pedidos em análise, 38 são de data centers.

Há ainda outras solicitações que entrarão na primeira temporada de acesso, cujas inscrições se encerraram na segunda-feira (15). Procurado, o ONS não disse quantas empresas se cadastraram na concorrência.

Apenas o volume já em análise supera a soma dos pedidos de 2022, 2023 e 2024 e se aproxima do recorde registrado em 2025, que teve 107 solicitações.

Embora membros da Abrace considerem o mecanismo de análise do ONS conservador, o professor de engenharia elétrica da USP (Universidade de São Paulo) Rogério Andrade Flauzino explica que a avaliação envolve critérios estritos de física.

São analisados fatores como a disponibilidade física nas subestações para conectar novos consumidores. Se a potência injetada ou puxada ultrapassar os limites, o sistema pode superaquecer nos momentos de pico ou sofrer curtoscircuitos nas horas de carga mínima.

“Temos indústrias com consumo entre 30 MW [megawatts, 1.000 kW] e 50 MW que pedem expansões de 5% e não sabem se serão atendidas. É uma competição desproporcional com esses complexos de tratamento de dados, que solicitam 200 MW ou 300 MW de uma única vez”, diz Victor Iocca, diretor de energia elétrica da Abrace.

Segundo as regras do ONS, não haverá distinção na análise entre novos pedidos de conexão e pedidos de expansão de carga para quem já está conectado.

“Em um ciclo industrial, as empresas planejam suas expansões com três ou quatro anos de antecedência. Agora, correm o risco de ver esse investimento restrito, o que prejudica a geração de empregos e o crescimento econômico”, afirma Iocca.

O ONS deve anunciar o desfecho dos leilões até outubro, conforme cronograma publicado no último dia 9.

Fonte: Folha


ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Papel e Celulose

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS