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Represas que abastecem a grande São Paulo estão no nível mais baixo em cinco anos

O conjunto das represas que abastecem a Grande São Paulo está com o nível de água mais baixo registrado nos últimos cinco anos.

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Redução das chuvas, que se arrasta desde outubro de 2019, traz temor de uma nova falta de água, como a ocorrida em 2014 e 2015

 

São Paulo – O conjunto das represas que abastecem a Grande São Paulo está com o nível de água mais baixo registrado nos últimos cinco anos. E mesmo se comparado ao ano de 2013, que antecedeu a seca que provocou intensa falta de água nos anos de 2014 e 2015. Naqueles anos, o Sistema Cantareira, o maior da região, chegou ao limite, com uso da água do chamado volume morto. Hoje, o Cantareira está em nível de alerta, com apenas 38,9% da capacidade, volume mais baixo desde 2017. Para especialistas em recursos hídricos, a situação é preocupante e demanda ação do governo de João Doria (PSDB) e da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

Hoje, todas as represas que abastecem a Grande São Paulo estão em níveis mais baixos do que no ano passado. O sistema Rio Claro é o que apresenta a maior diferença no volume de água desse ano em relação ao mesmo período do ano passado: 101,9%, em 2020, contra 45,8% em 2021. O sistema Alto Tietê também apresenta uma diferença significativa 81,4%, em 2020, contra 56,4%, este ano. No volume total, o conjunto de represas tem hoje água equivalente a 50,1% de sua capacidade. No ano passado eram 62%.

Por ser uma região com baixa disponibilidade hídrica – o volume de água disponível –, por ficar muito perto das cabeceiras dos rios, as represas que abastecem a Grande São Paulo são muito dependentes do índice de chuvas. E desde outubro de 2019 as precipitações estão abaixo da média histórica. Já em janeiro de 2020, a Sabesp informou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) que o volume de chuvas em todas as represas ficou bem abaixo do esperado. A redução chegou a 43% na represa Billings, 39% na Guarapiranga e 33% no Sistema Cantareira.

Na sequência, São Paulo viveu o outono mais seco em 20 anos. Em março de 2020 choveu pouco mais da metade da média histórica para o mês. Já em abril choveu apenas 7,45% da média – o Sistema Cantareira recebeu só 2,2 milímetros de chuva. Em maio, choveu 31,9% da média. Os índices são os mais baixos registrados pela Sabesp desde 2000 – primeiro ano da série histórica.

Naquele momento, o professor Ricardo Moretti, do Programa de Planejamento e Gestão do Território da Universidade Federal do ABC, já considerava que a situação das represas da Grande São Paulo era muito preocupante.

“A Grande São Paulo vive em risco de falta de água o tempo todo. Temos uma das mais baixas disponibilidade do mundo. Um outono muito seco é preocupante, já que a mudança no clima está tomando ares dramáticos e traz insegurança sobre as chuvas do verão. É um quadro muito grave”, avaliou.

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Após o inverno, era esperado que a chegada da primavera, em outubro, trouxesse maior volume de chuvas. Mas não foi o que ocorreu. Apenas no reservatório de Cotia as chuvas ficaram acima da média. Em novembro, a situação praticamente se repetiu: apenas a represa de Rio Claro teve chuva acima da média. A situação melhorou um pouco em dezembro, mas janeiro já apresenta indícios que as chuvas serão poucas novamente.

O educador ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica Cesar Pegoraro disse que ainda é possível que a situação das represas na Grande São Paulo melhore nos próximos meses, mas é preciso “soar um alarme”.

“A gente está no meio da estação, ainda temos o final do verão, até março, começo de abril para ter algumas pancadas de chuva relevantes. Contudo, os dados já nos mostram um cenário que tem de soar um alarme. Tivemos um outono muito seco, uma primavera com pouca chuva. É preciso começar a fazer diálogos com todos os setores para estabelecer olhares mais racionais para o consumo de água”, afirmou.

Para além da preocupação com o volume de chuvas, que têm apresentado instabilidade nos últimos anos, Pegoraro destacou que são necessárias outras medidas para garantir a segurança hídrica da Grande São Paulo.

“Sempre estamos com a luz vermelha acesa. Não adianta olhar somente para a nossa quantidade de água. É preciso olhar para a qualidade dessa água. O saneamento não tem atingido com intensidade as regiões de mananciais. E está cada vez mais difícil e mais caro tratar a água dos mananciais. Estudos apontam tendências de piora, ano após ano, na qualidade da água das represas Billings e Guarapiranga. Hoje, o tratamento de água da represa Guarapiranga é o mais caro do Brasil”, afirmou.

Ele também chamou atenção para a perda de água no sistema de distribuição de São Paulo. Hoje, cerca de um terço da água tratada em São Paulo é perdida nos vazamentos, segundo dados do Instituto Trata Brasil. A Sabesp, no entanto, informa que o índice de perdas da companhia é de 19%. “Isso é inadmissível em uma região que sofre com essa baixa disponibilidade de água”, criticou Pegoraro.

Em nota, a Sabesp informou “que não há risco de desabastecimento neste momento, mas reforça a necessidade do uso consciente da água pela população, evitando desperdícios”.

“A Sabesp informa que o Cantareira é um dos sistemas que abastecem a Região Metropolitana de São Paulo, dentro de um Sistema Integrado composto ainda por outros seis mananciais: Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço. Esse Sistema Integrado é flexível, permitindo transferências de forma rotineira entre os sistemas produtores para abastecer diferentes regiões e, consequentemente, dando mais segurança ao abastecimento.

Isso é possível atualmente porque obras foram realizadas desde a crise hídrica de 2014, com destaque para a Interligação Jaguari-Atibainha (que traz água da bacia do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira) e a entrada em operação do Sistema São Lourenço – juntas, essas duas obras agregaram 445 bilhões de litros de água para a RMSP, correspondente a 45% do volume total do Sistema Cantareira.

O Sistema Integrado opera hoje (13/01) com 50,1% de sua capacidade total. O Sistema Cantareira está com 38,9% da capacidade, na faixa de alerta. A Sabesp informa que não há risco de desabastecimento neste momento, mas reforça a necessidade do uso consciente da água pela população, evitando desperdícios.”

FONTE: REDEBRASILATUAL

 

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