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Contaminação de águas superficiais por agrotóxicos: análise dos impactos causados na saúde humana e ambiental

Publicado em 19/07/2021 às 11:35:37

Resumo

Atualmente o Brasil é um dos maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, pesquisadores vêm alertando sobre os problemas causados pelo uso intensivo destas substâncias, que tem fomentado uma grande preocupação em diversos setores devido aos riscos potenciais que estes compostos trazem ao ambiente e aos seres humanos, uma vez que boa parte desses agrotóxicos vem sendo associados a doenças crônicas como câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. Apesar disso, cada vez mais estes compostos são utilizados para o controle da integridade de plantações. Estudos comprovam um aumento constante de águas contaminadas por agrotóxicos, que por meio da lixiviação e do escoamento superficial são transportados, prejudicando a qualidade das águas subterrâneas e superficiais. É o caso do município de Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro (RJ), Brasil, onde de acordo com estudo nacional realizado para determinar a presença de agrotóxicos na água, é uma das cidades nas quais 27 tipos de agrotóxicos chegam à suas torneiras para consumo humano, e em determinados casos, os agrotóxicos encontram-se acima dos limites legais existentes no Brasil. Diante deste cenário, este artigo tem com o objetivo apresentar e discutir os efeitos da exposição aos diversos agrotóxicos encontrados nas águas superficiais do município. As discussões e apontamentos do trabalho poderão contribuir para demonstrar a grande degradação da qualidade de recursos hídricos da região, causada pelo uso intensivo de agrotóxicos, incluindo fontes de água de consumo humano e de chuvas, amplificando o risco de contaminação.

Introdução

Por meio da necessidade de desenvolvimento da sociedade humana, o principal foco de investimento e aperfeiçoamento se voltou para o setor da agricultura para suprir as necessidades da população. Por meio da Revolução Industrial(RI), viu-se a urgência no foco do desenvolvimento da agricultura buscando aperfeiçoara produção alimentar em virtude do crescimento populacional(CHAIM, 1999).

No passado os métodos utilizados na produção agrícola com o objetivo de evitar a proliferação de pragas eram baseados na aplicação de produtos químicos à base de Cobre e Arsênio, assim como a aplicação das inseticidas de origem natural como as piretrinas (SILVA; SANTOS, 2007).

Com o surgimento de novas tecnologias e a evolução do próprio homem como produtor, diversas técnicas foram sendo desenvolvidas, com o objetivo de facilitar e seguir de forma paralela a relação produção de alimentos-crescimento demográfico, a fim de garantir a subsistência das gerações presentes e futuras (PEDLOWSKI et al., 2006). Isso resultou em uma grande transformação tecnológica no setor dos sistemas produtivos, que começaram a contar com a utilização dos agrotóxicos, que se tornaram essenciais na redução do tempo de trabalho e no combate de pragas na produção.

Um dos principais produtores e consumidores desses agrotóxicos são os países desenvolvidos, que com o objetivo de suprir a necessidade da sua população e evitar as perdas por insetos e pragas, os quais geram uma destruição de cerca de 20% das lavouras, busca mas sim garantir o fornecimento adequado do alimento para as pessoas (OLIVEIRA;MACEDO, 2011).O uso desenfreado de agrotóxicos leva a diversos impactos socioambientais que, apesar de graves, não impedem o uso e a disseminação dessas substâncias em todo o mundo (LOPES; ALBUQUERQUE, 2018).

Na época da RI o principal meio de produção era através de monoculturas, que deu o ponta pé inicial na agricultura. Com o passar dos anos uma nova substância permitiu a produção em massa e as perdas quase inexistentes, atreladas à produção em grande escala. Conhecidas como agrotóxicos, estas substâncias suprir a demanda exacerbada de alimentos em todo o mundo, permitindo uma produção em larga escala na agricultura e impedindo a proliferação de pragas durante o processo (ECOBICHÓN, 2001).

Porém o custo socioambiental causado pela alta toxicidade de tais produtos, unida à falta de informações sobre possíveis riscos envolvidos na sua utilização devido a carência acerca da maneira correta de aplicá-los, é um fato que predomina entre os agricultores e que tem sido responsável pelo elevado grau de contaminação ao meio ambiente e à saúde humana, sendo o ser humano uma das principais vítimas afetadas pelo seu uso constante e irresponsável(WORLD RESOURCES INSTITUTE, 1998).

Essa contaminação se dá em três tipos de graus de intoxicação definidas pelo Manual de Vigilância da Saúde de Populações Expostas a Agrotóxicos, produzido pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) como: aguda, subaguda e crônica, que vai depender do tempo de exposição e a toxicidade das substâncias manuseadas (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 1996).

Tais intoxicações estão relacionadas a problemas como surgimento de cânceres, danos ao sistema nervoso e desenvolvimento de fetos e bebês com malformações, por exemplo. Estes são alguns dos muitos problemas decorrentes da contaminação por agrotóxicos, com o agravante que algumas doenças e sintomas, ou não podem ser diagnosticados ou não se manifestam na pessoa contaminada, podendo mostrar sintomas de contaminação entre 15 a 30 anos após o contato do produto com o corpo. Além disso, o estabelecimento de doses fatais para seres humanos é seguido de uma identificação dos níveis de toxicidade de cada produto (PEDLOWSKI et al., 2006).

O Brasil, um dos maiores consumidores de agrotóxicos, representa sozinho 50% do consumo na região da América do Sul. Após a “revolução verde” tornou-se um grande produtor e contaminador socioambiental, pelo seu extensivo uso de produtos agrotóxicos nos seus processos agrícolas (PERES; MOREIRA, 2003). No entanto, a destreza técnica para manusear os produtos químicos e os processos não tiveram qualificação necessária, engatando uma série de problemas ambientais e sociais imediatos na população brasileira (PERES et al., 2001).

Os agrotóxicos no Brasil começaram a ser inseridos na agricultura em 1943, quando o DDT (Diclorodifeniltricloroetano) foi introduzido no país, e atualmente possui uma faixa de consumo de aproximadamente 300 mil toneladas de agrotóxicos por ano (SPADOTTO, 2006).

ODDT possui a fórmula molecular (C14H9Cl5) sendo estruturalmente composto por dois anéis aromáticos que se encontram ligados a um átomo de cloro cada, e um átomo de carbono ligado a outros 3átomos de cloro, como pode ser observado na (Figura 1) (TEIXEIRA et al., 2019).

(…)

Autores: Jacinta de Fátima Freitas Menezes; João Victor Pena dos Santos; José Arthur de Souza Santos Dutra; Matheus Gomes Tavares e Heloisa Alves Guimarães.

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