Maior cooperativa agrícola do país prevê duplicar capacidade da planta, localizada no porto de Paranaguá; parte do desembolso vai ocorrer ainda neste ano
A Coamo Agroindustrial, a maior cooperativa agrícola do país, quer dobrar a capacidade de produção da fábrica de óleo de soja de Paranaguá (PR), para 5 mil toneladas ao dia. O investimento na planta será de R$ 500 milhões.
O aporte soma-se a outros que a cooperativa anunciou recentemente. O maior deles é a construção de um terminal portuário em Itapoá (SC), que está na etapa de obtenção de licenças e receberá investimento de R$ 3 bilhões. As obras devem começar em 2030, segundo o cronograma atual.
No caso da fábrica de óleo, os desembolsos já começaram. A Coamo investirá cerca de R$ 200 milhões na unidade ainda neste ano para elevar a capacidade diária de produção de 2 mil para 2,5 mil toneladas. A proposta da duplicação, que demandará mais R$ 300 milhões, será apresentada na assembleia anual da Coamo, prevista para fevereiro de 2027.
O presidente executivo da cooperativa, Airton Galinari, acredita que o projeto de expansão sairá do papel, mesmo tendo a necessidade de submeter à aprovação da assembleia. Com isso, as obras que estão em curso na fábrica de óleo já preveem espaço para a duplicação de capacidade.
Óleo e farelo são os dois principais produtos que se obtém do processamento da soja em grão. Para dar vazão ao farelo, a Coamo quer construir duas linhas de exportação no porto de Paranaguá e também precisará de mais armazéns. Ainda não há estimativa de orçamento para essas obras.
“São investimentos bastante robustos em Paranaguá. Acreditamos que até o fim de 2029 eles vão estar operacionais”, afirmou Galinari em entrevista ao Valor.
Segundo ele, as obras da duplicação da fábrica de óleo devem começar, efetivamente, no fim de 2027, assim que a cooperativa concluir a construção de sua usina de biodiesel. A planta de produção do biocombustível, que deve receber aporte de R$ 400 milhões, também fica no terminal privado da Coamo em Paranaguá
Em paralelo, a cooperativa renovou por mais 25 anos o arrendamento de uma área da União no porto paranaense. Há um compromisso de investimentos de R$ 100 milhões no local. O desembolso deve ocorrer em dois anos.
Investimentos
Esses diferentes projetos fazem parte da estratégia da Coamo de ampliar suas operações agroindustriais e a verticalização de processos. “O que nos motiva (a investir) é continuar crescendo na originação e também na agregação de valor daquilo que nossos cooperados produzem”, disse Galinari. De acordo com o executivo, hoje, a Coamo industrializa apenas 50% da soja que recebe dos cooperados, o que mostra haver um grande espaço para a cooperativa crescer nessa frente.
A definição dos investimentos considerou também a expansão geográfica da Coamo.
“Nós crescemos em três unidades de Mato Grosso do Sul neste ano, crescemos em uma unidade do Paraná no ano passado. E, de janeiro para cá, adquirimos outras 15 unidades no norte velho, em Londrina, uma região do Paraná em que nós não operávamos, e também nos Campos Gerais. Isso, naturalmente, vai trazer mais grãos para dentro da cooperativa”, afirmou.
Um dos principais negócios que a Coamo fechou nos últimos tempos foi a compra de quatro instalações do fundo Pátria, até então eram arrendadas pela Belagrícola — o anúncio do acordo, de R$ 136 milhões, ocorreu no início de 2026. Os ativos eram armazéns de grãos nas cidades paranaense de Sabáudia, Assaí, Bela Vista do Paraíso e Cambé, além de depósitos para insumos.
Distribuidora de insumos controlada pelo grupo chinês Pengdu, a Belagrícola começou a vender unidades como parte de seu plano de recuperação extrajudicial. A companhia tem dívidas de R$ 3,2 bilhões.
O presidente da Coamo disse que a cooperativa recebe, quase diariamente, ofertas para investir em instalações de empresas, em particular de companhias em crise. “Esses juros altos colocaram muita gente em dificuldade. Claro que a gente vai analisar essas ofertas que vierem e que tiverem sentido para a cooperativa”, afirmou.
Galinari enfatiza que “sempre vão estar no radar as oportunidades que o mercado oferecer”, embora existam limitações. Isso inclui, por exemplo, restrição de mão de obra para trabalhar em eventuais novas unidades.
Após concluir uma safra considerada muito boa, e com sinais de recuperação dos preços das commodities, a cooperativa estima que seu faturamento crescerá cerca de 10% neste ano, ultrapassando a marca de R$ 30 bilhões. O montante é recorde.
Para o ciclo 2026/27, a perspectiva é positiva. Segundo Galinari, em anos de ocorrência do fenômeno El Niño, como o atual, a produção de grãos costuma ser boa nas regiões em que a cooperativa atua.
Fonte: Globo Rural
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