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Uso da areia está nos “colocando contra a parede”, diz relatório do PNUMA

Uso da areia – Genebra, Suíça, abril de 2022 – 50 bilhões de toneladas: o suficiente para construir uma parede de 27 metros de largura e 27 de altura em volta de todo o planeta Terra. Esse é o volume de areia e cascalho usado a cada ano, o que os torna o segundo recurso mais usado no planeta, atrás apenas da água. Considerando nossa dependência, a areia precisa ser reconhecida como um recurso estratégico e sua extração e uso devem ser repensados, de acordo com um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

A areia é o segundo recurso mais explorado do mundo e deve ser administrada de forma sensata e o relatório aponta para a necessidade de reconhecermos estrategicamente a areia e tomarmos medidas em todos os setores pertinentes. Entre as soluções estão alterações legais, a reciclagem de materiais de construção e o uso de pedras britadas e “areia de minério” resultante da mineração

Uso da areia

Imagem ilustrativa do Canva

O relatório, Sand and Sustainability: 10 strategic recommendations to avert a crisis (Areia e Sustentabilidade: 10 recomendações estratégicas para evitar uma crise, na tradução literal), lançado hoje pela equipe GRID-Genebra do PNUMA, apresenta orientações importantes, reunidas junto a especialistas de todo o mundo, para que sejam adotadas as melhores práticas de extração e gestão do recurso.

A extração de areia de áreas onde desempenha um papel ativo, como em rios e ecossistemas costeiros ou marinhos, pode provocar processos de erosão, salinização de aquíferos, perda da proteção contra marés de tempestade, além de gerar impactos na biodiversidade, o que constitui uma ameaça a diversos serviços essenciais, como ao abastecimento de água, à produção de alimentos, à pesca, à indústria do turismo, entre outros.

De acordo com o relatório, a areia deve ser vista como um recurso estratégico, não somente para o setor da construção, mas também por causa das múltiplas funções que desempenha no meio ambiente. O material destaca que governos, indústrias e consumidores devem precificar a areia de forma que seu verdadeiro valor social e ambiental seja reconhecido.

Por exemplo, a conservação da areia nas zonas costeiras pode ser a estratégia mais econômica para a adaptação às mudanças climáticas devido à maneira como ela nos protege das mudanças nas marés provocadas por tempestades e dos impactos da elevação do nível do mar — e tais serviços devem ser considerados no cálculo do valor do recurso.


 

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A publicação ainda propõe a criação de um padrão internacional para a extração da areia do meio ambiente marinho. Isso poderia trazer melhorias significativas, já que a maioria dos procedimentos de dragagem marítima é feita por meio de licitações públicas abertas a empresas internacionais. Além disso, o relatório recomenda que a extração de areia das praias seja proibida devido à importância que o recurso tem para a resiliência costeira, o meio ambiente e a economia.

“Para alcançarmos o desenvolvimento sustentável, precisamos mudar drasticamente a maneira como produzimos, construímos e consumimos produtos, infraestruturas e serviços. Nossos recursos de areia não são infinitos, e precisamos utilizá-los sabiamente. Se conseguirmos entender como administrar o material sólido mais extraído no mundo, poderemos evitar uma crise e avançar rumo a uma economia circular”, disse Pascal Peduzzi, diretor da GRID-Genebra no PNUMA e coordenador de programa geral para esse relatório.

Infraestrutura, moradias, alimentos e natureza em jogo

O uso da areia é fundamental para o desenvolvimento econômico, sendo necessária para produzir concreto e construir infraestruturas vitais que vão desde casas e estradas até hospitais. Ao proporcionar habitats e locais de reprodução para flora e fauna diversas, a areia também desempenha uma função essencial no apoio à biodiversidade, incluindo plantas marinhas que atuam como sumidouros de carbono ou filtrantes da água.

O recurso será crucial para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e para enfrentar a tripla crise planetária da mudança climática, poluição e perda da biodiversidade. Entretanto, sua utilização está ocorrendo de forma mais rápida do que a sua capacidade de reposição, por isso sua gestão responsável é crucial.

Uma economia circular ao nosso alcance

Segundo o relatório, existem soluções para se avançar rumo a a uma economia circular da areia. A proibição do aterro de resíduos minerais e o incentivo à reutilização da areia em licitações públicas estão entre as medidas políticas citadas. Pedras britadas ou materiais de construção e demolição reciclado, bem como a “areia de minério” proveniente dos rejeitos da mineração, estão entre as alternativas viáveis que também devem ser incentivadas, detalha o relatório.

Ademais, são necessárias novas estruturas institucionais e legais para que a areia seja gerenciada com mais eficácia e para que as melhores práticas sejam compartilhadas e implementadas. O relatório ainda recomenda que os recursos de areia sejam mapeados, monitorados e informados.

Paralelamente, todas as partes interessadas devem estar envolvidas nas decisões relacionadas à gestão da areia para permitir abordagens específicas para cada lugar e evitar soluções generalizadas, salienta o documento.

O relatório surge na sequência de uma resolução sobre a gestão dos recursos minerais adotada na quarta Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), que exige ações sobre o manejo sustentável da areia. Essa determinação foi confirmada na quinta UNEA, em 2022, por meio da nova resolução intitulada Aspectos ambientais da gestão de minerais e metais, aprovada por todos os Estados membros.

Leia o relatório completo aqui.

Sobre o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente 

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente é a principal voz global sobre o meio ambiente. Fornece liderança e incentiva parcerias com foco no cuidado com o meio ambiente, inspirando, informando e capacitando nações e povos a melhorarem sua qualidade de vida sem comprometer a das gerações futuras.

Fonte: ONU


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