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Brumadinho: conheça alternativas definitivas para o abastecimento de água na região

Força tarefa que atua há dois anos nas áreas afetadas por rompimento de barragem em Minas Gerais prevê novo cenário em 2022.

Garantir o abastecimento de água em Brumadinho e outras 15 cidades que utilizavam o rio Paraopeba, em Minas Gerais, foi uma das primeiras medidas tomadas pela Vale após o rompimento da barragem B1

 

vale

Imagem ilustrativa

Imediatamente, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam) recomendou a suspensão da captação de água em um trecho de 250 km do manancial, de Brumadinho ao município de Pompéu. Foi quando começaram a ser criadas estratégias para efetivar entregas emergenciais regulares às pessoas atingidas e também para garantir alternativas de abastecimento definitivas – formando o Plano Integrado de Abastecimento de Água na Bacia do rio Paraopeba.

Na primeira frente, é feito o abastecimento via caminhões pipa para comunidades, municípios e população ribeirinha, além de distribuição de água mineral. Já as ações estruturantes incluem a perfuração de poços tubulares profundos, construção de adutoras para captação de água e instalação de sistemas de tratamento.

Para possibilitar este trabalho, ainda em 2019 foram mapeadas todas as populações direta ou indiretamente impactadas pela suspensão da captação no Paraopeba. O estudo também levou em conta áreas ribeirinhas que não estavam no banco de dados dos órgãos oficiais.

” Temos um constante trabalho de avaliação dos trechos impactados para garantir o atendimento às comunidades “, enfatiza Roberta Guimarães, gerente de Saneamento da Vale.

O objetivo era garantir, de forma célere, alternativas para comunidades ribeirinhas que coletavam água diretamente do rio para consumo próprio, animal e irrigação de plantios, para municípios que faziam captação direta do rio e para aumentar a segurança hídrica da população da região metropolitana de Belo Horizonte.

Para agricultores e pecuaristas como Alexandre Souza Cruz, morador de Esmeraldas, a força tarefa foi fundamental para evitar prejuízos.

“Não cheguei a ser afetado porque, na hora que a água parou, eles ofereceram ajuda. A Vale comunicou na televisão que, em casos de urgência, poderíamos ligar para um número. Eu liguei e eles disponibilizaram caixa d´água, bomba, tudo”, diz.

Alexandre estima que sua propriedade demande 10 mil litros de água diariamente, para uso doméstico e consumo do gado.

“E todo dia chega caminhão, graças a Deus.”

Água sob demanda e auditada

O cálculo de consumo é realizado a partir das informações passadas pelos proprietários combinadas com estudos técnicos da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

“A gente precisava entender, por exemplo, a quantidade de alimentação e água que os animais consumiam, especificando por raça e também pela quantidade de hectares”, conta Marco Furini, coordenador agropecuário da Vale.

“A gente tem um trabalho de telemetria, todos os nossos caminhões-pipa têm um sistema on-line em que nós sabemos onde está cada caminhão”, explica Furini.

“Esse sistema é verificado por auditoria externa e atende todas as pessoas na programação que foi combinada com o produtor rural”, destaca o coordenador agropecuário da Vale.

O profissional ressalta que o acompanhamento técnico e suporte tecnológico são fundamentais para a organização de um trabalho tão complexo como o que vem sendo realizado em Minas Gerais: até o momento, mais de 1 bilhão e 300 milhões de litros d’água foram distribuídos via caminhão pipa nessa frente. Além disso, também já foram disponibilizados mais de 1,8 bilhão de litros por meio de soluções definitivas como poços tubulares profundos.

Distribuição de água para municípios e comunidades

Além do abastecimento de água diretamente realizado à população ribeirinha, o Plano Integrado de Abastecimento também prevê o fornecimento de água aos municípios e comunidades impactados pela suspensão da captação no rio Paraopeba.

