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VII Fórum Novo Saneamento

Financiabilidade e segurança regulatória pautam debates no VII Fórum Novo Saneamento

Financiabilidade e viabilidade dos projetos no atual cenário macroeconômico: desafios e perspectivas para novos investimentos

Os desafios para viabilizar novos investimentos em saneamento diante do atual cenário macroeconômico foram tema de debate no Fórum Novo Saneamento, durante o painel “Financiabilidade e Viabilidade dos Projetos no Atual Cenário Macroeconômico: desafios e perspectivas para novos investimentos”.

O encontro reuniu especialistas do mercado financeiro e do setor de infraestrutura para discutir acesso a capital, custo de financiamento, segurança regulatória e sustentabilidade tarifária.

Participaram do painel Karla Bertocco, membro do conselho de administração da Sabesp, conselheira da Orizon e da Vinci; e José Victor Barros, responsável pela área de Project Finance do Itaú BBA.

Foto acervo Portal TA – Karla Bertocco, Virginia Mesquita e José Victor Barros

Durante o debate, os especialistas destacaram que, apesar do ambiente de juros elevados e da volatilidade econômica internacional, o Brasil continua sendo percebido como um mercado atrativo para investimentos em infraestrutura resiliente, especialmente em setores ligados à segurança hídrica, saneamento e adaptação climática.

Karla Bertocco afirmou que o mercado de capitais vem assumindo papel cada vez mais relevante no financiamento da expansão do saneamento no país, especialmente após o novo marco regulatório.

Segundo ela, a experiência recente da Sabesp demonstra que há apetite de investidores para financiar projetos estruturados e com segurança regulatória. A executiva destacou que a companhia ampliou significativamente sua capacidade de investimento após acessar novas fontes de financiamento via debêntures e mercado de capitais.

“A Sabesp multiplicou por três ou quatro vezes o volume de investimentos para antecipar a universalização para 2029. Isso só foi possível porque houve forte acesso ao mercado de capitais”, destacou.

Karla também ressaltou que novos modelos de financiamento devem ganhar espaço nos próximos anos, especialmente em projetos ligados ao reúso de água, resíduos sólidos, biometano, créditos de carbono e dessalinização.

Segundo ela, as mudanças climáticas vêm acelerando a necessidade de diversificação das fontes hídricas no país.

“A água de reúso será fundamental para ampliar a segurança hídrica das cidades brasileiras”, afirmou.

Representando o Itaú BBA, José Victor Barros destacou que o setor de saneamento passou por forte amadurecimento nos últimos anos e que os bancos passaram a desenvolver estruturas mais sofisticadas de Project Finance para viabilizar os investimentos exigidos pelo marco regulatório.

Segundo ele, a financiabilidade dos projetos depende cada vez mais de análises detalhadas sobre governança, capacidade de execução, estrutura contratual, inadimplência, equilíbrio tarifário e previsibilidade de fluxo financeiro.

“O trabalho hoje envolve conhecer profundamente o projeto, sua estrutura de riscos e a capacidade operacional da companhia para cumprir as metas previstas”, afirmou.

O executivo destacou ainda que a qualidade regulatória e a segurança jurídica dos contratos continuam sendo fatores determinantes para atrair capital privado ao setor.

Ao longo do painel, os debatedores também alertaram para os impactos do atual cenário de juros elevados sobre os contratos de concessão e sobre a sustentabilidade tarifária dos serviços.

Segundo Karla Bertocco, o custo de capital tem relação direta com o valor da tarifa paga pela população e pode se tornar um desafio social relevante caso não existam mecanismos adequados de mitigação para consumidores de baixa renda.

“A tarifa não consegue absorver todos os riscos sozinha”, afirmou a executiva ao defender maior atenção à população vulnerável e à expansão das tarifas sociais.

Outro ponto debatido foi a importância da diversificação das fontes de financiamento, incluindo linhas incentivadas, debêntures, blended finance e recursos do programa Eco Invest.

Os especialistas avaliaram que iniciativas de financiamento climático e instrumentos híbridos de crédito tendem a ganhar relevância para projetos de saneamento, reúso e infraestrutura ambiental nos próximos anos.

Ao final do debate, os participantes defenderam maior integração entre setor público, mercado financeiro e operadores para garantir a execução dos investimentos necessários à universalização do saneamento no Brasil, especialmente diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, pela pressão tarifária e pela necessidade de acelerar obras de infraestrutura.

Texto produzido por: Denise Akemi F. Takahashi Trugillo para o Portal Tratamento de Águ


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