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Ciclone-bomba entenda o fenômeno que atingiu o RS e veja riscos e cuidados para outras cidades

Ciclone-bomba: entenda o fenômeno que atingiu o RS e veja riscos e cuidados para outras cidades

Fenômeno provocou ventos de até 120 km/h, destelhamentos e quedas de árvores e postes; frente fria ainda mantém risco de temporais no Sul e no Sudeste

A passagem de um ciclone extratropical de forte intensidade pelo Sul do Brasil já deixou um rastro de destruição no Rio Grande do Sul, com uma morte, cinco pessoas feridas e danos registrados em 118 municípios, segundo a Defesa Civil estadual. A ocorrência mais grave foi registrada em Montenegro, onde um motociclista morreu após ser atingido pela queda de uma árvore enquanto trafegava pela RS-124.

Os impactos foram provocados pela combinação do ciclone com uma frente fria que avançou pelo Estado. Segundo a Defesa Civil, os ventos registrados tiveram média de 120 km/h, enquanto as rajadas chegaram a superar 90 km/h em diferentes pontos. Em Novo Hamburgo, foram registrados 120 destelhamentos, além de ocorrências envolvendo queda de árvores, fios e estruturas.

O sistema que atingiu o Sul é associado ao fenômeno conhecido como ciclone-bomba, ou ciclogênese explosiva. A classificação ocorre quando um sistema de baixa pressão se intensifica rapidamente, com queda de pelo menos 24 milibares na pressão central em 24 horas. O fenômeno se forma a partir do encontro de massas de ar com grande diferença de temperatura, o que favorece a intensificação da baixa pressão e a aceleração dos ventos.

Embora o ciclone tenha se deslocado em direção ao oceano, seus efeitos ainda repercutem no tempo. A frente fria associada ao sistema mantém a possibilidade de chuva, temporais isolados e rajadas de vento no Sul e em áreas do Sudeste. Em São Paulo, por exemplo, a previsão inclui chuva e temperaturas mais amenas no sábado, enquanto os alertas meteorológicos também abrangem outras áreas do Estado e do Rio de Janeiro.

Risco continua mesmo depois da passagem do ciclone

Um dos principais problemas após episódios de ventania é que os riscos permanecem mesmo depois de o pior do fenômeno ter passado. Árvores parcialmente derrubadas, postes danificados, fios rompidos e estruturas comprometidas podem continuar oferecendo perigo à população.

Em entrevista ao Valor, o capitão Maxwell Souza, porta-voz da Defesa Civil de São Paulo, alertou que a população não deve se aproximar de árvores ou postes que tenham caído. A queda pode danificar a rede elétrica e deixar o solo energizado, criando risco de choque.

A recomendação vale também para quem encontra fios caídos nas ruas. A orientação é manter distância e acionar os serviços responsáveis, evitando atravessar a área, especialmente quando há chuva e o solo está molhado.

O alerta também se estende às estruturas de imóveis atingidos por ventos fortes. Segundo Souza, fissuras e rachaduras podem indicar comprometimento das paredes. Em caso de dúvida sobre a segurança da construção, a orientação é deixar o local e acionar a Defesa Civil.

Durante a tempestade, moradores de casas mais vulneráveis à força dos ventos devem procurar ambientes menores e com paredes mais resistentes. O banheiro pode funcionar como um ponto de abrigo dentro da residência, segundo a orientação citada pelo porta-voz ao Valor.

Transporte e infraestrutura ficam entre os pontos vulneráveis

A ocorrência no Rio Grande do Sul também evidencia como eventos extremos de vento podem afetar a mobilidade e a infraestrutura urbana. A morte registrada em Montenegro ocorreu justamente quando um motociclista trafegava por uma rodovia, após a queda de uma árvore.

Além das árvores, ventos fortes podem derrubar postes, placas e outras estruturas, interrompendo vias e afetando o fornecimento de energia. Em áreas urbanas, esses impactos podem se combinar com alagamentos e enxurradas provocados pela chuva intensa.

O g1 apontou que, no Rio Grande do Sul, os maiores volumes de chuva se concentraram na metade oeste, no sul e no litoral sul, com possibilidade de acumulados próximos de 100 milímetros em pouco tempo. Esse volume pode provocar alagamentos, enxurradas, queda de barreiras e elevação rápida de córregos e rios menores.

O que esperar para os próximos dias

Mesmo com o afastamento do ciclone em direção ao oceano, a frente fria continua avançando pelo Sul. A previsão é de pancadas de chuva, temporais isolados, raios e rajadas de vento no Paraná, em Santa Catarina e no norte, sudeste e litoral do Rio Grande do Sul.

Em São Paulo e no Rio de Janeiro, os efeitos também devem ser sentidos com chuva, queda de temperatura e ventos fortes. A intensidade das rajadas deve diminuir gradualmente ao longo do fim de semana, segundo a previsão citada pelo Valor, embora permaneça a possibilidade de ressaca marítima.

O episódio reforça que o risco associado a eventos extremos não termina necessariamente quando o sistema meteorológico deixa determinada região. A combinação entre vento, chuva intensa e infraestrutura vulnerável pode prolongar os impactos e exigir atenção da população mesmo após a passagem do fenômeno.

Fonte: Um Só Planeta


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