Análise Socioeconômica de Custo-Benefício, realizada pela WWF, mostra que substituição evita perdas de 29,2 bilhões de reais
O investimento em biocombustíveis e fontes renováveis é mais vantajoso para o Brasil do que a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, segundo um estudo inédito divulgado pelo WWF-Brasil.
A conclusão reposiciona o debate sobre a abertura de uma nova fronteira petrolífera no país na região amazônica— decisão em análise pelo governo —, ao indicar que alternativas de baixo carbono geram maior retorno econômico e social, com menos riscos fiscais e ambientais.
O levantamento parte justamente desse contexto: a possibilidade de exploração de petróleo na chamada Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte e inclui a Foz do Amazonas. Frequentemente defendida como estratégia para financiar a transição energética, essa aposta foi testada no estudo sob uma ótica mais ampla, que vai além da rentabilidade privada das empresas.
Para isso, os pesquisadores aplicaram a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), metodologia oficial do governo federal recomendada pelo Tribunal de Contas da União. Diferentemente das análises financeiras tradicionais, a ACB incorpora fatores que o mercado não precifica diretamente, como impactos climáticos, efeitos sobre a saúde pública e consequências econômicas de longo prazo. Ao todo, foram realizadas 10 mil simulações para comparar cenários equivalentes de investimento, produção de energia e volume de combustíveis.
Os resultados mostram que substituir o petróleo por biocombustíveis — como etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação e biometano — pode evitar perdas de até R$ 29,2 bilhões, além de impulsionar cadeias produtivas já estabelecidas no país e gerar empregos de forma descentralizada. Quando analisado o mesmo volume de investimento, a diferença é ainda mais expressiva:
enquanto a exploração de petróleo implicaria perdas médias de R$ 22,2 bilhões para a sociedade, as energias renováveis trariam benefício líquido de R$ 24,8 bilhões — um custo de oportunidade de R$ 47.
Fonte: Veja

