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O mercado de carbono não é mais como antigamente

O mercado de carbono não é mais como antigamente

As regras do mercado de carbono mudaram, a demanda se alterou e o mercado no Brasil não é mais como antigamente

Podemos considerar o ano de 1997, quando foi assinado o Protocolo de Quioto (Japão), como o principal marco de nascimento do mercado de carbono, ainda que a Convenção do Clima tenha sido assinada alguns anos antes, em 1992. Então, de Quioto para cá, são quase 30 anos desse mercado.

Nesse período, foram inúmeros altos e baixos, incontáveis alterações geopolíticas e, vale sempre mencionar, uma pandemia que levou mais de 2 anos – período, inclusive, em que a humanidade experimentou um planeta menos nocivo e com menor emissão de gases de efeito estufa (2020 registrou uma queda de quase 6%, o maior recuo já observado em tempos modernos).

Entre 2006 e 2011, o mercado internacional viveu um período de alta de preços dos créditos e um número crescente de projetos, cenário que se alterou drasticamente em 2012, um marco da pior crise, até então, do mercado. A explicação existe: 2012 foi o fim de um período de compromisso de redução de emissões, convencionado pelos países no Protocolo de Quioto, e que não foi renovado. Isso significa que, de 2013 em diante, os países não teriam mais, em tese, uma obrigação formal de reduzir suas emissões.

Foi apenas a partir de 2018 que os preços dos créditos voltaram a subir e, em 2020, iniciou-se uma nova fase de prosperidade. É aí que o Brasil ganha destaque.
Inúmeras empresas desenvolvedoras de projetos de carbono iniciaram ou ampliaram suas atividades a partir de 2020 no Brasil, com uma chegada massiva de capital estrangeiro. Em um mercado em que havia menos de 5 empresas relevantes no setor, o país passou para mais de 30 empresas, com diferentes graus de relevância. Passou-se a movimentar algumas centenas de milhões de dólares ao ano.

Infelizmente, já em 2023, chegaram à imprensa internacional indícios de fraudes e questionamentos em alguns projetos de carbono, o que trouxe nova onda de pessimismo ao mercado. O Brasil, que até então era um destino preferencial dos investidores, principalmente para Soluções Baseadas na Natureza (no inglês, Nature Based Solutions), passou a ser um país visto com desconfiança.

A crise se aprofundou em 2024. Até que, no final daquele ano, o Congresso aprovou um projeto de lei que seria promulgado pelo presidente e convertido na Lei Federal nº 15.042/2024, criando o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE).

Essa lei alterou bastante a lógica dos projetos até então existentes, dificultando o desenvolvimento de projetos privados de conservação (conhecidos pela sigla REDD+, que significa Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação) e estimulando projetos com participação dos entes públicos, principalmente na Amazônia.

Em paralelo, certificadoras internacionais enfrentavam desafios consideráveis para seguir analisando e aprovando projetos no Brasil, o que paralisou a emissão de créditos de carbono e, consequentemente, freando o mercado de carbono.

Nesse cenário, tornou-se urgente o país amadurecer seus instrumentos e criar um melhor ambiente de negócios no setor. Notou-se a necessidade de um modelo próprio e robusto de certificação, desenvolvimento de projetos, registro de créditos, criação de metodologias, dentre tantas outras atividades para um mercado saudável.

E assim chegamos em 2026, um momento em que o mercado não é mais como antigamente. As regras mudaram, a demanda mudou.
A maior parte das desenvolvedoras fechou suas portas. Especuladores e compradores de créditos de carbono passaram a trabalhar com outros ativos, aguardando sinais mais nítidos dos novos caminhos.

O cenário não é de terra arrasada, ainda que muita empresa tenha quebrado e alguns escândalos tenham ganhado os jornais. Vivemos um período de reestruturação de mercado.

O lado positivo é que, enquanto o mercado de compensação de emissões (outro nome para o mercado de carbono) evolui lentamente, um outro mercado, que é o de descarbonização, ganhou fôlego. Empresas investem, cada vez mais, em soluções que reduzam suas emissões de gases de efeito estufa para manter sua competitividade, principalmente aquelas que são exportadoras. Isso significa que algum efeito positivo no clima está ocorrendo.

Fonte: Um só planeta


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