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Heineken investe até R$ 460 milhões para concluir transição térmica renovável

Heineken investe até R$ 460 milhões para concluir transição térmica renovável

Parceria com Veolia vai substituir combustível fóssil por bioenergia na unidade de Jacareí em SP; projeto conclui descarbonização das 13 cervejarias da companhia no país

O Grupo Heineken vai investir até R$ 460 milhões na implantação de um novo sistema de geração térmica renovável para a cervejaria de Jacareí (SP), em parceria com a Veolia. O projeto combina biomassa e biometano certificados para abastecer as caldeiras da unidade, substituindo o gás natural e reduzindo em mais de 97,5% as emissões da geração de vapor até 2030. A expectativa é evitar cerca de 67 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) no período.

O contrato de dez anos contempla a construção da nova infraestrutura, a implantação das caldeiras, além do fornecimento de biomassa, biometano e vapor pela Veolia.

Segundo o Grupo Heineken, o projeto representa a etapa final de uma estratégia iniciada em 2022 para substituir combustíveis fósseis na geração térmica de suas fábricas. Com a entrada em operação da unidade de Jacareí, as 13 cervejarias da companhia no Brasil passam a utilizar fontes renováveis para produção de vapor, enquanto toda a energia elétrica consumida nas unidades já é proveniente de fontes renováveis desde 2023.

Além da Veolia, a companhia mantém parcerias com empresas como Longwood, Vapor Energia, Gerová, Frísia, Salmeron e Biomassa Bahia para o fornecimento de biomassa renovável ou de energia térmica renovável em outras cervejarias. Segundo a empresa, os modelos variam conforme as características e as necessidades de cada unidade.

“Jacareí fecha o ciclo de descarbonização da energia térmica. A partir desse projeto, todas as cervejarias do Grupo no Brasil passam a contar com soluções estruturantes de energia térmica renovável”, afirma Ligia Camargo, diretora de sustentabilidade do Grupo Heineken. Segundo ela, mais de 90% das emissões da operação brasileira estão concentradas na matriz térmica. “Por isso, descarbonizar essa etapa é a principal alavanca para atingirmos nossas metas climáticas”, afirma.

O projeto integra a estratégia global Brew a Better World, por meio da qual o Grupo Heineken pretende alcançar emissões líquidas zero em toda a sua cadeia de valor até 2040.

Detalhes do projeto

A solução desenvolvida pela Veolia combina duas fontes renováveis complementares. A maior parte da demanda de vapor será atendida por biomassa certificada, proveniente de eucalipto e de resíduos de madeira de poda, enquanto o biometano funcionará como combustível complementar.

O biometano será produzido no Ecoparque Pedreira, da Veolia, em São Paulo, a partir da captura e purificação do biogás gerado pela decomposição de resíduos orgânicos. A planta tem capacidade de produzir cerca de 18 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, dos quais aproximadamente 5% serão destinados à cervejaria de Jacareí.

Segundo José Renato Bruzadin, diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Veolia, o projeto reflete uma tendência crescente de descarbonização da geração de calor nas indústrias brasileiras.

“A matriz elétrica brasileira já é majoritariamente renovável. O grande desafio agora é descarbonizar a geração térmica, que ainda depende de combustíveis fósseis em muitos processos industriais. Biomassa e biometano têm um enorme potencial para acelerar essa transição”, afirma.

Para a Veolia, o modelo de “energia como serviço” deve ganhar espaço na indústria brasileira, especialmente diante da regulamentação do mercado de carbono e do avanço do programa Combustível do Futuro, que estimula a expansão do biometano.

Além da redução das emissões, a Heineken avalia que o novo modelo aumenta a segurança energética e reduz riscos econômicos no longo prazo. E também permite que a companhia concentre esforços na produção de cerveja, enquanto a Veolia assume a operação e a manutenção da infraestrutura energética.

“O gás natural pode parecer mais barato no curto prazo, mas a solução renovável oferece maior previsibilidade, reduz a exposição às oscilações do mercado de combustíveis fósseis e aos futuros custos relacionados ao mercado de carbono”, avalia a executiva.

Fonte: Valor


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