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Moradores da Serra questionam projeto de produção de água de reúso

Moradores da Serra questionam projeto de produção de água de reúso

A instalação de uma tubulação de esgoto que atravessará o bairro Manoel Plaza, na Serra, como parte do projeto do Governo do Estado para a construção de uma Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR), tem gerado preocupação entre os moradores da região.

A iniciativa prevê transformar efluentes sanitários em água para uso industrial. O esgoto será bombeado de Camburi, em Vitória, atravessando a principal via do bairro, a Avenida AB, até o Polo Industrial, na Serra.

Segundo a Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), que enviou nota para Século Diário, as obras estão previstas para o início do segundo semestre deste ano. No entanto, o representante da associação de moradores de Manoel Plaza, Carlos Romeu de Melo, critica a falta de consulta prévia à comunidade e alerta sobre os impactos à mobilidade e segurança na região. Ele também questiona a viabilidade da obra.

“Não é justificável. Não entendo como a prefeitura aceitou tirar um problema de Vitória e trazer para Serra. Vai ter que rasgar a via toda, então nós vamos ficar sem acesso à nossa casa por veículos em um período longo”, afirmou.

Ele também destacou os riscos associados à tubulação.

“A gente se preocupa com o que vai acontecer se essa tubulação estourar, como aconteceu em Bicanga. O esgoto vai ser bombeado e a pressão é muito forte, é perigoso”, acrescentou, em referência ao rompimento de uma rede de esgoto no bairro do litoral serrano, no último dia 12. O incidente abriu uma cratera na rua, quebrou o vidro de um carro e espalhou dejetos pelo local.

A Cesan informou que o projeto faz parte da construção da EPAR, que terá capacidade de transformar 300 litros por segundo de esgoto em água de reúso para fins industriais. Do total, 200 litros por segundo serão destinados à ArcelorMittal Tubarão para o resfriamento do sistema industrial. Segundo a companhia, os requisitos técnicos foram considerados durante o planejamento, que está em fase de levantamento topográfico e execução dos estudos dos impactos ambientais e sociais.

A ordem para o início da construção da EPAR foi assinada pelo governo do Estado em maio, com prazo de 30 anos para construção, operação e manutenção das estações de tratamento de efluentes e fornecimento de água de reúso. O acordo firmado entre o Governo do Estado, por meio da Companhia Espírito-santense de Saneamento (Cesan), e o consórcio multinacional GS Inima, representa um aporte financeiro estimado em R$ 240 milhões. A empresa, vencedora do leilão promovido pela Cesan na B3, em São Paulo, deve iniciar suas operações em até 24 meses.

O governo estadual defende o projeto com base em benefícios ambientais e econômicos, como a redução da captação de água do Rio Santa Maria e de outras fontes hídricas. Apesar disso, os moradores sugerem que o tratamento do esgoto seja feito diretamente em Vitória.

“A empresa poderia fazer o tratamento em Camburi mesmo, onde já existem instalações”, propôs Carlos Melo, que considera que uma tubulação suspensa sobre a Vale seria uma alternativa menos agressiva ao meio ambiente.

O representante da associação também criticou a falta de diálogo entre a prefeitura da Serra, liderada pelo prefeito Weverson Meireles (PDT), e a comunidade. “Eu pedi uma reunião, mas ele está atarefado. Tudo bem, mas não pode deixar de atender a comunidade. Estamos falando de algo que vai impactar vários bairros. Qual prefeito aceitaria isso?”, questionou.

Além de Manoel Plaza, os bairros Rosário de Fátima, Eurico Salles, Carapina I e Bairro de Fátima estão entre os que, segundo o governo estadual, seriam beneficiados pelo projeto. Caso não haja mudanças no planejamento, a associação de moradores considera acionar o Ministério Público para tentar barrar a execução.

Procurada por Século Diário, a Prefeitura da Serra se limitou a dizer, em nota, que “de acordo com a legislação vigente, obra de saneamento desse porte é licenciada pelo órgão estadual competente. Sendo deste órgão também o controle, relação com a comunidade e impactos das intervenções”.

Fonte: Século Diário


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