A desativação das últimas células fabris atende a compromisso internacional e visa à redução dos impactos ambientais provocados pelo metal
O Brasil concluiu, em dezembro de 2025, o processo de eliminação do uso de mercúrio na produção de cloro e soda cáustica, em conformidade com os compromissos assumidos na Convenção de Minamata e com a legislação ambiental vigente.
Desde janeiro de 2026, portanto, esses produtos, amplamente utilizados pelos brasileiros, já não empregam mais o metal em seu processo de fabricação. As três fábricas nacionais que ainda dependiam do mercúrio em suas células eletrolíticas desligaram as últimas unidades que utilizavam o metal em 31 de dezembro do ano passado.
Nos últimos três anos, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) solicitou às indústrias informações sobre a previsão de importações do metal e realizou vistorias técnicas em todas as plantas industriais para verificar sua utilização, como forma de monitorar o encerramento das atividades com mercúrio.
Em maio do ano passado, foi publicado um termo de referência com diretrizes para o encerramento das atividades, o descomissionamento e a destinação ambientalmente adequada e segura do mercúrio metálico usado por essas indústrias no país. O setor produtivo nacional já vinha passando por um processo de modernização das tecnologias empregadas.
Indústria cloro-álcalis
A indústria cloro-álcalis é um dos pilares da química pesada, responsável pela produção de três insumos básicos: cloro (Cl₂), soda cáustica (NaOH) e hidrogênio (H₂), obtidos a partir da eletrólise de uma solução aquosa de cloreto de sódio: a salmoura.
Historicamente, o setor utilizou diferentes tecnologias de eletrólise, como células de mercúrio, diafragma e, mais recentemente, membrana, com avanços voltados à eficiência energética e à redução de impactos ambientais. Atualmente, o processo de membrana é considerado o padrão mais moderno e sustentável.
Descomissionamento da indústria
O descomissionamento dessas unidades envolve o encerramento seguro das atividades, a descontaminação completa das instalações e a destinação ambientalmente adequada dos estoques de mercúrio, seguindo as diretrizes previstas na Convenção de Minamata e na legislação ambiental vigente.
O processo inclui uma série de medidas técnicas e de controle ambiental, que começam pela remoção e inertização do mercúrio. Na sequência, são realizadas etapas de limpeza e descontaminação das estruturas, com controle de vapores e tratamento de efluentes. Todo o processo é documentado e acompanhado pelo órgão ambiental licenciador e pelo Ibama.
Modernização e impactos ambientais
A produção passa a ser realizada por tecnologias mais modernas e eficientes, com destaque para o uso de células de membrana, que substituem processos antigos e reduzem significativamente os riscos de contaminação ambiental.
Os novos processos também tendem a gerar resíduos menos perigosos, reduzir o consumo de energia e diminuir a exposição dos trabalhadores a substâncias nocivas, promovendo ganhos simultâneos de eficiência produtiva, ambiental e ocupacional.
Fonte: gov.br