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Técnicas isotópicas usadas para mapear águas subterrâneas na África

Um projeto da AIEA ajudou 13 países na região do Sahel na África a usar técnicas isotópicas para avaliar a qualidade e origem das águas subterrâneas

 

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Um projeto da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) mostrou que reservas significativas de água de boa qualidade estão disponíveis na região propensa à seca do Sahel na África. A poluição ainda é limitada e não se tornou uma séria ameaça para esses recursos vitais. As descobertas, compiladas em cinco relatórios publicados em 29 de maio, são o resultado de um esforço de quatro anos empreendido pela AIEA para ajudar 13 países a usar técnicas isotópicas para avaliar a origem e a qualidade das águas subterrâneas em cinco aquíferos e bacias compartilhados, fornecendo a primeira visão geral mais ampla do suprimento de águas subterrâneas da região.

Cientistas dos países participantes – Argélia, Benin, Burkina Faso, Camarões, República Centro-Africana, Chade, Gana, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal e Togo – foram treinados pela AIEA para conduzir um exame detalhado das águas subterrâneas usando técnicas nucleares.

O projeto focou os aquíferos e bacias que fornecem a principal fonte de águas subterrâneas para a população local: o Sistema Aquífero Iullemeden, o Sistema Liptako-Gourma-Alto Volta e as bacias Senegalesa-Mauritana, Taoudeni e do Lago Chade.

“Este projeto é uma realização significativa dada a vasta área estudada”, disse Neil Jarvis, líder do projeto na AIEA.

“Práticas inadequadas de gestão da água podem aumentar a escassez de água. Se os países têm que gerir demandas crescentes por água doce, eles precisam ter as ferramentas para entender e mapear os recursos hídricos à sua disposição”.

 

 

Equipamentos e treinamento

A AIEA promoveu a colaboração entre especialistas nacionais e forneceu equipamentos e treinamento para a equipe técnica coletar amostras de água e pesquisar a sua origem e composição, usando análises hidroquímicas e técnicas de mapeamento.

A parceria incluiu outras organizações: a UNESCO, a Autoridade de Bacia do Níger, a Comissão de Bacia do Lago Chade, a Autoridade de Bacia Volta, a Autoridade de Desenvolvimento Integrado de Liptako-Gourma, a Organização para o Desenvolvimento do Rio Senegal e o Instituto Federal Alemão para Geociências e Recursos Naturais.

Seca extrema

Se espalhando por uma área de 7 milhões de quilômetros quadrados, o Sahel é lar para 135 milhões de pessoas do oeste, centro e norte da África. A região tem sofrido de seca extrema nas décadas recentes, afetando a agricultura e causando fome generalizada. Sem muitos rios de onde retirar a água, os sistemas subterrâneos são a principal fonte de água doce da região.

Os dados obtidos forneceram até agora informações valiosas para os países participantes, incluindo a origem e os padrões de fluxo entre diferentes aquíferos e níveis de contaminação nas bacias.

Os estudos com isótopos confirmaram a existência de grande quantidade de águas subterrâneas de boa qualidade, adequada para o consumo humano, em várias partes da área do projeto. Em algumas áreas, tais como a bacia do Lago Chade, as fontes de recarga para vários aquíferos foram estabelecidas pela primeira vez.

As áreas onde as águas subterrâneas se tornaram contaminadas, normalmente devido a atividade humana, parecem estar isoladas neste momento.

“Essas são boas notícias, porém, é importante que os governos tomem medidas rápidas para proteger esses recursos vulneráveis contra a poluição, pois a situação pode mudar rapidamente”, disse Luis Araguás Araguás, um hidrologista de isótopos da AIEA.

Impressões digitais

O projeto também ajudou a gerar um melhor entendimento da relação entre a superfície e as águas subterrâneas rasas em muitas áreas, assim como a idade das águas subterrâneas.

“Essa informação pode oferecer valiosas pistas como quanto tempo demoraria para a água ser – se for o caso – reabastecida”, disse Araguás Araguás. Em várias áreas, como a região de Liptako-Gourma, as análises mostram que as águas subterrâneas existem em pequenas bolsas independentes, o que pode ter implicações para o gerenciamento desse recurso finito.

As moléculas de água possuem “impressões digitais” únicas baseadas nas suas diferentes proporções de isótopos – variações de um elemento químico com um número diferente de nêutrons. Os cientistas estudam as mudanças na proporção dos isótopos nas amostras de água para determinar sua origem, idade e qualidade. Estas incluem as condições de chuvas passadas e presentes, taxa de recarga dos aquíferos, interações entre os corpos de água e, também, o trajeto e destino dos contaminantes.

A AIEA, através do seu Fundo de Cooperação Técnica, e com contribuições da República da Coréia, Suécia, Japão, Nova Zelândia e EUA através das Iniciativas para Usos Pacíficos, bem como contribuições em espécie da Austrália, asseguraram a efetiva implementação do projeto.

Imagem: Wikipedia

Fonte: AIEA, adaptado por Portal Tratamento de Água – www.tratamentodeagua.com.br

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