Estudo realizado por pesquisadores do Instituto de Geociências avalia o comportamento hidráulico de minérios e pilhas de rejeitos quando submetidos a variações climáticas, infiltração de água e possibilidade de liquefação
O rompimento das barragens de Mariana e Brumadinho, em Minas Gerais, causou centenas de mortes e contaminou com rejeitos a água e o solo de diversos municípios localizados nas bacias do Rio Doce e do Rio Paraopeba, sendo considerados os maiores desastres da mineração brasileira.
A gravidade dos acidentes levou a Agência Nacional de Mineração a proibir a construção de barragens de mineração pelo método de montante e determinou que as barragens existentes passassem por uma descaracterização – processo de desativação da barragem, com a drenagem da água, a compactação dos rejeitos e a estabilização e recuperação da área, de maneira a eliminar o risco de rompimento.
Entre as principais alternativas para as barragens convencionais com reservatório está o empilhamento de rejeito filtrado, no qual o rejeito é desaguado e disposto como aterro, em camadas, com compactação controlada.
“Em termos gerais, tecnologias que reduzem o armazenamento de água e eliminam o lago tendem a reduzir o potencial de rupturas com comportamento de fluxo, liquefação e fluxo, reduzindo a eventual área de inundação. Ou seja, quanto menos água armazenada, melhor, pois reduz a mobilidade em caso de falha.
No mundo todo, ainda predomina a disposição convencional, com rejeito úmido. No entanto, cresce a pressão da sociedade para a adoção de soluções com menos água”, explica o professor do Departamento de Geologia Ambiental e Aplicada do Instituto de Geociências (IGc) da USP, Fernando Marinho, que há 30 anos desenvolve estudos sobre a retenção de água em solos, o comportamento de rejeitos de mineração e fluxo em meios porosos.
Para o pesquisador, a comparação adequada entre as diferentes técnicas de armazenamento de rejeitos deve ser feita baseada no risco.
“No Brasil, após 2019, houve aceleração de estratégias para reduzir dependência de barragens, com investimentos relevantes em filtragem e empilhamento de rejeitos. Entretanto, é importante esclarecer que os empilhamentos compactados não são isentos de risco. A técnica exige controle de umidade, compactação, estabilidade global, controle de erosão, poeira e gestão de água superficial.”
Fonte: Jornal da USP


