NOTÍCIAS

Sabesp vai ficar de fora da privatização da Copasa afirmam fontes

Sabesp vai ficar de fora da privatização da Copasa, afirmam fontes

Aegea e Sabesp (da Equatorial) — consideradas as gigantes de saneamento no país — eram vistas como barbadas na disputa pela Copasa, estatal de saneamento de Minas Gerais. Mas isso mudou. Uma delas parece estar fora do páreo.

A Sabesp bateu o martelo: não vai participar do trâmite, afirmam pessoas próximas à companhia, que confirmou a informação ao GLOBO.

A companhia de abastecimento de São Paulo, privatizada em 2024 e agora sob controle da Equatorial, surpreendeu com a decisão, que se trata de uma guinda em seu posicionamento declarado.

No dia 8 de Maio de 2026, em conferência sobre os resultados do primeiro trimestre, o diretor-presidente da Sabesp, Carlos Piani, afirmou que iriam participar do processo da Copasa.

“O cenário mudou”, diz uma fonte a par do assunto.

Isso determina, porém, que a Equatorial, sócia de referência da companhia paulista, não entrará na disputa. A empresa sofre pressão para melhorar suas operações em São Paulo.

Em nota, a Sabesp informou que, de fato, pretende priorizar seus investimentos nas operações no estado de São Paulo. Além disso, a estratégia busca acelerar o cumprimento das metas de universalização dos serviços de saneamento. A companhia atua em 375 municípios paulistas dentro de sua área de concessão.

“A companhia está executando um robusto programa de investimentos que, em 2026, deverá representar o maior volume anual de investimentos da história da Sabesp”, informou a empresa. “Eventuais oportunidades de mercado são avaliadas com cuidado e responsabilidade, considerando alinhamento estratégico, sinergias operacionais, retorno econômico-financeiro, capacidade de execução e viabilidade de financiamento e, quando aderentes, submetidas aos órgãos de governança competentes”.

Aegea segue no páreo

Também em teleconferência sobre os resultados de janeiro a março, o CEO da Aegea, Radamés Casseb, afirmou que a companhia seguia estudando sua potencial participação na privatização da Copasa. Além disso, ele classificou o processo como “transformacional”.

Com dívida elevada, a Aegea recebeu aporte de R$ 1,2 bilhão de seus acionistas de referência — Equipav, GIC, fundo soberano de Cingapura, e Itaúsa, em março. Na semana passada, contudo, a Bloomberg noticiou que esse grupo colocaria US$ 1 bi na Aegea. Uma fatia disso poderia financiar a aquisição da Copasa.

O leilão da estatal mineira é visto como o “derradeiro” dentre os mais robustos no processo de concessões de saneamento.

— É o último grande ativo e principal processo acontecendo num fim de governo, quando não se tinha mais expectativa. E Minas Gerais é a caixa d’água do Brasil. Tem muita coisa a se fazer no estado — avalia Christianne Dias, diretorapresidente da Abcon, que reúne as concessionárias de saneamento.

Renato Sucupira, sócio da BF Capital, diz que Aegea e Sabesp seriam as duas empresas com “fôlego, capacidade operacional e de financiamento” para levar a Copasa:

— É também uma disputa de liderança de mercado. A Sabesp ultrapassaria a Aegea.

A Copasa busca um acionista de referência que deve comprar 30% do capital anteriormente a uma oferta pública de ações da companhia, quando poderá arrematar mais papéis até o limite de 45% dos direitos de voto na empresa.

A estatal cobre 637 municípios com 11,9 milhões de pessoas. Se a Sabesp, controlada pela Equatorial, levasse a Copasa, saltaria a mais de mil municípios e 42 milhões em população. A Aegea atua em 893 municípios e mais de 39 milhões de pessoas.

Portanto, a Copasa vai receber propostas de interessados de hoje a segunda-feira e a escolha do acionista de referência pelo governo mineiro sai no dia 27, segundo informações da Bloomberg.

Por fim, o preço da oferta sairia em 2 de junho. A Aegea não comentou. A Copasa informou que está em período de silêncio.

Fonte: O Globo


ÚLTIMAS NOTÍCIAS: