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PPPs dobram peso no pipeline e indicam nova fase da infraestrutura

PPPs dobram peso no pipeline e indicam nova fase da infraestrutura

Estudo exclusivo da Radar PPP mostra que parcerias público-privadas representam 42% dos projetos mais próximos de leilão no Brasil

As Parcerias Público-Privadas (PPPs) já representam 42% dos projetos de infraestrutura do Brasil em fase mais avançada — aqueles entre consulta pública aberta e licitação encerrada — com maior probabilidade de leilão e assinatura de contrato no curto e médio prazo.

O dado faz parte de um levantamento exclusivo da Radar PPP, consultoria especializada no monitoramento de concessões e PPPs, obtido pela EXAME, que mapeia 6.782 iniciativas de concessões e parcerias público-privadas no país, distribuídas em 19 segmentos.

Desses, 131 são PPPs e 180 são concessões. Embora ainda em menor número absoluto, as PPPs já representam quase metade das iniciativas que devem ir a leilão em breve — proporção muito superior à observada no estoque de contratos já iniciados.

Hoje, a fotografia do estoque ainda é diferente. Dos 1.423 projetos com “Contrato Iniciado”, 1.109 são concessões comuns e 314 são PPPs.

As PPPs representam 22% dos contratos já iniciados, mas dobram praticamente de peso quando o recorte avança para os projetos mais maduros do pipeline.

Para Guilherme Naves, sócio da Radar PPP, o movimento indica uma transição no perfil da infraestrutura ofertada no país. Ele afirma não ter dúvidas de que essa tendência pode levar, nos próximos 5 a 10 anos, a um equilíbrio ou até à superação das PPPs sobre as concessões.

“Indica sem dúvida uma nova fase da infraestrutura brasileira. Quando as principais rodovias já estão em operação pela iniciativa privada, o que os governos vão fazer é buscar aquelas que não puderam fazer parte de uma primeira rodada de concessão”, diz.

Segundo ele, a explicação está na lógica de remuneração dos contratos.

Na concessão, o privado consegue a sua remuneração por meio de tarifa de pedágio ou contraprestação mensal, e precisa arcar com todo o investimento do projeto.

Nas PPPs, o custo de investimento é dividido entre o governo e o privado, com a possibilidade de o concessionário explorar receitas ou também receber contraprestação pelo serviço prestado.

O modelo de concessão favoreceu, em um primeiro momento, ativos de infraestrutura econômica clássica — rodovias, aeroportos e logística — sustentados por tarifas, segundo Naves.

Com o amadurecimento dos projetos, os governos passaram a estruturar projetos que exigem maior participação orçamentária.

“É uma boa maneira de testar o ambiente para investimento privado em infraestrutura, sem colocar em risco, por exemplo, o orçamento público de maneira intergeracional”, diz.

Para Naves, a consequência natural é a ampliação das PPPs.

“A PPP nada mais é do que um modelo que envolve pagamento governamental em pecúnia, de maneira direta”, afirma.

O especialista acrescenta ainda que a mudança de cenário ocorre em um momento de forte atividade do setor.

“A gente estourou a cifra de 200 bilhões de reais contratados no ano passado”, afirma.

Segundo ele, o ritmo permanece elevado em 2026, com R$ 43 bilhões de investimentos para serem contratados nos próximos 30 dias.

O volume, segundo o executivo, mostra que o mercado de concessões e PPPs atravessa um ciclo robusto de ofertas e contratações, mesmo com a transição no perfil dos projetos.

Municipalização das PPPs reforça a mudança estrutural

Entre 2014 e 2025, foram assinados 1.443 contratos de concessão ou PPP no país. Desse total, 1.089 tiveram municípios como ente concedente — o equivalente a 75%.

“A grande contribuição para isso é matemática mesmo. São 5.570 municípios. Todos eles podem fazer PPPs”, afirmou Guilherme Naves, sócio da Radar PPP.

Os dados por segmento ajudam a explicar essa concentração.

No universo das concessões comuns, que somam 2.223 iniciativas com modalidade definida, os segmentos mais representativos são Unidades Administrativas e Serviços Públicos, com 297 projetos, e Água e Esgoto, com 291 iniciativas. Em seguida aparecem Cultura, Comércio e Lazer (291), Estacionamentos (270) e Terminais Rodoviários (211).

Já entre as Parcerias Público-Privadas (PPPs), que totalizam 938 iniciativas, a liderança é de Iluminação Pública, com 308 projetos, seguida por Resíduos Sólidos, com 184. Na sequência aparecem Eficiência Energética e Tecnologia (85), Saúde (63) e Água e Esgoto (57).

Os segmentos que concentram mais PPPs — iluminação pública, resíduos sólidos, saúde e eficiência energética — estão diretamente associados a competências municipais.

Segundo Naves, essa sobreposição não é coincidência.

“A gente está falando sobre educação primária, ensino fundamental e creche, iluminação pública, limpeza urbana, abastecimento de água e esgoto. Tudo isso é municipal. E tudo isso é muito PPP”, diz.

“Matematicamente, está condenado a ter muito projeto municipal mesmo.”

Embora projetos federais e estaduais concentrem maior porte financeiro e visibilidade, os dados mostram que, em volume de iniciativas e em diversidade de setores, a base do mercado permanece pulverizada nos municípios — especialmente nos segmentos urbanos e de infraestrutura social.

Fonte: exame.


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