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Inovação brasileira na transição energética UNB avança no hidrogênio verde com tecnologia inovadora que pode reduzir custos e acelerar a produção do combustível limpo no Brasil

Inovação brasileira na transição energética: UNB avança no hidrogênio verde com tecnologia inovadora que pode reduzir custos e acelerar a produção do combustível limpo no Brasil

Pesquisa da UNB desenvolve tecnologia inovadora que pode tornar o hidrogênio verde mais viável no Brasil, reduzindo custos e ampliando o uso de combustível limpo na transição energética.

Transformar água em energia sustentável ainda parece algo distante do cotidiano, mas um projeto desenvolvido na UNB visa aproximar essa realidade do Brasil. Pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de Brasília trabalham em uma tecnologia inovadora voltada à produção de hidrogênio verde, uma alternativa energética considerada estratégica para a transição energética global.

Segundo publicação feita pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) no dia 26 de fevereiro, o objetivo é tornar esse combustível limpo mais acessível por meio da redução de custos e do aumento da eficiência dos processos de produção.

Além dos resultados científicos, o projeto contribui para a formação de estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, fortalecendo a infraestrutura tecnológica e científica regional. A expectativa é que o trabalho possa ajudar a consolidar o Distrito Federal como polo emergente em nanotecnologia e hidrogênio.

Nesse contexto, o avanço da UNB reforça o papel da pesquisa científica nacional na busca por soluções energéticas sustentáveis, especialmente no desenvolvimento do hidrogênio verde como fonte de energia de baixo impacto ambiental.

Pesquisa da UNB aproxima hidrogênio verde da produção em larga escala

O hidrogênio verde é considerado um dos principais vetores energéticos para a redução de emissões de carbono em escala global. Ele pode substituir combustíveis fósseis em setores onde a eletrificação direta ainda enfrenta dificuldades técnicas, como transporte pesado e processos industriais que exigem altas temperaturas.

Quando produzido por eletrólise da água usando energia renovável, o hidrogênio não gera emissões de carbono durante o processo produtivo. Por isso, é classificado como um combustível limpo, capaz de contribuir para a descarbonização da economia.

Na prática, o hidrogênio pode ser utilizado como fonte energética para ônibus, caminhões e trens, gerando apenas vapor de água como resíduo. Também pode ser aplicado na indústria pesada, como na produção de aço, além de servir como meio de armazenamento de energia proveniente de fontes solares e eólicas.

Apesar do potencial, o custo de produção ainda é um dos principais obstáculos à expansão do hidrogênio verde. É justamente nesse ponto que a pesquisa da UNB busca avançar, criando alternativas tecnológicas que possam reduzir os custos e ampliar a viabilidade do combustível sustentável.

Tecnologia inovadora da UNB substitui materiais caros na produção de combustível limpo

Um dos maiores desafios da produção de hidrogênio verde está no uso de catalisadores que aceleram a reação química necessária para quebrar as moléculas de água. Sem esses materiais, o processo de eletrólise se torna lento e energeticamente ineficiente.

Hoje, a platina é considerada o catalisador mais eficiente para essa aplicação. No entanto, trata-se de um metal raro e caro, o que encarece significativamente o custo do combustível limpo. A pesquisa da UNB aposta em uma tecnologia inovadora baseada em materiais bidimensionais capazes de substituir a platina. Esses materiais são muito mais abundantes e baratos, o que pode tornar a produção de hidrogênio economicamente mais viável.

Entre os compostos estudados estão os chamados dicalcogenetos de metais de transição, como o dissulfeto de molibdênio (MoS₂) e o dissulfeto de tungstênio (WS₂). O MoS₂, por exemplo, já é utilizado há décadas como lubrificante industrial devido à sua estrutura em camadas que reduz o atrito entre superfícies metálicas.

Na pesquisa científica, esses materiais são aplicados em escala nanométrica para acelerar reações químicas e melhorar a eficiência energética. Ao substituir materiais escassos por componentes abundantes, a tecnologia inovadora pode reduzir o custo final do combustível limpo e facilitar sua adoção em larga escala. Segundo o professor Jorlandio F. Felix, a substituição de materiais caros pode permitir a instalação de sistemas de energia limpa em escala industrial, reduzindo o preço final da energia produzida.

