Planta industrial demonstrativa em Piracicaba (SP) tem capacidade para produzir produção de sementes que atendam um plantio de até 1,5 mil hectares ao ano
O Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) deu início na quinta-feira (16/4) à nova etapa de seu projeto de desenvolvimento de sementes sintéticas de cana-de-açúcar, tecnologia que promete aumentar a eficiência e reduzir custos de forma estrutural no setor sucroenergético. As sementes sintéticas, que antes o CTC desenvolvia apenas em laboratório, agora serão produzidas em maior escala na fábrica que a empresa inaugurou em Piracicaba (SP).
A fábrica, de caráter demonstrativo, é ainda um passo anterior a uma planta comercial, mas já permitirá ao CTC fazer a semeadura, de forma experimental, nesta safra 2026/27. Sementes sintéticas de cana vão ocupar, ao todo, 100 hectares, distribuídos entre áreas de diversos clientes da empresa no Centro-Sul. Os plantios servirão para a companhia analisar o desempenho da tecnologia. Na safra passada, o CTC já conseguiu produzir um volume de sementes suficiente para plantar 20 hectares em algumas áreas próximas a Ribeirão Preto, Piracicaba e Araçatuba (SP). O trabalho terminou em março.
As sementes dos plantios que a empresa já realizou foram produzidas a partir de três variedades. Agora, com a fábrica operando normalmente, a companhia poderá incorporar oito variedades na produção das novas sementes. Os testes desta safra servirão para a análise de indicadores como nível do brotamento, falhas de desenvolvimento e perfil das plantas.
“Se os resultados forem satisfatórios nesses 100 hectares, uma ambição é acelerar [o plantio] no próximo ano em áreas maiores, para que a tomada de decisão [a respeito de uma fábrica em escala comercial] seja o mais assertiva possível”, disse Paulo Polezi, diretor financeiro do CTC, ao Valor. Segundo ele, o projeto precisa ter cada vez mais resultados comprovados para reduzir o risco de eventuais investimentos futuros.
A fábrica atual tem capacidade para produzir um volume de sementes suficiente para plantar até 500 hectares em um ano, em trabalho em um turno. Com três turnos, a capacidade de produção de sementes permite o plantio de até 1,5 mil hectares.
O desenvolvimento da tecnologia das sementes de cana ocorreu em paralelo ao desenvolvimento de plantadoras, trabalho que ficou a cargo da fabricante TT, da John Deere e da Tatu Marchesan, parceiras do projeto. Hoje, essas empresas têm plantadoras próprias das sementes sintéticas do CTC.
Com todo o pacote tecnológico atual, a empresa calcula que seja possível reduzir pela metade o número de plantadoras necessário para uma mesma área, ou aumentar de oito para 50 hectares a área plantada por dia, segundo Polezi. Além disso, o maquinário e sua carga também serão muito mais leves, o que reduzirá o compactamento do solo e os gastos com diesel. Segundo o executivo, hoje, o plantio de 1 hectare com cana exige 16 toneladas de toletes. Com a nova tecnologia, o plantio dessa mesma área poderá ocorrer com 400 quilos de sementes sintéticas.
A redução do gasto de combustível também leva a uma diminuição importante da pegada de carbono da produção. Segundo estudo que a FGV fez para o CTC, a substituição das tecnologias de plantio de cana faria a geração de Créditos de Descarbonização (CBios) crescer 127%.
Suzeti Ferreira, diretora de marketing do CTC, diz que o plantio de sementes permite ainda eliminar os viveiros, que hoje ocupam 5% da área dos canaviais.
“Isso vira moagem de cana e receita”, afirma. A tecnologia também reduz o número de falhas nos canaviais, que hoje fica entre 5% e 8%, além de tornar possível uma renovação mais frequente das lavouras. “Isso tudo somado acelera o fluxo de receita, pois acelera a produtividade, reduz custo com falhas e viveiros, melhora a sanidade do material e ajuda na melhoria de produtividade”, ressalta. “São ganhos agronômicos que podem trazer impactos muito importantes nas receitas das usinas”.
Fonte: Valor



