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Brasil abriga a maior planta de dessalinização industrial da América Latina (1)

Brasil abriga a maior planta de dessalinização industrial da América Latina

Poucas pessoas sabem, mas o Brasil abriga a maior planta de dessalinização industrial da América Latina: ArcelorMittal investiu R$ 50 milhões em sistema que transforma 500 m³ de água do mar por hora, recircula 98% da água doce e recebeu prêmio internacional de inovação em Dubai

ArcelorMittal inaugurou no ES em 2021, a maior usina de dessalinização industrial do Brasil, com capacidade de 500 m³/hora, reduzindo captação do Rio Santa Maria da Vitória.

Em setembro de 2021, durante uma das crises hídricas mais severas da história recente brasileira, a ArcelorMittal Tubarão inaugurou no Espírito Santo a maior e mais moderna planta de dessalinização de água do mar do Brasil voltada para fins industriais. O projeto de R$ 50 milhões representa não apenas um marco tecnológico para o país, mas também uma solução estratégica que alivia a pressão sobre recursos hídricos compartilhados com a população capixaba.

Instalada no complexo portuário do município de Serra, a planta tem capacidade para dessalinizar 500 metros cúbicos de água por hora — volume suficiente para abastecer cerca de 80 mil pessoas diariamente. Mas o objetivo não é competir com o abastecimento público: a água tratada será destinada exclusivamente para processos industriais da siderúrgica, substituindo parte do volume antes captado do Rio Santa Maria da Vitória e permitindo maior disponibilidade desse recurso para a sociedade.

Fluence na ArcelorMittal Tubarão

Projetada e construída pela Fluence, é considerada a maior usina de dessalinização de água do mar do país. O projeto recebeu reconhecimento internacional da International Desalination Association (IDA), sendo eleito o “Melhor Projeto de Responsabilidade Social Corporativa” do mundo, devido ao seu impacto positivo na segurança hídrica e na sustentabilidade industrial.

Fluence
A unidade tem capacidade de produção de até 500 m³/h de água dessalinizada, garantindo maior estabilidade operacional à siderúrgica e reduzindo significativamente a captação de água doce dos mananciais locais, o que também beneficia o abastecimento da população da Região Metropolitana de Vitória.

A planta utiliza tecnologia de osmose reversa, referência mundial em eficiência e confiabilidade, reforçando o papel da dessalinização como alternativa estratégica para o enfrentamento da escassez hídrica no setor industrial brasileiro.

ArcelorMittal Tubarão se torna referência nacional em menor consumo de água doce na indústria

A ArcelorMittal Tubarão já operava antes da dessalinização como referência nacional em gestão hídrica eficiente na siderurgia. Aproveitando sua localização litorânea estratégica, a empresa estruturou operações onde 96% de toda a água utilizada vem diretamente do mar, sendo empregada principalmente para refrigeração dos equipamentos de produção de aço. Apenas 4% do consumo provém de água doce fornecida pela Cesan, captada do Rio Santa Maria da Vitória.

O diferencial está no índice de recirculação: atualmente, 98% da água doce captada é recirculada e reaproveitada internamente em múltiplos ciclos antes de qualquer descarte. Esse percentual coloca a ArcelorMittal Tubarão como detentora do menor índice de consumo industrial de água doce do Brasil — métrica estratégica frente aos cenários de escassez hídrica.

O projeto de dessalinização foi concebido para reduzir ainda mais essa dependência dos 4% de água doce, liberando recursos do sistema público para consumo da população. Benjamin Baptista Filho relembra que a decisão foi tomada após racionamentos entre 2015 e 2016: “A prioridade de fornecimento é de uso humano e animal.”

Planta modular de dessalinização permite expansão futura até 1.500 m³ por hora

Construída em área de aproximadamente 6 mil metros quadrados dentro do complexo industrial, a planta adota configuração modular. O primeiro módulo possui capacidade de 500 m³/hora (12 mil m³/dia), com possibilidade de expansão para 1.500 m³/hora com a instalação de dois módulos adicionais.

A tecnologia empregada é a osmose reversa, amplamente utilizada em países como Israel, Espanha e Emirados Árabes Unidos.

O sistema funciona por etapas sequenciais que incluem captação reforçada, pré-tratamento, bombeamento de alta pressão e passagem por membranas semipermeáveis com menos de 1 mícron de espessura, responsáveis pela separação do sal e produção de água com alto grau de pureza para uso industrial.

Autossuficiência energética garante viabilidade da dessalinização industrial

Um dos principais desafios da dessalinização é o consumo energético. A planta consome cerca de 3 megawatts quando operando em capacidade máxima.

Esse consumo representa menos de 1% da energia total gerada pela própria ArcelorMittal Tubarão, que é autossuficiente graças às centrais termelétricas que utilizam gases residuais do processo siderúrgico, como gás de alto-forno e gás de coqueria.Geração energia eólica

Essa integração energética foi determinante para a viabilidade econômica do projeto.

Gestão ambiental da salmoura e controle de impactos no oceano

O principal subproduto da dessalinização é a salmoura superconcentrada. Para cada litro de água doce produzido, o sistema gera aproximadamente 1,5 litro de salmoura.

A ArcelorMittal devolve essa solução ao mar por canal já existente, afirmando que o sistema promove diluição gradual antes do descarte final e que todos os estudos ambientais foram aprovados pelo órgão licenciador estadual.

Especialistas alertam que a salmoura pode elevar salinidade local e afetar ecossistemas marinhos caso não haja diluição adequada. A empresa destaca monitoramento contínuo e conformidade ambiental rigorosa.Software para finanças

Em 2019, no Congresso da International Desalination Association (IDA) em Dubai, a planta venceu o prêmio de “Projeto Inovador”.

Em 2022, no Congresso da IDA em Sydney, foi eleita “Melhor Projeto de Responsabilidade Social Corporativa”, reconhecendo não apenas os aspectos técnicos, mas também o impacto social ao liberar recursos hídricos para a população.

Construção durante a pandemia gerou 220 empregos no Espírito Santo

A obra foi executada entre 2019 e 2021, incluindo o período crítico da pandemia. No pico da construção, foram gerados 220 empregos, com prioridade para mão de obra local.

A dessalinização integra estratégia mais ampla que inclui:

  • Expansão da Estação de Tratamento de Água para Reúso (R$ 23 milhões)
  • Acordo para compra de 540 m³/hora de água de reúso da Cesan
  • Construção da futura Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR)
  • Investimentos na recuperação de nascentes da Bacia do Rio Santa Maria da Vitória

A EPAR terá capacidade de 300 litros por segundo, sendo 200 l/s contratados pela ArcelorMittal.

Primeira planta de dessalinização do Grupo ArcelorMittal no mundo

A unidade de Tubarão é a primeira planta de dessalinização integrada a uma siderúrgica em todo o Grupo ArcelorMittal mundial.

O projeto capixaba torna-se referência global para futuras implementações em regiões afetadas por escassez hídrica.

O modelo demonstra que é possível conciliar produção siderúrgica intensiva com responsabilidade hídrica, desde que haja investimento em tecnologia, gestão eficiente e compromisso ambiental.

Fonte: CPG

Adaptado por Portal Tratamento de Água


 

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