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BNDES destaca oportunidades no mercado de biogás

Fundo Clima, que abriga recursos para projetos de energia renovável, deve ser liberado em breve, diz o banco

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O Webinar Técnico da ABiogás terminou, na sexta-feira (15), com a discussão sobre “Políticas Públicas e Financiamento”, que contou com a participação de Artur Milanez, gerente do departamento de Agroindústria do BNDES, Marcio Félix, CEO da Energy Platform (EnP), Monroe Olsen, da Smart Cities e Rafael Gonzalez, diretor-presidente do CIBiogás.

Para fechar a semana, o presidente da ABiogás, Alessandro Gardemann, abriu o painel lembrando que este é um momento de oportunidades.

“Tudo o que estamos ouvindo demonstra o aumento do interesse pelas renováveis, por projetos sustentáveis e de longo prazo. Temos um problema grande hoje, estamos lutando contra o coronavírus, mas quando a crise passar, a questão da mudança climática continua e vamos ter de encarar de frente”, comentou.

Neste sentido, o gerente do BNDES, Artur Milanez, trouxe uma boa notícia. Segundo ele, o banco de desenvolvimento trabalha com a expectativa de liberar o Fundo Clima em breve.

“Esperamos ter alguma novidade quanto a isso já no próximo mês. Há dois anos conseguimos a inclusão dos projetos de biogás e biometano como elegíveis neste fundo, e vão continuar nesta próxima fase. São recursos com taxas bem incentivadas, o que vai ser interessante para implementação de novos projetos”, afirmou.

Segunda onda do biogás no Brasil

Para Milanez, o setor de biogás vive uma segunda onda, com ganhos de escala na produção, comparada aos projetos de dez anos atrás em que o foco estava mais no tratamento de resíduos do que na geração de energia. Com esta visão, ele sugeriu a revisão do programa do governo federal para a Agricultura de Baixo Carbono (ABC), por exemplo, que está em discussão para a próxima safra e conta com abundância de recursos, tendo já disponibilizado mais de R$ 1 bilhão por safra.

“Hoje, ele só financia projetos de tratamento de resíduos de origem animal, mas poderia ser rediscutido à luz desta nova era do biogás, em que os resíduos de origem vegetal apresentam um potencial maior na geração de energia”, comentou.


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Conselheiro da ABiogás, Monroe Olsen apresentou uma visão geral sobre políticas públicas relacionadas ao biogás, abordando também questões tributárias, regulatórias, financeiras e o conceito de smart cities, que, segundo ele, hoje está mais ligado à ideia de “smart citizens”. “Uma cidade mais criativa e sustentável requer tanto o uso de tecnologias no planejamento, quanto a participação do cidadão, desde a coleta seletiva, da parte orgânica, até a efetiva cobrança de modais com mais tecnologia, para que a mobilidade fique não apenas mais segura e barata, mas agora, em tempos de pandemia, trazendo a possibilidade de um “blue sky”, como estamos vendo, o que pode acontecer por meio de uma matriz mais limpa, substituindo o diesel pelo nosso biometano”, comentou.

Com larga experiência no setor de óleo e gás, tendo atuado nos últimos três anos no Ministério de Minas e Energia, o CEO da Energy Platform, Márcio Félix, defende a criação de um programa integrado do gás, com uma maior valorização do biogás. Márcio explicou que, no ministério, há três departamentos diferentes: o de GLP, do gás natural e do biogás (este dentro do departamento de biocombustíveis).

“Acho que deveria ter um projeto estratégico para o país, que seria o Projeto do Gás. Fala-se muito em baixar o preço do gás, transformar a indústria, mas com a cabeça do gás natural. Ninguém está considerando que o biogás vai multiplicar por dois o potencial fóssil do País, e que ainda está distribuído, além de resolver vários problemas ambientais”, defendeu.

Potencial do biogás

Segundo Márcio, o potencial do biogás traduzido para a unidade do gás natural é de 210 milhões de m3/ dia, o que equivale ao dobro da produção brasileira de gás natural ou à projeção do pré-sal.

“Então, o biogás é um pré-sal de gás e que está naturalmente distribuído. Ela não precisa disputar espaço com o gás natural, pode entrar com pequenas infraestruturas. O diesel é o elemento a ser combatido, tem um espaço muito grande de substituição”, argumentou.

Coube ao vice-presidente da ABiogás, Gabriel Kropsch, encerrar o primeiro Webinar Técnico da ABiogás, que, durante uma semana, promoveu debates com os maiores especialistas do setor em torno do papel do biogás na descarbonização das cidades, apresentando o cenário atual e passando pelo debate da participação do biometano na rede, produção a partir do saneamento e políticas públicas.

Para fechar as discussões, Gabriel destacou que, dentro das cidades, é inquestionável o benefício do biometano para seus habitantes, inclusive para a saúde da população. No entanto, é na esfera municipal que menos se avançou.

“Temos um problema regulatório do gás, de um modo geral, porque ele está na esfera estadual, enquanto o transporte de passageiros está na esfera municipal. Por meio do trabalho da associação, avançamos muito com o governo federal e nos estados, no desenvolvimento das regulamentações, mas no nível municipal ainda não chegamos onde gostaríamos. O que precisamos é de algo simples no conceito, mas de difícil execução, que é passar para o operador do ônibus o benefício do combustível”, concluiu.

Fonte: Biomassa e Energia.