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Moradores reclamam de cheiro de cloro na água em Colatina, no ES

Rio Doce foi atingido por rejeitos de minério da Samarco há um ano.
Sanear garante que a água distribuída está dentro dos parâmetros.

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O Rio Doce em Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, voltou a ficar com a água mais escura, e os moradores reclamam de forte cheiro de cloro na água que chega nas torneiras das casas. O rio foi atingido pela lama proveniente do rompimento da barragem da Samarco em Mariana, Minas Gerais.

O Serviço Colatinense de Meio Ambiente e Saneamento Ambiental (Sanear) disse que a água está dentro dos parâmetros determinados pelo Ministério da Saúde. Ainda segundo o Sanear, o forte cheiro de cloro é ocasionado pelo tratamento determinado pela Justiça.

Em novembro de 2015, o Rio Doce foi atingido pelos rejeitos de minério do rompimento da barragem da Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, em Mariana, Minas Gerais. Desde então, os moradores de Colatina, que tem a captação de água feita no rio, ficam desconfiados quanto à qualidade da água distribuída.

Segundo o aposentado Jacinto Vieira, a população está preocupada com a qualidade da água. “Todo mundo fica. Eu não gosto nem de usar pra tomar banho, mas ainda assim tomo. Mas pra beber, eu compro a água”, disse.

“Eu não bebo a água desse rio aí. Só bebo água mineral. Tenho medo ainda”, afirmou o pintor Janduir Santana.

Na casa da aposentada Maria Aparecida de Oliveira, água para beber e cozinhar, só se for mineral. Ela ficou com medo de usar a água que chega nas torneiras depois que o rio foi atingido pela lama. Nos últimos dias, ela percebeu um cheiro muito forte de cloro.

“Tem um cheiro e um gosto horrível, até para escovar os dentes. Porque não dá. Fica aquele gosto forte na boca de gente”, contou.

Sanear

De acordo com o diretor da Sanear, Antônio Demuner, a água voltou a ficar com a cor alaranjada nos últimos dias porque tem chovido muito em Minas Gerais. O nível de turbidez também aumentou, mas ele afirma que o tratamento da água não foi afetado.

“Os exames comprovam que não tem lama no rio. Choveu muito na cabeceira de Aimorés e Baixo Guandu, então aumentou essa turbidez”, esclareceu.
Por determinação da Justiça, o Sanear voltou a utilizar o polímero de alúminio, substância que foi usada pela primeira vez na estação de tratamento, em novembro de 2015. Segundo Demuner, esse é o motivo para o cheiro de cloro.

“Esse produto, o polímero de alúminio, normalmente se tem uma dosagem para atingir o ponto ideal de tratamento da turbidez. Então ele requer o uso de um pouco mais de cloro. Então por isso, o cheiro do produto. Mas está tudo tranquilo”, disse.

Fonte: G1