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PUC-Rio testa usina híbrida como opção de segurança energética

PUC-Rio testa usina híbrida como opção de segurança energética

Iniciativa integra geração de fonte solar, gás natural, diesel, baterias e hidrogênio verde e pode reduzir custos, diz responsável pelo projeto

A PUC-Rio inaugura, nesta terça-feira (28), uma usina híbrida piloto no campus de Xerém, na Baixada Fluminense, com a proposta de funcionar como um laboratório de testes para o futuro da geração de energia no país.

Com investimento de cerca de R$ 25 milhões, a iniciativa combina diferentes fontes: solar, gás natural, diesel, baterias e hidrogênio verde em um sistema integrado. O projeto foi viabilizado com recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e apoio da Petrogal Brasil (joint venture da Galp com a Sinopec).

Instalada em terreno cedido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e com participação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), a usina não tem como objetivo fornecer energia diretamente ao sistema elétrico, mas sim gerar conhecimento aplicado. A ideia é permitir que empresas e pesquisadores simulem cenários operacionais e identifiquem as combinações mais eficientes entre fontes energéticas do ponto de vista de custo e de segurança de abastecimento.

“O foco é testar, otimizar e reduzir custos para a indústria como um todo”, afirma Eloi Fernández, professor e pesquisador do Instituto de Energia da PUC-Rio (Iepuc) que coordena o projeto. Segundo ele, a usina funciona como um “ambiente controlado” para avaliar soluções que ainda estão em estágio inicial ou pouco propagadas no país, especialmente na hibridização energética.

A integração de múltiplas fontes responde a um dos principais desafios do setor: a inconstância das energias renováveis. Sem sol ou vento, a geração cai – o que exige alternativas capazes de garantir fornecimento contínuo, especialmente para indústrias que operam 24 horas por dia. Sistemas híbridos surgem como solução estratégica ao combinar fontes renováveis com gás natural ou hidrogênio.

O laboratório permitirá testar qual fonte deve ser acionada em que momento para atender à demanda com menor custo. Esse tipo de decisão, segundo Fernández, tende a ser cada vez mais automatizada por sistemas de inteligência artificial, capazes de equilibrar em tempo real variáveis como preço da energia, disponibilidade de fontes e necessidade de consumo.

Modelo pode ser aplicado em regiões isoladas sem conexão com a rede nacional

Outro diferencial do projeto é o uso de hidrogênio verde, produzido a partir de energia solar, como combustível complementar. A tecnologia ainda sofre com alto custo para ganhar escala, mas é vista como chave na descarbonização da matriz energética. Na usina, o hidrogênio poderá ser misturado a combustíveis tradicionais, como gás natural, reduzindo emissões e melhorando o desempenho.

Além da indústria, o modelo também pode ser aplicado em regiões isoladas, como partes da Amazônia, onde o fornecimento de energia depende de sistemas independentes da rede nacional.

“Usinas híbridas podem atender cidades de médio porte, operações de mineração e até o agronegócio, garantindo segurança energética em locais onde hoje há maior vulnerabilidade”, diz o professor.

O projeto também reflete uma estratégia mais ampla de integração entre academia e setor produtivo. Para a universidade, a expectativa é que o espaço fortaleça sua atuação em pesquisa aplicada e ajude a posicionar o Brasil na corrida global por soluções energéticas mais eficientes e sustentáveis. Para Fernandez, o desenvolvimento dessas tecnologias depende de fatores como regulação, evolução de equipamentos e competitividade de custos. Ainda assim, avalia que o país está bem posicionado na transição energética, tanto pela diversidade da matriz quanto pelo potencial de integração entre as fontes.

Fonte: Valor


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