Filmes finos desenvolvidos na UNB ampliam eficiência do hidrogênio verde

O núcleo da pesquisa envolve a produção de filmes finos baseados em materiais bidimensionais ligados por forças de Van der Waals. Esses filmes são camadas extremamente finas aplicadas sobre superfícies específicas.

Mesmo sendo milhares de vezes mais finos que um fio de cabelo, esses materiais conseguem conduzir eletricidade e acelerar reações químicas com grande eficiência. Essa característica é fundamental para melhorar a produção de hidrogênio verde.

Filmes finos semelhantes já fazem parte do cotidiano tecnológico. Eles estão presentes em telas sensíveis ao toque, espelhos especiais e alguns tipos de painéis solares. No projeto brasileiro, essas estruturas são utilizadas como catalisadores avançados.

O uso desses materiais representa um avanço importante para a pesquisa energética nacional. Ao melhorar o desempenho dos catalisadores, a UNB busca tornar o processo de eletrólise mais eficiente e economicamente competitivo. Esse avanço pode contribuir diretamente para a expansão do combustível limpo no país, especialmente em setores com alto consumo energético.

Automação impulsiona tecnologia inovadora para hidrogênio verde

Outro diferencial do projeto é o desenvolvimento da técnica conhecida como Esfoliação Mecânica Automática (AME). O método consiste em um sistema automatizado capaz de depositar materiais bidimensionais sobre superfícies com grande precisão.

O equipamento funciona como uma espécie de instrumento de alta precisão, guiado por motores que controlam o movimento em diferentes direções e a pressão aplicada durante o processo.

Os materiais utilizados inicialmente se apresentam como um pó escuro comum, mas possuem estrutura em camadas extremamente finas ligadas por forças fracas. Quando pressionadas contra uma superfície, essas camadas se desprendem e formam filmes finos uniformes.

Essa padronização é essencial para aplicações industriais, pois garante qualidade consistente na produção de dispositivos energéticos. A automação também pode reduzir custos de fabricação e facilitar a replicação do processo em escala maior. Com isso, a técnica desenvolvida na universidade pode acelerar a transformação do hidrogênio verde em um combustível limpo competitivo no mercado energético.

Impactos científicos e industriais do combustível limpo desenvolvido pela UNB

Além dos avanços tecnológicos, o projeto gera impactos estruturantes importantes para o desenvolvimento científico regional. O financiamento permitiu adaptar laboratórios, adquirir materiais especiais e ampliar a capacidade de pesquisa.

A iniciativa fortalece a formação de profissionais especializados e contribui para a consolidação do Distrito Federal como centro emergente em nanotecnologia aplicada à energia.

Segundo o diretor-presidente da FAPDF, Leonardo Reisman, apoiar pesquisas desse tipo significa investir em soberania tecnológica e em soluções reais para os desafios energéticos do país. Projetos que unem ciência avançada, sustentabilidade e potencial industrial são considerados estratégicos para a nova economia de energia limpa.

A pesquisa também pode estimular a criação de novos setores industriais voltados à produção de dispositivos energéticos de alto desempenho. Caso a tecnologia inovadora avance para aplicações comerciais, o Brasil poderá ampliar sua participação no mercado global de energia sustentável.

Um passo concreto para energia sustentável no Brasil

Os avanços obtidos pela UNB mostram que o desenvolvimento do hidrogênio verde está deixando de ser apenas uma perspectiva futura e se tornando uma possibilidade concreta. A criação de uma tecnologia inovadora baseada em materiais mais abundantes pode reduzir custos e ampliar a produção desse combustível limpo.

Além de contribuir para a redução das emissões de carbono, a pesquisa fortalece a capacidade tecnológica brasileira e estimula a formação de profissionais altamente qualificados.

O investimento de R$ 179 mil realizado em 2022 demonstra como recursos relativamente modestos podem gerar impactos científicos relevantes quando direcionados para pesquisas estratégicas.

Se os resultados forem confirmados em etapas futuras de desenvolvimento tecnológico, o projeto poderá acelerar a transição energética brasileira e ampliar o uso de fontes renováveis.

Nesse cenário, o trabalho desenvolvido pela UNB reforça o papel da ciência nacional na busca por soluções energéticas sustentáveis e mostra que o hidrogênio verde pode se tornar um dos principais pilares do sistema energético de baixo carbono nas próximas décadas.

Fonte: CPG


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