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Cientistas criam catalisador que elimina PFAS usando apenas luz do sol

Cientistas criam catalisador que elimina PFAS usando apenas luz do sol

Tecnologia experimental usa luz solar para degradar poluentes persistentes e pode revolucionar o monitoramento ambiental

Os chamados PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas) são conhecidos como “químicos eternos” porque praticamente não se degradam na natureza. Presentes em panelas antiaderentes, tecidos impermeáveis e cosméticos, esses compostos se acumulam no solo, na água e no organismo humano, levantando preocupações sobre possíveis impactos à saúde a longo prazo.

Agora, uma equipe internacional liderada pela Universidade de Bath desenvolveu um catalisador à base de carbono capaz de usar luz solar para decompor esses poluentes persistentes. O estudo foi publicado na RSC Advances e abre caminho para soluções mais acessíveis e sustentáveis. A proposta chama atenção por três motivos principais:

  • Utiliza energia solar, uma fonte limpa e abundante;
  • Emprega materiais de baixo custo e fácil fabricação;
  • Pode futuramente servir tanto para remediação ambiental quanto para detecção de PFAS.

Luz solar ativa reação que desmonta moléculas de PFAS

O protótipo combina nitreto de carbono grafítico (g-C₃N₄) com um polímero microporoso conhecido como PIM-1. Esse polímero atua como uma espécie de “armadilha molecular”, aproximando os PFAS da superfície ativa do catalisador.

Quando exposto à luz, o material desencadeia reações químicas que quebram as ligações altamente estáveis desses compostos. Como resultado, as moléculas são convertidas em dióxido de carbono e flúor, substâncias consideravelmente menos complexas e mais manejáveis do ponto de vista ambiental.

Além disso, o sistema mostrou eficiência em pH neutro, condição semelhante à encontrada em rios e lençóis freáticos. Isso é particularmente relevante, pois muitos métodos atuais exigem condições químicas extremas, elevando custos e dificultando aplicações em larga escala.

Impacto ambiental e potencial em saúde pública

Os PFAS já foram associados, em diferentes pesquisas, a alterações hormonais, disfunções metabólicas e aumento do risco de alguns tipos de câncer. Embora os efeitos de longo prazo ainda estejam sendo investigados, o consenso científico aponta para a necessidade urgente de controle e monitoramento. Nesse contexto, a nova tecnologia apresenta duas frentes promissoras:

Remoção ambiental: possibilidade de tratamento de água contaminada com menor custo energético;
Monitoramento portátil: detecção indireta dos PFAS por meio da medição do flúor liberado.

Atualmente em fase de protótipo, a inovação ainda depende de escalonamento industrial. Entretanto, o conceito demonstra que materiais baseados em carbono, combinados à luz solar, podem representar uma virada no combate aos poluentes persistentes.

Portanto, o estudo liderado pela Universidade de Bath reforça que soluções sustentáveis podem surgir da própria química verde e que a energia do sol pode ser uma aliada poderosa na descontaminação do planeta.

Fonte: R7


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