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Concessionárias privadas usam hidrômetro inteligente, drones e análise de dados para elevar eficiência e reduzir desperdício

Localidades que passam a contar com saneamento atraem negócios, veem melhora no meio ambiente e em condições de moradia

Imagem Ilustrativa

RIO, SÃO PAULO E BRASÍLIA – Hidrômetros inteligentes que fazem a leitura do consumo da água automaticamente, drones para mapear terrenos, uso de dados para identificar fraudes, perdas e roubo de água, com alertas por aplicativo. A chegada de empresas privadas ao setor de saneamento está promovendo um choque de gestão.

Na média, o Brasil desperdiça quase 40% da água nas redes. Em cidades com concessionárias privadas, as perdas caíram, em alguns casos, a menos de 15%.

A utilização de dados de consumo nos permite identificar distorções por fraude ou perda de água na rede. Estamos testando medidores inteligentes, que devem entrar em funcionamento este ano — diz André Gustavo Teixeira, diretor executivo de Transformação na Iguá Saneamento.

A Iguá já está colocando em prática negócios como o compartilhamento das galerias onde passam tubulações de esgoto com empresas de telefonia e energia para passagem de fibra óptica e de cabos. Estão em fase de elaboração planos mensais pré-pagos de consumo de água, assim como na telefonia. A empresa promove laboratórios de discussões com start-ups sobre problemas do setor. Uma das ideias é o uso de drones para monitorar obras.

 


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Na Aegea, a tecnologia de “gêmeos digitais” permite fazer simulações com diferentes cenários do que acontece nas redes de distribuição de água, como um possível vazamento ou a forma mais eficiente de fazer um reparo. No laboratório, a empresa já testou o uso de imagens de satélites para detectar perdas.

Temos um laboratório de testes em que start-ups trabalham conosco. Já usamos drones para inspecionar terrenos. Os drones vão produzir imagens 3D, que permitirão mais eficiência na alocação de equipes para manutenção das redes — explica Radamés Andrade Casseb, diretor-presidente da Aegea.

Para Alceu Galvão, doutor em Saúde Pública e professor no MBA de Saneamento Ambiental da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, a crise hídrica abre frentes por busca de eficiência no tratamento de esgoto.

Transformação digital

A BRK Ambiental também investe na tecnologia de “gêmeos digitais” para identificar anomalias na operação. Com uso de algoritmos e inteligência artificial, diz Claudio Monken, diretor de Engenharia da empresa, abriu-se a possibilidade de atuar e medir o impacto das ações das equipes em campo no combate aos vazamentos e perdas.

Há uma transformação digital com o uso de tecnologia nas operações — diz Monken.

A empresa trouxe da Holanda tecnologia que não requer adição de produtos químicos para tratar esgotos. Conhecida como Nereda, ela usa menos energia e metade do espaço necessário para uma Estação de Tratamento de Esgotos convencional. A primeira destas instalações está em Deodoro, na Zona Oeste do Rio. Outras estão sendo implementadas em São Paulo e Tocantins.

A Águas do Brasil investe R$ 100 milhões em um programa de redução de perdas de água. Ao menos 60% já foram aplicados na substituição de redes antigas, fiscalização e regularização de ligações clandestinas, automação e eliminação de vazamentos não visíveis, através de um sistema de inteligência artificial, desenvolvido por uma start-up.

Serviços transformam a qualidade de vida

A chegada do capital privado ao setor de saneamento está mudando a história e a rotina de muitos municípios que viviam problemas de abastecimento de água e índices baixos de tratamento de esgoto.

Limeira, distante 381 quilômetros da capital paulista, foi a primeira cidade do país a conceder os serviços de água e esgoto, em 1995, com prazo de contrato de 44 anos. Vinte e seis anos depois, conta com 100% de cobertura de água e tratamento de esgoto em toda a área urbana.

A chegada de investimentos em saneamento promove benefícios em saúde, educação, preservação do meio ambiente, qualidade de vida, geração de emprego e renda — diz Claudio Monken, diretor de Engenharia da BRK Ambiental, responsável pelo serviço de saneamento na cidade.

Enquanto o Brasil tem cerca de 40% de perda de água nas redes de distribuição, Limeira está entre os três municípios brasileiros com índices abaixo dos 15%. Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 190 milhões apenas em substituição das redes.

Segundo a secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Inovação de Limeira, o saneamento básico da cidade é um dos fatores de atratividade e expansão de negócios.

Niterói está entre as cidades do país que já alcançaram a universalização dos serviços. A concessionária Águas de Niterói, do grupo Águas do Brasil, assumiu os serviços no fim de 1999, em um contrato de 50 anos. Na época, a cobertura de água atingia 72% da população, enquanto pouco mais de um terço dos moradores da cidade (35%) contava com esgoto coletado.

No ano seguinte, a concessionária deu início à expansão da rede de distribuição e tratamento. E começou a fazer a retirada de línguas negras da Praia de Icaraí. Após quinze anos de águas impróprias para banho, Icaraí voltou a apresentar índices próprios de balneabilidade.

No Ranking do Saneamento 2021, elaborado pelo Instituto Trata Brasil com base em dados de 2019, Niterói figura em 24º lugar na universalização do saneamento entre as cem maiores cidades. Tem 100% de cobertura de água e 95,5% de coleta de esgoto.

A maior favela horizontal do Brasil, a região do Sol Nascente/Pôr do Sol, fica no Distrito Federal, a 40 quilômetros do centro do poder do país, o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Após pressão dos moradores por melhoria na infraestrutura e anos de espera, o esgotamento sanitário começou a chegar na localidade em 2019. Mais da metade dos trabalhos já foi concluída. Onde as obras já terminaram, o impacto é visível.

As imagens de esgoto a céu aberto, das fossas sépticas e dos mosquitos que tomavam conta da paisagem foram substituídas por ruas limpas e uma estrutura de saneamento que permitirá a pavimentação das ruas.

Lucinea Santos, de 34 anos, cabeleireira e moradora da região, relata uma diferença marcante: o mau cheiro.

Todo mundo tinha fossa, o que dava muito mosquito e mau cheiro. Quando vinham as chuvas, a fossa ficava entupida e o esgoto ficava a céu aberto. Isso mudou, mas precisa levar essas obras para o Sol Nascente inteiro. Todo mundo queria essa obra, é questão de saúde — cobra a moradora.

Segundo o governo do Distrito Federal, todo o projeto prevê a construção de 330 mil metros de redes coletoras de esgoto com investimentos de R$ 66 milhões.

Fonte: O GLOBO


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