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Eficiência energética e inovação parceria entre Assemae e FIA fortalece o saneamento público

Eficiência energética e inovação: parceria entre Assemae e FIA fortalece o saneamento público

Painel apresentou soluções estratégicas para reduzir custos, modernizar autarquias e promover sustentabilidade nos serviços municipais de saneamento

A parceria entre a Assemae e a Fundação Instituto de Administração surge como uma proposta de modernização e fortalecimento dos serviços municipais de saneamento, especialmente diante dos desafios econômicos, energéticos e regulatórios enfrentados pelo setor. Segundo o presidente da Assemae, Esmeraldo Pereira Santos, soluções vêm sendo buscadas diariamente para reduzir custos e tornar as autarquias mais eficientes.

Um dos principais pontos destacados é que a energia representa hoje o segundo maior custo do saneamento, mas ainda é tratada de forma pouco estratégica. Para os consultores da FIA, esse cenário precisa mudar. Henrique Torres, Vagner Barbosa, Erick Azevedo, Dinei Pasqualini e Ricardo Celoto defendem que energia não pode mais ser vista apenas como despesa.

“Quando tratada como gestão estratégica, ela financia o futuro da operação”, afirmam.

A proposta da FIA não prevê mudanças estruturais na infraestrutura existente, mas sim uma transformação na forma de contratação de energia. Hoje, no chamado mercado cativo, a compra é obrigatoriamente feita pela distribuidora, com preços impostos, pouca previsibilidade tarifária e exposição às bandeiras tarifárias. Já no mercado livre, existe liberdade de escolha do fornecedor, negociação de preços e prazos, previsibilidade contratual e possibilidade de gestão estratégica com energia renovável.

A vantagem para o saneamento é ainda maior porque o setor utiliza energia 24 horas por dia. Segundo os especialistas, o momento ideal de migração deve ser analisado tecnicamente, mas a tendência é inevitável: “o mercado livre não é mais tendência, é lei”. Atualmente, consumidores do Grupo A (alta tensão) já podem migrar, enquanto o Grupo B (baixa tensão) deve ser incluído a partir de 2027.

A FIA aposta que o setor elétrico caminhará para um modelo semelhante ao da telefonia, com diferentes combinações e soluções conforme a necessidade de cada entidade. Por isso, a pergunta correta não é mais “migrar ou não”, mas sim “qual combinação gera mais valor”.

Entre as seis principais alavancas de eficiência energética apresentadas estão:

  • Mercado livre de energia;
  • Geração distribuída;
  • Compartilhamento de usinas;
  • Locação de ativos;
  • Autoprodução;
  • Estratégias híbridas.

O processo é estruturado em cinco etapas:

  1. Diagnóstico energético;
  2. Modelagem econômica;
  3. Estratégia regulatória;
  4. Migração e implementação;
  5. Gestão contínua.

A FIA reforça que o modelo funciona com governança transparente, condução técnica e investimento inicial zero para a autarquia. “A entidade paga apenas pelo que realmente utiliza”, explicam os consultores.

Para Edilei Pasqualini, a fundação atua justamente para dar suporte e agilidade aos processos. “Uma fundação não vem para emperrar o processo, vem para dar suporte e agilidade no modelo de contratação. Fazer mudança exige romper o medo e agir”, destacou. A FIA também ressalta experiência em projetos com instituições como Petrobras, Ministério da Educação, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Sanepar.

Outro eixo apresentado foi o de eficiência operacional, conduzido por Rodolfo. A proposta é unir tecnologia, gestão e operação para transformar economia em valor sustentável. Segundo ele, o novo modelo contratual permite mais agilidade, controle público e risco privado, com contratos de eficiência de prazo reduzido, escopo adaptável e foco em resultados.

As soluções técnicas abrangem todo o ciclo da água, da captação ao consumo, incluindo digitalização e georreferenciamento de cadastros, inteligência artificial aplicada à tomada de decisão, telemedição ultrassônica, detecção de vazamentos em tempo real e otimização operacional. A integração de sistemas técnicos, comerciais, manutenção, SCADA, ERP e IA em um Centro de Operações Integradas (COI) permite controle total e gestão preditiva de perdas.

A modelagem é baseada em três pilares:

  • Diagnóstico técnico;
  • Project finance;
  • Segurança jurídica.

Segundo a FIA, a economia gerada pode alcançar redução permanente de até 50% após a amortização do contrato. O investimento é realizado pela empresa vencedora da concorrência pública, enquanto a autarquia paga por meio de contraprestação mensal vinculada à economia efetivamente gerada e auditada.

No eixo de eficiência econômica e estrutura tarifária, foi destacado que o Novo Marco do Saneamento, implementado em 2020, alterou profundamente o setor, especialmente para companhias estaduais. A Agência Nacional de Águas (ANA) passou a exigir adequações tarifárias e novas estruturas de cobrança.

A proposta defendida pela FIA inclui:

  • Tarifa básica de disponibilidade sem franquia;
  • Cinco categorias mínimas obrigatórias;
  • Blocos progressivos não cumulativos;
  • Cobrança de esgoto;
  • Migração do modelo de consumo mínimo para tarifa básica.

Para os especialistas, estruturar uma tarifa equilibrada e sustentável é fundamental para garantir sobrevivência financeira e capacidade de universalização do saneamento. “Fortalecer o prestador municipal é o caminho para a universalização”, reforçaram.

Ao final, a FIA destacou que cada etapa pode ser contratada separadamente ou de forma integrada. O objetivo é analisar internamente as necessidades de cada autarquia e estruturar um novo modelo operacional, energético e econômico mais eficiente e sustentável para o futuro do saneamento.

Fonte: Assemae


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