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Sabesp expande contratos de água de reuso e avança como parceira hídrica da nova economia

Sabesp expande contratos de água de reuso e avança como parceira hídrica da nova economia

A Sabesp insere o fornecimento de água de reuso dentro de uma agenda mais ampla de economia circular e segurança hídrica.

Em 2025, a companhia operou 30 contratos de fornecimento, totalizando 1,035 bilhão de litros no ano, dos quais mais de 860 milhões de litros foram entregues por ligação direta de rede.

O potencial de produção estimado pela companhia é de 84,5 milhões de litros por dia, vinculado a ETEs como Barueri, São Miguel, Parque Novo Mundo e ABC, além de frentes complementares como biogás, cogeração e processamento de lodo. Em 2026, a Companhia também já fechou importantes contratos com empresas da área de tecnologia.

“O reuso de água é um dos pilares da visão estratégica da Sabesp para os próximos anos. Temos a maior infraestrutura de tratamento de esgoto da América Latina e um potencial de produção de reuso que poucos no mundo conseguem oferecer. A nossa missão é transformar esse potencial em soluções concretas para setores que estão redesenhando a economia, da infraestrutura digital à cadeia de minerais críticos. Cada metro cúbico de água de reuso que entregamos é um metro cúbico de água potável preservado para o abastecimento da população”, afirma Denis Maia, diretor de Clientes e Tecnologia da Sabesp.

Um dos últimos contratos foi com um grande datacenter. O acordo prevê a entrega de 11 milhões de litros por mês para as operações em Barueri, na Grande São Paulo, volume equivalente ao consumo mensal de cerca de 3 mil pessoas ou a quase 5 piscinas olímpicas. Inicialmente, o abastecimento será realizado por caminhão-pipa, com planos para a implantação de uma rede direta a partir da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Barueri, a maior da América Latina.

A parceria marca a entrada da Sabesp no fornecimento de água de reuso para o setor de data centers e sinaliza o papel que a companhia pode desempenhar na infraestrutura da economia digital. Em vez de utilizar água potável para processos industriais de resfriamento, a operação passará a contar com água produzida a partir do tratamento de esgoto, que pode ser utilizada para diversos fins não potáveis, preservando mananciais e fortalecendo a segurança hídrica da região metropolitana.

A sede da inteligência artificial

A expansão global dos data centers, acelerada pela demanda de inteligência artificial, trouxe ao centro do debate público a questão do consumo de água por essas instalações. Servidores que sustentam a computação em nuvem e o processamento de IA operam 24 horas por dia e geram calor intenso. Para manter a temperatura adequada, a maioria dos data centers depende de sistemas de resfriamento que consomem água — seja por evaporação direta, seja em circuitos de troca térmica.

Os números são expressivos. Segundo o Lawrence Berkeley National Laboratory, os data centers dos Estados Unidos — que concentram cerca de 40% da capacidade mundial — consumiram aproximadamente 66 bilhões de litros de água em 2023 apenas em resfriamento direto. A projeção é que esse volume dobre ou quadruplique até 2028. Um estudo publicado na revista científica Patterns, em dezembro de 2025, estimou que data centers voltados a IA consumiram entre 312 e 765 bilhões de litros ao longo daquele ano — volume comparável ao do mercado global de água envasada.

A geração de eletricidade necessária para alimentar os servidores também demanda água em larga escala, especialmente em matrizes dependentes de termelétricas. Segundo o IEEE Spectrum, esse uso indireto pode representar 80% ou mais do consumo hídrico total associado a um data center.

Diante desse cenário, a adoção de água de reuso nos sistemas de resfriamento tem se consolidado como uma das práticas mais eficazes para reduzir a pegada hídrica do setor. A lógica é objetiva: utilizar água tratada proveniente de estações de esgoto, em vez de água potável, para processos industriais que dispensam qualidade de consumo humano. Dezenas de data centers ao redor do mundo já adotam essa solução, e o reuso integra os compromissos de sustentabilidade das principais empresas de tecnologia.

Jervois: reuso também para a cadeia de minerais críticos

O avanço da Sabesp no fornecimento de reuso para a nova economia vai além da infraestrutura digital. A companhia também fechou contrato com a Jervois Brasil, fornecedora global de materiais de cobalto e níquel, para a entrega de 40 milhões de litros de água de reuso por mês — o equivalente a 16 piscinas olímpicas — por meio de ligação direta a partir da ETE São Miguel, na zona leste de São Paulo.

A Jervois Brasil é proprietária da refinaria de São Miguel Paulista, única unidade eletrolítica de níquel e cobalto Classe 1 da América Latina. A planta está em processo de retomada, com investimento de US$ 130 milhões e previsão de ramp-up ao longo de 2027. Quando em plena operação, terá capacidade para produzir 12 mil toneladas de níquel e 2 mil toneladas de cobalto metálico por ano — minerais críticos com aplicações em baterias de veículos elétricos, componentes de defesa e produtos químicos de alta performance.

O contrato com a Jervois Brasil evidencia a amplitude do portfólio de reuso da Sabesp. Em dois setores distintos — infraestrutura digital e minerais críticos —, a água de reuso se apresenta como solução comum: substituir água potável em processos industriais de grande escala e demanda contínua.

“A água de reuso está se consolidando como insumo estratégico dos setores que lideram a nova economia. Data centers, inteligência artificial, minerais críticos, transição energética — todos demandam água em escala industrial e de forma ininterrupta. A Sabesp tem a infraestrutura, a tecnologia e a proximidade geográfica para atender essa demanda preservando os mananciais e a água potável para o abastecimento humano. Esses contratos mostram, na prática, que sustentabilidade e competitividade caminham juntas”, afirma Pedro Amaral, head da área de Grandes Clientes da Sabesp.

Fonte: esg inside


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