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Tecnologia revolucionária transforma ar em água potável para combater escassez hídrica

Tecnologia revolucionária transforma ar em água potável para combater escassez hídrica

O equipamento, apresentado em Barcelona, na Espanha, usa materiais altamente eficientes para a captação do vapor d’água atmosférico, que funcionam mesmo em ambientes onde a umidade relativa do ar é inferior a 10%

Uma startup britânica, a Ahbstra, especializada em dispositivos e soluções para o clima, desenvolve uma tecnologia inovadora: um gerador atmosférico de água potável que promete produzir até 508 litros diários, com funcionamento baseado em estruturas metal-orgânicas (MOFs).

O equipamento, apresentado em Barcelona, na Espanha, usa materiais altamente eficientes para a captação do vapor d’água atmosférico, que funcionam mesmo em ambientes onde a umidade relativa do ar é inferior a 10%.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), a atmosfera da Terra contém cerca de 13 mil quilômetros cúbicos de água na forma de vapor, um reservatório renovado pelo chamado ciclo hidrológico, o movimento contínuo da água entre a superfície terrestre e a atmosfera por meio da evaporação dos oceanos, rios, lagos e da vegetação.

A empresa desenvolveu o sistema batizado de Ark, que usa estruturas metal-orgânicas (materiais cristalinos compostos por íons metálicos que se ligam a moléculas orgânicas para formar uma rede tridimensional e porosa) como “esponjas moleculares” capazes de absorver vapor d’água, dióxido de carbono, hidrogênio ou metano.

A estrutura molecular das MOFs recebeu o prêmio Nobel da Química de 2025, concebida a partir de décadas de trabalhos de cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, da Universidade de Melbourne, na Austrália, e da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Richard Robson, da Universidade de Melbourne, foi quem propôs a arquitetura molecular inicial. Ele combinou íons metálicos a com moléculas orgânicas para formar cristais porosos.

Já Susumu Kitagawa, da Universidade de Kyoto, foi responsável por demonstrar que gases poderiam circular de maneira livre por entre as estruturas porosas das moléculas; por último, Omar M. Yaghi, da Universidade da Califórnia, criou MOFs altamente estáveis e introduziu o conceito de design racional para personalizá-las.

Em geral, as MOFs são aplicadas para a retenção de dióxido de carbono (CO₂) diretamente do ar para combate às mudanças climáticas e à extração do vapor d’água, como mostra a nova tecnologia.

No entanto, ao contrário das tecnologias tradicionais de captação de água, que usam sistemas de condensação semelhantes aos de aparelhos de ar-condicionado, nos quais o ar é resfriado para que o vapor se transforme em líquido (e, portanto, consomem muito mais eletricidade), o Ark utiliza uma estrutura com enorme área superficial interna, do tamanho de um contêiner compacto, em que ventiladores fazem o ar externo circular por tambores que capturam seletivamente as moléculas de água presentes na atmosfera.

Depois, os materiais são aquecidos para liberar o vapor armazenado, que é condensado e passa por sucessivas etapas de purificação. O resultado final é água potável.

Segundo a empresa, quatro tambores permanecem captando água enquanto os outros quatro liberam a umidade previamente armazenada, o que permite que o dispositivo funcione de forma contínua.

A cada cinco anos, os cartuchos contendo MOFs devem ser substituídos, mas não são desperdiçados: passam por reprocessamento para serem reutilizados no futuro.

De acordo com testes realizados pela empresa no Arizona, nos Estados Unidos, o sistema conseguiu produzir 384% mais água utilizando 0,7 kWh, quando comparado a um sistema convencional de condensação que consumia 1 kWh nas mesmas condições.

Na configuração comercial, o Ark pode gerar até 508 litros por dia, consumindo só cerca de 10 kWh de energia. A Ahbstra afirma que a combinação entre energia solar e rede elétrica é o cenário ideal para operação e trabalha para reduzir esse consumo em aproximadamente 20% nas próximas versões do equipamento.

Embora o preço atual — cerca de 150 mil libras esterlinas (aproximadamente R$ 1 milhão) — limite o público a empreendimentos de alto padrão, a Ahbstra afirma que espera reduzir significativamente os custos à medida que aumenta a produção.

Entre os primeiros compradores estão proprietários de imóveis na ilha espanhola de Ibiza, restaurantes e investidores interessados em soluções para autonomia hídrica.

Fonte: Forum


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