Aumento foi de cerca de 5% ao ano entre 2010 e 2023 e está ligado ao aquecimento da região. No oeste, solos mais quentes e úmidos favorecem a liberação do gás, enquanto incêndios têm peso maior no leste.
As emissões de metano na Sibéria mais que dobraram em pouco mais de uma década, impulsionadas pelo aumento das temperaturas, pelas mudanças no solo e pelo crescimento dos incêndios florestais.
A conclusão é de um estudo internacional publicado recentemente na revista “Science”, que analisou dados de satélites e medições da atmosfera entre 2010 e 2023.
Os pesquisadores calcularam que as emissões de metano da região cresceram, em média, cerca de 5% ao ano nesse período.
Em 2020 e 2021, por exemplo, o volume anual já era mais de duas vezes maior do que o registrado em 2010.
Os fatores por trás desse crescimento variam entre as diferentes áreas da Sibéria. No oeste da região, o aumento das temperaturas no inverno tem antecipado o derretimento da neve.
Com o solo descoberto mais cedo, a superfície aquece por mais tempo e concentra mais umidade, condições que aumentam a liberação de metano em áreas alagadas.
Já no leste da Sibéria, o mecanismo é outro. Períodos persistentes de tempo quente e seco ressecam o solo e a vegetação e aumentam as condições favoráveis aos incêndios.
O estudo encontrou um crescimento anormal das queimadas e das emissões de metano associadas a elas desde 2019.
A Sibéria concentra cerca de 46% do permafrost do Hemisfério Norte. Esse solo permanece congelado por longos períodos e guarda enormes reservas de carbono.
À medida que ele descongela, parte desse material passa a ser decomposta por microrganismos, que podem liberar metano para a atmosfera.
“O que estamos observando é uma consequência direta do aquecimento do Ártico provocado pelo aumento das concentrações de gases de efeito estufa. À medida que o solo antes congelado começa a descongelar, o carbono armazenado fica disponível para microrganismos, que podem produzir metano ao decompô-lo”, disse Paul Palmer, autor do estudo e diretor científico do Centro Nacional de Observação da Terra da Universidade de Edimburgo (Escócia), em um comunicado.
ENTENDA: O metano preocupa porque contribui fortemente para o aquecimento do planeta. Nesse caso, surge ainda o risco de um ciclo de reforço: temperaturas mais altas favorecem novas emissões, e essas emissões acrescentam mais gases de efeito estufa à atmosfera.
Segundo as projeções apresentadas no estudo, se a relação observada entre temperatura e emissões continuar nas próximas décadas, a Sibéria poderá liberar até cerca de 25 milhões de toneladas adicionais de metano por ano em 2050 em um cenário de forte aquecimento.
Esse aumento poderia compensar aproximadamente 20% da redução global das emissões humanas de metano necessária para limitar o aquecimento a 1,5°C.
Os próprios autores ressaltam, porém, que ainda há incertezas sobre a dimensão futura desse processo.
“As observações por satélite oferecem a única maneira prática de monitorar as emissões de metano na vasta e em grande parte inacessível paisagem da Sibéria, permitindo acompanhar mudanças que, de outra forma, seriam extremamente difíceis de detectar”, afirmou Palmer.
Segundo as projeções apresentadas no estudo, se a relação observada entre temperatura e emissões continuar nas próximas décadas, a Sibéria poderá liberar até cerca de 25 milhões de toneladas adicionais de metano por ano em 2050 em um cenário de forte aquecimento.
Esse aumento poderia compensar aproximadamente 20% da redução global das emissões humanas de metano necessária para limitar o aquecimento a 1,5°C.
Os próprios autores ressaltam, porém, que ainda há incertezas sobre a dimensão futura desse processo.
“As observações por satélite oferecem a única maneira prática de monitorar as emissões de metano na vasta e em grande parte inacessível paisagem da Sibéria, permitindo acompanhar mudanças que, de outra forma, seriam extremamente difíceis de detectar”, afirmou Palmer.
Fonte: G1



