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Com atraso de 10 meses em obra, Vale inicia testes de captação de água no rio Paraopeba

A estação é necessária para garantir abastecimento de água para a Grande BH, já que parte do rio Paraopeba foi contaminada pela lama da barragem que se rompeu em 2019. Ela deveria estar concluída em setembro de 2020 e agora ainda levará ‘semanas’ para entrega completa

 

rio-paraopeba

Imagem Ilustrativa

 

Prevista para ser entregue em setembro de 2020, a nova estação de captação de água no rio Paraopeba, afetado pela lama da barragem da Vale, que se rompeu em Brumadinho há mais de dois anos, vai começar a fase de testes operacionais apenas nesta quinta-feira (15), dez meses depois do prazo inicial.

O processo completo, até que a estação esteja operando com toda sua capacidade, ainda levará “semanas”, segundo a Vale (leia mais abaixo).

A estrutura é de responsabilidade da mineradora, de acordo com termo de compromisso assinado em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Início das obras em outubro de 2019

A nova estação começou a ser construída em outubro de 2019. Em dezembro de 2020, três meses depois do prazo estabelecido para a entrega da obra, a Vale disse à Comissão Especial de Estudo – Abastecimento Hídrico, da Câmara Municipal de Belo Horizonte, que a nova previsão de entrega seria fevereiro deste ano, cinco meses depois do acordado.

Dias depois, vereadores apresentaram um relatório, alertando para o risco da capital e da região metropolitana sofrerem uma crise no abastecimento de água por causa do atraso nas obras de captação.

Em fevereiro deste ano, a Vale disse que a estação seria entregue no mês de março. Mas afirmou que a capacidade total do empreendimento só deveria acontecer no segundo semestre de 2021.

Agora, em julho, primeiro mês do segundo semestre, os testes operacionais da nova estação serão finalmente iniciados.

“O processo será realizado em etapas, começando com o bombeamento de água no volume de 1.000 litros por segundo e seguirá, ao longo das próximas semanas, com o aumento gradual até alcançar a capacidade máxima de 5.000 litros por segundo, mesma vazão da captação atualmente suspensa. O início do bombeamento reforça o compromisso da empresa com a reparação integral dos impactos causados pelo rompimento. O novo sistema atenderá a demanda hídrica de praticamente a metade de Belo Horizonte e Região Metropolitana”, disse a mineradora.

A água captada será bombeada por tubulação até a Estação de Tratamento de Água Rio Manso da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Ainda segundo a mineradora, “os testes serão monitorados pela Vale e pela concessionária de forma a buscar a garantia de um funcionamento seguro e eficiente do sistema e, se necessário, serão realizados ajustes”.

A nova adutora tem cerca de 13 km de extensão e está sendo construída em duas etapas: a primeira, em uma extensão de aproximada de 11 km, até o ponto de interligação com a adutora existente da Copasa. A segunda fase vai permitir, de acordo com a Vale, a operação da nova captação de forma independente. O custo da nova estrutura é de cerca de R$ 580 milhões.

Segundo a mineradora, “em decorrência de fatores externos, alheios à vontade e controle da Vale, houve necessidade de adequação dos prazos. Dentre os fatores impeditivos, incluem-se restrições de segurança impostas pela pandemia da Covid-19”.

O relator da Comissão Especial de Estudo – Abastecimento Hídrico da Câmara Municipal de Belo Horizonte, o vereador Irlan Melo (PSD) disse na quarta-feira (14) que vai acionar a Justiça para que haja cobrança de multa diária em caso de descumprimento destes prazos.


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Sistema Paraopeba

O antigo sistema de captação do Rio Paraopeba foi construído pelo governo de Minas em 2015 para minimizar os impactos da crise hídrica. Mas, com o rompimento da barragem da mina do Córrego do Feijão, em janeiro do ano passado, essa captação precisou ser suspensa, já que o rio foi atingido pelos rejeitos.

A preocupação era que, sem a captação de água do rio, houvesse desabastecimento de água em Belo Horizonte e Região Metropolitana. Por isso, a Vale teve que construir o novo sistema, que fica 12 km acima da estrutura com captação suspensa, onde o rio não recebeu lama.

O Ministério Público (MP) disse que “vem acompanhando todas as intervenções realizadas pela empresa, inclusive aquelas necessárias à remediação de impactos hídricos para fins de abastecimento público. A captação no rio Paraopeba é, conforme dados da Copasa, extremamente importante para a segurança hídrica da região metropolitana”.

O órgão não comentou sobre o atraso de dez meses na entrega de uma obra pactuada em acordo com o próprio MP.

Já a Copasa disse que no momento não há risco de desabastecimento e que o termo de compromisso “possui como compromitente o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e como compromissária a empresa Vale S.A., além de outros intervenientes, dentre eles a própria Copasa”.

Nível dos reservatórios

O reservatório Rio Manso, que recebia a água bombeada do rio Paraopeba, estava com 86,7% até quarta-feira (14). Em outubro do ano passado, nove meses depois do rompimento, ele estava com 44,4% da capacidade.

Já o reservatório Vargem das Flores estava com 79,2%, nesta quarta. No ano passado, também em outubro, a capacidade estava em 49%.

O Serra Azul, que ficou em situação mais crítica durante a crise hídrica, se recuperou e estava com volume em 88,6% até esta quarta-feira. Em outubro do ano passado, o reservatório estava com 49,8%.

Acordo bilionário

O acordo bilionário firmado entre o governo de Minas Gerais e a Vale, para reparar os danos causados pela tragédia em Brumadinho, também prevê investimentos para garantir segurança hídrica.

Dos mais de R$ 37 bilhões, R$ 2,05 bilhões deverão ser destinados a obras nas Bacias do Paraopeba e do Rio das Velhas, “que garantirão a segurança hídrica da Região Metropolitana de Belo Horizonte, inclusive de municípios atingidos”.

“As intervenções têm o objetivo de melhorar a capacidade de integração entre os sistemas Paraopeba e das Velhas, evitando o desabastecimento”, diz o documento do governo.

Fonte: G1.


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