Sindquímica destaca aumento de produtividade do setor a partir do uso de inteligência artificial nos maquinários. Escoamento de produtos pela Transnordestina já é planejado
A indústria química cearense deve encerrar 2026 com um crescimento de 8% na comparação com o ano de 2025, apesar das pressões de custos logísticos e oscilações do petróleo provocadas por tensões geopolíticas no Oriente Médio.
A estimativa é do Sindicato das Indústrias Químicas do Estado do Ceará (Sindquímica-CE), que atribui o desempenho à diversificação de fornecedores globais, modernização do parque fabril e adoção de tecnologias de inteligência artificial para ganho de produtividade.
Segundo o presidente do Sindquímica-CE, Beto Chaves, o mercado em geral foi influenciado negativamente com a guerra no Oriente Médio, que gerou a disparada no preço do barril de petróleo, custos logísticos e operacionais das empresas.
Neste sentido, empresários da indústria química cearense buscaram novos métodos e rotas, inclusive encontrando novos fornecedores em países anteriormente não explorados.
O setor, que concentra diferentes segmentos, como farmacêutico, plásticos, tintas, saneantes (produtos de limpeza) e cosméticos, ocupa principalmente duas áreas de produção no Estado, o Polo Químico de Guaiúba e o futuro Polo Industrial de Maranguape.
“Numa média dos principais setores, a gente vai crescer cerca de 8%. É um resultado excelente, na verdade. Notamos um expressivo desenvolvimento no setor químico com o avanço de investimentos em novas tecnologias, máquinas que aumentam a produtividade, utilizando inteligência artificial”, destaca o executivo durante a Expo Ceará Química 2026, realizada em Fortaleza entre os dias 10 e 11 de setembro.
Conforme O POVO publicou no último dia 7 de setembro, o Maranguape Industrial Park deve começar sua operação com duas indústrias do setor químico, o Grupo Alyne Cosméticos e a SOL PVC.
Para atender a expansão dos negócios, o desafio do momento tem sido a falta de mão de obra qualificada. Neste sentido, o presidente do Sindquímica revela que turmas de formação profissional são demandadas ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai Ceará).
Como a procura é grande entre as empresas, assim que os alunos se formarem nas turmas de formação gratuita em polos como Guaiúba, é alta a perspectiva de contratação.
“É sempre importante esse investimento em mão de obra, seja para qualificar ou requalificar. Lá dentro do Polo Químico, por exemplo, nós temos o primeiro curso de administração industrial para o setor, já são 30 anos e é totalmente gratuito. Já estamos preparando novos cursos”, pontua.
A abertura de novos mercados no interior do Nordeste e até o Centro-Oeste é um tema que já é tratado entre os empresários do setor químico cearense. Isso será possível a partir da operação da ferrovia Transnordestina, que tem parada prevista em Maranguape, a menos de 30 km do Polo Químico de Guaiúba.
Beto Chaves explica que as empresas têm interesse em embarcar os produtos dos segmentos químicos na rota de retorno da locomotiva, rumo ao Piauí. A redução do custo por quilômetro rodado nos trilhos permitirá levar marcas cearenses (como cosméticos) até o Piauí, criando hubs de distribuição para o Centro-Oeste, é considerada estratégica.
“O nosso custo rodoviário é elevadíssimo. As estradas não são tão boas, o custo de manutenção é caro. A Transnordestina vai ser uma oportunidade comercial de saída, para conseguir levar produtos até o sul do Piauí e adentrar o Centro-Oeste. Seremos para a ferrovia como um frete de retorno”, complementa.
Fonte: O Povo
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