Para isso, foi criado um esquema que operou ininterruptamente para abastecer as Estações de Tratamento de Água de Pará de Minas, São José da Varginha, Paraopeba e Caetanópolis, e ainda opera em bairros destas duas últimas cidades.


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Em razão de outros impactos verificados, as comunidades de Tejuco e Parque da Cachoeira, em Brumadinho, também recebem água tratada via caminhão pipa. Uma nova proposta de abastecimento está sendo avaliada para restabelecimento ao que era antes. Até o momento, foram entregues mais de 3 bilhões de litros de água em todas essas frentes.

Foram construídas ainda captações superficiais e poços tubulares profundos para garantir a segurança hídrica dos municípios. Juntos, estes projetos definitivos garantem água a um equivalente populacional de 200 mil habitantes.

Planos de contingência em diferentes frentes

Além de contar com um sistema integrado para garantir o abastecimento à população ribeirinha, as ações avançam para concretizar alternativas definitivas a municípios impactados da Bacia do Paraopeba e também para reforçar a segurança hídrica de usuários da Bacia do Rio das Velhas que podem ser impactados em eventual suspensão da captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Bela Fama, localizada em Nova Lima.

“O abastecimento da região metropolitana de Belo Horizonte é integrado, conta com o sistema Velhas e o sistema Paraopeba, que foi impactado pelo rompimento. Em julho de 2019 nós iniciamos, em conjunto com a Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), o desenvolvimento de um plano de contingência”, conta Roberta Guimarães, gerente de saneamento da Vale.

Os planos de contingência realizados na região metropolitana de Belo Horizonte tiveram quatro pilares principais. O primeiro é o atendimento da população da RMBH através do rodízio entre as zonas do sistema integrado de abastecimento de água. O segundo envolve o atendimento a vilas e favelas, com ações de distribuição de água por meio de reservatórios comunitários. O terceiro busca aumentar a autonomia hídrica dos municípios de Sabará, Nova Lima e Raposos, abastecidos apenas pelo sistema Velhas. Já o quarto segmento define ações alternativas para locais que não podem ficar sem água em momento algum, como hospitais e outras instituições.

Como forma de manter o aporte hídrico do sistema produtor do alto rio das Velhas, que abastece a RMBH, Nova Lima e Raposos, a Vale também está realizando estudos e projetos para reforçar o tratamento da ETA Bela Fama, trazendo maior robustez à Estação frente a situações emergenciais. Até então foram realizados mais de 30 estudos que deram origem a projetos de reforço na captação e no tratamento atualmente realizado na ETA. Estes projetos estão em andamento.

Obras definitivas de adutoras de água, construção de reservatórios complementares de água e perfuração de poços subterrâneos também avançam para as populações da RMBH e da bacia do Paraopeba. Uma das entregas já efetivadas foi a adutora do rio Pará. Com 50 quilômetros de extensão, a estrutura faz a captação de água nesse rio para garantir o atendimento direto ao município de Pará de Minas. A vazão da estrutura é de 284 litros por segundo, mesmo volume que o município captava no rio Paraopeba antes do rompimento da barragem.

A previsão da gerente de saneamento da Vale é que até meados de 2022 as ações definitivas estejam concluídas.

“Nosso foco é eliminar as ações emergenciais e dar maior autonomia de abastecimento através de outras fontes para a população da RMBH. Mas até elas ficarem prontas, as ações emergenciais continuam funcionando para não ter ninguém desassistido.”

Ações colocadas em prática

-31 municípios contemplados por intervenções em andamento, incluindo as bacias do Paraopeba, Velhas e Doce

-4.500 estudos realizados e em andamento

-507.805 parâmetros de qualidade da água para consumo humano analisados

-31 órgãos e assessorias técnicas atendidas

-1.300.000.000 litros de água distribuídos em ações emergenciais

-Aproximadamente 400 obras de abastecimento de água para atendimento público e ribeirinho, localizadas nas Bacia do Rio das Velhas e Paraopeba

Fonte:G1.


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