País emitiu 21 milhões de toneladas em 2024. Com emissões em alta, relatório aponta 37 soluções para o Brasil reduzir a poluição por gás metano
O Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), rede ligada ao Observatório do Clima, lançou nesta terça-feira, 18, um documento com 37 soluções para frear as emissões de metano (CH4) nos principais setores poluidores do Brasil.
Considerado um dos principais vilões do aquecimento global, o gás tem um potencial de reter calor 28 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2) em um período de cem anos. Para David Tsai, coordenador do SEEG, combater esse poluente é uma “ação crítica para retornar à normalidade climática”. O especialista alerta que o país possui um amplo leque de soluções disponíveis, mas que o desafio real é “transformar esse conhecimento em ação coordenada e com escala”.
Atualmente, o país é um dos responsáveis pelas maiores emissões do gás, só em 2024 foram 21 milhões de toneladas lançadas na atmosfera. O grande gargalo nacional no combate a esse gás reside na agropecuária, que responde sozinha por quase 76% das emissões brasileiras (cerca de 15,7 milhões de toneladas anuais). Desse volume, mais de 90% provém diretamente da criação de gado. Para mitigar o problema, o caderno de soluções apresenta 15 propostas voltadas ao setor produtivo, englobando desde o planejamento territorial até o aprimoramento no manejo de resíduos animais.
Segundo Gabriel Quintana, do Imaflora, a adequação ambiental não significa prejuízo para o agronegócio. Pelo contrário, trata-se de “uma grande oportunidade para o setor, por incluir produtividade e eficiência na produção de alimentos”.
O segundo setor mais poluente é o de gestão de resíduos, responsável por 16% do metano emitido no país, impulsionado principalmente por lixões e aterros sanitários. As diretrizes traçadas pelo ICLEI América do Sul sugerem a expansão acelerada da coleta seletiva e a “valorização dos resíduos orgânicos”.
Ranking das 10 cidades que mais emitiram gás metano em 2024:
- Rio de Janeiro (RJ)
- São Félix do Xingu (PA)
- São Paulo (SP)
- Corumbá (MS)
- Porto Velho (RO)
- Cáceres (MT)
- Marabá (PA)
- Altamira (PA)
- Novo Repartimento (PA)
- Fortaleza (CE)
Já na área de Energia, os especialistas apontam duas frentes distintas: o fim dos vazamentos na indústria fóssil e políticas públicas para quem ainda usa lenha em casa. “Cada emissão de metano requer uma resposta específica”, defende Ingrid Graces, do Iema, ressaltando que, enquanto a população vulnerável precisa de assistência, no caso dos combustíveis fósseis “cabe responsabilizar quem lucra com a atividade”.
Completando o mapeamento, o eixo de Mudança no Uso da Terra e Florestas concentra 5,5% do impacto. Nesta área, a contabilidade oficial indica que as emissões estão diretamente atreladas às queimadas na vegetação nativa.
As propostas elaboradas pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) reforçam que é estritamente necessário “fortalecer a governança do fogo”. À medida que as mudanças climáticas prolongam as secas pelo país, os pesquisadores alertam que investir em prevenção e no manejo integrado das chamas “passa a ser uma estratégia de adaptação climática” indispensável para o futuro do Brasil.
Os dados estão disponíveis no site do SEEG, onde é possível checar as emissões de metano no Brasil por bioma, estado, região e município.
Fonte: Um Só Planeta



