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Pesquisadores encontram microplásticos em peixes no Litoral Norte de Pernambuco

UFRPE

Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) identificaram microplásticos em peixes no Canal de Santa Cruz, que separa a Ilha de Itamaracá do município de Itapissuma, litoral norte de Pernambuco

 

microplasticos

Imagem Ilustrativa

 

Para os especialistas, a origem da partícula microscópica, menores que 5 milímetros, pode ser devido ao despejo incorreto de esgoto e lixo.

No estudo publicado pela revista “Regional Studies in Marine Science”, os pesquisadores analisaram 82 peixes com diferentes hábitos alimentares. A espécie mais contaminada pelos microplásticos foi a do peixe robalo, bastante encontrado na culinária dos municípios da zona costeira.

“Os robalos são peixes predadores que se alimentam de outros peixes e de grandes crustáceos e, por isso, estão mais propensos a serem contaminados por microplásticos. Tanto através da exposição aos habitats estuarinos contaminados como da ingestão de presas contaminadas”, explica Anne Justino, bióloga e uma das autoras da pesquisa.

O estuário do Canal de Santa Cruz, ambiente de transição entre rio e mar, é uma área com bastante atividade humana, incluindo despejo incorreto de esgoto e lixo. A maioria dos microplásticos encontrados na análise foram fibras, que podem ter origem em linhas de pesca e água da lavagem de roupas feitas com tecidos sintéticos.

Porém, a pesquisadora notou a presença de partículas com outras origens: “também identificamos alguns fragmentos de plástico e microesferas que são bastante utilizadas na indústria de cosméticos e que podem chegar aos estuários através do lançamento de esgoto sem tratamento adequado”, avalia Anne.


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Acúmulo de microplásticos

Essas partículas de microplásticos se acumulam no sedimento e na coluna d’água, afetando  principalmente as espécies de peixes com comportamento demersal, ou seja, que se alimentam da fauna associada ao substrato, podendo ter contato direto com a camada contaminada ou ingerindo presas contaminadas, como acontece com o robalo.
O perigo dessa contaminação está no impacto negativo que o organismo dos peixes sofrem. “A ingestão de microplásticos pelas espécies marinhas pode causar danos no aparelho digestório, diminuição da eficiência predatória, desnutrição, e dependendo do tamanho, podem até mesmo se acumular em alguns órgãos”, avalia a pesquisadora.
Não existem alternativas para retirar o microplástico do ecossistema marinho, sendo necessário atitudes que impedem uma contaminação maior nesses ambientes. Uma das principais medidas de contenção, como explica Anne, é o saneamento básico, ainda um desafio no país, onde quase metade da população não tem acesso à rede de esgoto, segundo o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
“Algumas tecnologias já estão sendo desenvolvidas para filtrar os microplásticos nas estações de tratamento de água, mas essa é uma realidade distante para o Brasil que ainda enfrenta dificuldades na coleta e tratamento de esgoto”, ressalta a especialista.
Fonte: Diário de Pernambuco.

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