NOTÍCIAS

Com guerra, produto químico nacional recupera mercado (1)

Com guerra, produto químico nacional recupera mercado

Oferta restrita de importados redirecionou a demanda para o produto nacional e a indústria, que há anos vinha alertando para o elevado nível de ociosidade, foi capaz de responder prontamente

Embora os números ainda estejam distantes dos níveis considerados saudáveis e não haja sinais de reversão de tendência de longo prazo, a indústria química instalada no país iniciou 2026 em rota de recuperação, em indicadores que vão de participação de mercado a ocupação de capacidade instalada – numa surpreendente retomada em meio ao pior e mais prolongado ciclo de baixa do setor.

Por causa da guerra entre Irã, Estados Unidos e Israel e de seus efeitos no comércio global de petróleo e seus derivados, as importações brasileiras de químicos e petroquímicos foram drasticamente reduzidas. A oferta restrita de importados redirecionou a demanda para o produto nacional e a indústria, que há anos vinha alertando para o elevado nível de ociosidade, foi capaz de responder prontamente.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a produção do setor saltou 22,8% no primeiro trimestre, frente ao período de outubro a dezembro. Mas ainda não alcançou o ritmo visto no mesmo intervalo de 2025, ficando 4,1% abaixo do total produzido.

As vendas internas também se beneficiaram da menor concorrência com as importações, que recuaram 19,1%, e subiram 22,7% em relação aos três últimos meses do ano passado. A taxa é bem mais forte do que o 0,9% de crescimento do PIB, ressalta a Abiquim.

Como resultado, a fatia da produção nacional na demanda interna saltou de 42% em dezembro, rondando o piso histórico, para 56% em março. “O primeiro trimestre trouxe um fôlego importante para a indústria química, mas ainda estamos longe de um cenário estruturalmente equilibrado e competitivo”, diz em nota o presidente-executivo da entidade, André Passos Cordeiro.

Os destaques em produção ficaram com os intermediários para plásticos, com alta de 26% em março ante fevereiro, e intermediários para fertilizantes, com alta de 10,6% na mesma comparação.

Em resinas termoplásticas, a reação à queda das importações ficou mais evidente apenas no fim de março, porque havia estoques ao longo da cadeia de valor. A expansão nas vendas internas naquele mês foi de 4%. Mas, segundo executivos ouvidos pelo Valor, os números a partir de abril são “mais expressivos”.

No geral da indústria, a maior procura por produtos nacionais contribuiu para a elevação do uso da capacidade instalada de 49% em dezembro para 63% em março.

Para o presidente-executivo da Abiquim, as medidas adotadas pelo governo para coibir a entrada de produtos químicos e petroquímicos a preços comprovadamente inferiores ao custo de produção também ajudaram o setor.

Seja qual for o peso da guerra e das medidas de defesa comercial na retomada do indústria, os números do primeiro trimestre são positivos, mas não refletem a realidade do setor, globalmente, sem eventos extraordinários como a guerra – em condições normais, há forte desequilíbrio entre oferta e demanda, que se arrasta há pelo menos três anos, seguiria comprimindo margens até 2027 ou 2028, segundo projeção de consultorias internacionais. Os dados da indústria considerando-se um período mais abrangente ratificam essa leitura: segundo a Abiquim, em 12 meses até março, a produção nacional cai 7% e as vendas internas, 8,2%.

Fonte: Valor


 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Papel e Celulose

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS