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Falta de tratamento de esgoto em Santa Isabel/SP preocupa devido à poluição na represa do Jaguari

 

esgoto

Imagem Ilustrativa

 

Santa Isabel está sem tratamento de esgoto atualmente. A Sabesp está fazendo uma obra para tratar 96% dos dejetos até setembro de 2022, mas até lá a preocupação é com o período de estiagem. O tempo seco aumenta a quantidade de esgoto que vai para a represa do Rio Jaguari.

A cidade tem quase 58 mil habitantes, segundo o IBGE, e não aparece no levantamento do “Trata Brasil” porque o estudo analisa municípios com mais de 100 mil moradores, mas isso não esconde um problema que está na porta do poder público.

De acordo com estudos, por dia, uma pessoa gera cerca de 150 litros de esgoto. Em Santa Isabel, o que é produzido dentro de casa vai parar nos córregos, que são usados como calhas.

Em 2017, a Sabesp, empresa que cuida do saneamento básico, começou a construir uma estação de tratamento, que hoje está na terceira etapa. A promessa de entrega termina em setembro do ano que vem e, mesmo assim, a estação vai conseguir tratar 90% dos resíduos.

Índice de tratamento de Santa Isabel

O rio Ribeirão Araraquara vai para a represa da cidade. Ele é só uma das fontes que ajudam a abastecer o reservatório. O problema é que, atualmente, Santa Isabel está tratando apenas 5% do esgoto produzido. Os ambientalistas fazem um alerta: se essa quantidade de esgoto tratado não aumentar, o futuro da represa está em risco.

É que, a cada dia que passa, o nível do reservatório está mais baixo. Se a quantidade de esgoto for maior que de água, a paisagem de hoje pode mudar.

“Você vai ter esse reservatório com uma grande quantidade de poluição, dada pelo incremento do esgoto, e ele não vai, obviamente, conseguir disponibilizar a água na quantidade necessária para a população, na velocidade que é preciso. Essa água vai ter que passar por um tratamento, que é sempre demorado e custoso”, disse o geólogo Ricardo Sartorello.

“Nós temos vários exemplos, aqui na região, da coleta de água sendo feita em áreas que são muito poluídas, como o próprio rio Tietê, e existe a necessidade de um tratamento cada vez mais custoso e demorado. Então você tem aí um atraso na entrega da água de qualidade para a população”, completou.


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Jair Simão Ferreira faz parte da Associação de Pescadores Amadores de Santa Isabel. Para ajudar o meio ambiente, usou a própria natureza.

“A gente levantou que as aguapés têm um poder de sucção até do metal pesado que cai dentro da água. Naquela época tinha um pouco de aguapé dentro do reservatório, mas era muito insignificante. A gente removeu esses aguapés para uma localidade onde tinha maior volume de esgoto caindo dentro desse reservatório e fizemos um cerco nesse aguapé com uma corda, de uma ponta a outra da represa”.

“Hoje, deve ter quase dois quilômetros de aguapés dentro do reservatório. Se você coletar a água antes do aguapé, ela está totalmente poluída. Se você coletar a água depois do aguapé, com esse trabalho que a gente fez, ela não tem tanta poluição igual tem lá em cima”.

Filtro natural

Mas esse filtro natural não consegue resolver todo o problema, que não vai prejudicar apenas as famílias que trabalham com a pesca. A represa do Jaguari está interligada com a de Atibaia, que faz parte do sistema Cantareira.

“Quanto mais o reservatório abaixar, mais poluição vai trazer, então acho que a Sabesp tem que correr o mais rápido possível com a obra de tratamento de esgoto, principalmente do que cai no Ribeirão Araraquara, para evitar que esse esgoto chegue ao reservatório do Jaguari. Quanto maior o volume de esgoto chegar dentro do reservatório, com o reservatório baixo, mais chance de poluir vai ter. A gente sabe que ela está fazendo. Estamos acompanhando. Mas acho que ela podia ser um pouquinho mais ágil para tentar fazer o mais rápido possível”, disse Jair.

Em nota, a Sabesp informou que, desde que assumiu os trabalhos em Santa Isabel, em janeiro de 2016, está atuando de acordo com o que está previsto em contrato. Ressaltou ainda que o cronograma das obras já foi otimizado e que os serviços são complexos. Também afirmou que os investimentos ultrapassam R$ 15 milhões e vão permitir que o tratamento de esgoto atinja 90% da cidade.

Fonte: G1.


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