Recente relatório da OCDE reforça que o Brasil está no caminho certo ao apostar na bioeconomia como uma das principais estratégias de desenvolvimento do século XXI.
Por: João Paulo Ribeiro Capobianco
Depois de liderarmos a revolução da agricultura tropical, temos diante de nós uma nova oportunidade histórica: transformar nossa extraordinária biodiversidade em conhecimento, inovação, competitividade e prosperidade.
O Brasil reúne condições únicas para liderar essa transformação. Somos o país com a maior biodiversidade do planeta, contamos com uma matriz energética predominantemente renovável, uma agricultura altamente inovadora, instituições científicas de excelência e um patrimônio incomparável de conhecimentos acumulados por povos indígenas e comunidades tradicionais.
Mas essa oportunidade não se concretiza apenas pela abundância de recursos naturais e culturais. Ela exige visão estratégica, políticas públicas consistentes e instrumentos capazes de mobilizar investimentos em larga escala.
Foi exatamente essa agenda que o Brasil passou a construir nos últimos três anos.
A recuperação da governança ambiental, com a expressiva redução do desmatamento, o fortalecimento das instituições ambientais e a reconstrução da credibilidade internacional do país criaram as bases para uma nova etapa: fazer da conservação da natureza um vetor de desenvolvimento econômico de de inclusão social.
Nesse período, lançamos a Estratégia Nacional de Bioeconomia durante a Presidência brasileira do G20, contribuindo para a aprovação dos Princípios de Alto Nível da Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia. Avançamos na elaboração da Política Nacional, do Plano Nacional de Bioeconomia e Plano Nacional de Desenvolvimento dos Povos e Comunidades Tradicionais e estruturamos a Taxonomia Sustentável Brasileira para orientar investimentos alinhados aos objetivos ambientais e climáticos do país.
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Criamos, por meio do Eco Invest Brasil, um novo instrumento para mobilizar capital privado. Seu mais recente leilão foi dedicado exclusivamente ao financiamento de projetos de bioeconomia, demonstrando como recursos públicos podem atuar de forma catalítica para reduzir riscos, ampliar investimentos e acelerar o desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas na biodiversidade.
Essas iniciativas compartilham uma mesma visão: transformar a biodiversidade brasileira em uma vantagem competitiva sustentável, agregando ciência, tecnologia, inovação e valor às nossas cadeias produtivas, sempre com a floresta em pé e respeitando os direitos e os conhecimentos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais.
É justamente essa direção que o novo relatório da OCDE, Production Transformation Policy Review – Spotlight on Bioeconomy for Sustainable Development in the Amazon Region (Brazil), reconhece (https://www.oecd.org/en/publications/production-transformation-policy-review_5965206f-en.html). O estudo destaca que o Brasil reúne condições singulares para liderar a bioeconomia em escala global e afirma que essa liderança dependerá da combinação entre conservação da biodiversidade, inovação científica, financiamento, instituições sólidas e inclusão social — exatamente os pilares que vêm orientando a construção dessa agenda no país.
A bioeconomia não é apenas uma agenda ambiental. É uma estratégia de desenvolvimento. Ela amplia a competitividade da economia brasileira, gera empregos qualificados, fortalece economias regionais, atrai investimentos, agrega valor às exportações e posiciona o Brasil na fronteira da economia de baixo carbono.
No século passado, a ciência transformou o Brasil em uma potência agrícola. Neste século, ela pode nos transformar em potência da bioeconomia.
Temos patrimônio natural, capacidade científica, empreendedorismo e uma crescente demanda global por soluções sustentáveis. O desafio agora é manter essa agenda como um projeto de Estado, mobilizando governos, universidades, centros de pesquisa, setor privado, instituições financeiras, povos indígenas, comunidades tradicionais e toda a sociedade.
A maior riqueza do Brasil não é apenas sua biodiversidade. É a capacidade de transformá-la em conhecimento, inovação e prosperidade para os brasileiros.
Fonte: João Paulo Ribeiro Capobianco/ LinkedIn
