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Joinville terá a maior estação de tratamento de esgoto de SC

Com orçamento de R$ 64 milhões, ETE Jarivatuba vai tratar 90% do esgoto gerado em Joinville com um sistema tecnológico. Complexo começa a operar em outubro 

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ETE Jarivatuba vai tratar 90% dos resíduos coletados em Joinville – (Foto: Bruno Gentil, Divulgação)

Nos próximos meses, a Companhia Águas de Joinville vai inaugurar a maior Estação de Tratamento de Esgoto de Santa Catarina. Com capacidade de tratar 600 litros por segundo – três vezes mais do que é tratado hoje – a unidade está sendo construída no bairro Jarivatuba e deve começar a operar com capacidade parcial em outubro deste ano. O complexo é responsável pelo tratamento de 90% do esgoto sanitário gerado em Joinville, que hoje tem 34% das residências ligadas à rede.

Com orçamento de quase R$ 64 milhões – valor captado de crédito a fundo perdido do Orçamento Geral da União –, a previsão é que a ETE beneficie bairros das regiões Norte, Leste, Central e Sul da cidade. Ela também é considerada uma das mais modernas da América Latina, porque substitui o atual modelo biológico – com o uso de lagoas de estabilização – para um sistema tecnológico de gestão e tratamento dos resíduos.

Os principais benefícios da nova estação deverão ser sentidos pela população dos bairros próximos, com a diminuição do mau cheiro, e ainda pelo meio ambiente, porque será possível ter mais controle durante todo o procedimento. A ETE utilizada atualmente está ativa há três décadas e com a capacidade operacional já no limite. Por ser um procedimento que depende diretamente do “trabalho” de microorganismos gerados pela decomposição, o controle do efluente é menor, se comparado à nova estação. A antiga unidade será desativada assim que a nova começar a operar.

Bactérias ativadas por oxigenação

A nova ETE realizará o tratamento do esgoto por meio de um processo chamado Lodos Ativados por Batelada. O sistema usa a aeração (renovação do ar) para tratar os resíduos. A injeção de oxigênio é intervalada para ativar as bactérias aeróbias – que não geram cheiro –, responsáveis pela decomposição do material. Assim, é possível controlar maior ou menor entrada ar, conforme a necessidade.

— Neste sistema, nós temos total controle do tratamento em todas as etapas. O sistema também faz com que mau cheiro seja mínimo para os moradores do entorno – diz Luana Siewert Pretto, presidente da Águas.

O projeto na nova ETE prevê a capacidade de tratar até 900 litros por segundo. Conforme a presidente, a quantidade será contemplada na próxima fase de execução. Outras estações devem ser construídas na cidade, nos bairros Jardim Paraíso e Vila Nova. As licenças ambientais já estão garantidas e a intenção é começar as obras ainda em 2019. A ETE do Espinheiros também passará por ampliação nos próximos meses.

Tem muita tecnologia embarcada neste projeto. Apesar do custo alto, o sistema remove todos os poluentes durante o tratamento, dando mais certeza de que este efluente retorna à natureza com qualidade — Luana Siewert Pretto, presidente da Águas de Joinville

Qualidade e controle

O esgoto necessita de, pelo menos, quatro horas de maturação para fazer com que as bactérias degradem o material e, depois de tratado, retornar à natureza. Na nova ETE do Jarivatuba, são quatro tanques de tratamento implantados no terreno. Pás gigantes controlam o nível dentro dos reservatórios do esgoto clarificado (efluente já tratado), para então passar para a próxima etapa do tratamento.

O líquido é encaminhado para outro sistema reator que usa raios ultravioletas para fazer a desinfecção final do resíduo antes que ele retorne ao meio ambiente.

Conforme a presidente da Companhia Águas de Joinville, o novo sistema de tratamento contempla todas as etapas do PDCA, que é uma ferramenta de gestão para melhoria contínua de processos por meio de quatro ações: planejamento, execução, verificação e ação.

Acesso ao tratamento

Dados de 2017 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento demonstram que 70,1% da população de Joinville não tem acesso ao tratamento de esgoto, sendo que 24.776,40 m³ do esgoto coletado na cidade não passa por tratamento. Já no ranking das 100 cidades mais populosas do país, a cidade ocupa a 75º posição. O estudo leva em conta a cobertura dos serviços de água e esgoto, a ampliação das redes, a proporção dos investimentos em relação à receita, as perdas de água, entre outros indicadores.

De acordo com a presidente da Águas de Joinville, tanto o acesso da população quanto a posição da cidade no ranking devem melhorar com o início da operação da nova ETE do Jarivatuba.

O correto tratamento de esgoto e incentivo em saneamento básico, além de ajudar o meio ambiente, diminui a incidência de doenças à população. O sistema de tratamento de esgoto impacta em setores, como o da saúde: para cada R$ 1 investido em saneamento, se economiza R$ 4 com despesas de saúde.

Fonte: NSC Total.