As previsões para o El Niño ganharam um novo peso em agosto.
O INMET informou que há probabilidade igual ou superior a 90% de ocorrência de um El Niño muito forte nos próximos trimestres. O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até março de 2027.
O episódio, confirmado em junho, já mobiliza órgãos federais para acompanhar seus possíveis efeitos sobre rios, reservatórios e atividades econômicas. Para as empresas, a questão é menos sobre prever onde faltará água. É mais sobre saber o quanto cada operação depende de uma única fonte de abastecimento.
Para Lorena Zapata, Diretora de Novos Negócios e Sustentabilidade da Engeper Ambiental e Perfurações, o erro é avaliar a segurança hídrica de uma operação apenas pelo volume consumido. Ou pelo valor pago mensalmente pela água.
“Uma empresa precisa saber de onde vem a água que utiliza, qual é a disponibilidade daquela fonte, como sua qualidade pode variar, quais restrições podem atingir a captação e quanto tempo a operação conseguiria funcionar caso essa fonte fosse comprometida. Sem essas respostas, o risco hídrico permanece escondido dentro do risco operacional e só aparece quando já começa a afetar a produção”, afirma.
Os efeitos esperados do El Niño mostram por que essa análise não pode ser feita com base em médias nacionais.
O Painel do El Niño 2026-2027, elaborado por órgãos como ANA, INMET, INPE e Cemaden, prevê alterações diferentes no regime de chuvas conforme a região do país.
Para empresas instaladas em áreas onde a água tem participação relevante nos processos produtivos. Uma mudança na disponibilidade ou na qualidade da fonte pode afetar a produção, elevar custos e exigir soluções emergenciais.
A pauta propõe discutir por que a dependência hídrica ainda costuma receber menos atenção no planejamento empresarial do que outros riscos capazes de interromper uma operação.
Nesse contexto, o período de monitoramento do fenômeno oferece às empresas tempo para identificar pontos de vulnerabilidade antes de uma eventual restrição.
A discussão envolve o acompanhamento de poços e reservatórios, a existência de fontes alternativas, a capacidade de armazenamento e as possibilidades de tratamento e reúso. Para Lorena Zapata, da Engeper Ambiental e Perfurações, esperar o abastecimento ser comprometido para procurar alternativas reduz a capacidade de escolha da empresa.
“Esperar uma restrição no abastecimento para procurar alternativas significa tomar decisões sob pressão e com menos opções disponíveis. Se energia, câmbio e logística já são tratados como riscos financeiros porque podem interromper uma operação, a água precisa entrar na mesma lógica de planejamento, porque sua indisponibilidade também tem potencial para paralisar um negócio”, conclui.
Fonte: ESG Inside



