Empresa criada por 24 produtores rurais de MT obteve financiamento do BNDES para ampliar produção de etanol de milho
A ALD Bioenergia, empresa fundada por 24 produtores rurais, com sede em Nova Marilândia (MT), obteve aprovação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para um financiamento de R$ 575,3 milhões. O recurso será investido na ampliação da planta industrial de etanol de milho da companhia, triplicando a sua capacidade produtiva até 2028.
Do valor total aprovado, R$ 359,5 milhões são recursos do Financiamento ao Empreendimento (Finem) e do Fundo Clima. Outros R$ 215,8 milhões são em limite de crédito da linha BNDES Máquinas e Serviços, destinada principalmente à aquisição de equipamentos.
De acordo com Marco Orozimbo, CEO da ALD Bioenergia, o plano da companhia é usar o recurso para aumentar a capacidade de processamento de milho de atuais 335 mil toneladas por ano para 900 mil toneladas por ano. Com isso, a produção de etanol será ampliada de 150 milhões de litros anualmente para 400 milhões de litros por ano.
A companhia também vai aumentar a produção de óleo de milho de 6 mil toneladas por ano para 18 mil toneladas anuais. A produção de grãos secos de destilaria solúveis (DDGS), por sua vez, deve saltar de 80 mil toneladas anuais para 230 mil toneladas.
“A ALD Bioenergia nasceu há sete anos já com plano de ter uma expansão na capacidade produtiva. Os sócios são produtores e sempre viram no mercado de etanol de milho um forte potencial de expansão”, afirmou Orozimbo.
A expectativa da empresa é iniciar as obras no ano que vem e concluir em 2028. Durante a construção, serão gerados 400 empregos. Após a ampliação da fábrica, a ALD deve aumentar o número de empregados de 188 para 275.
“Essa expansão reflete nosso compromisso com a região e vem para gerar empregos e fortalecer parcerias que agregam valor a toda a cadeia produtiva”, afirmou o presidente do conselho de administração da ALD Bioenergia, José Afonso Gonçalves.
A ALD Bioenergia foi fundada por produtores rurais, que também são cooperados da Cooperativa Agroindustrial Deciolândia (Cooad), localizada na região de Diamantino, no oeste de Mato Grosso. Os agricultores, que antes exportavam o milho a partir dos portos do Sudeste e Sul, decidiram verticalizar a produção para melhorar a rentabilidade. A produção de etanol de milho é vendida para Mato Grosso e para a Região Sudeste, assim como o DDGS e o óleo de milho.
“Hoje todo o milho utilizado é produzido pelos sócios. Após a expansão, eles vão responder por dois terços da matéria-prima. O restante será adquirido de produtores da região”, disse Orozimbo. Ele acrescentou que a ampliação da capacidade visa atender os mercados interno e externo. Em março, a ALD Bioenergia recebeu autorização para exportar DDGS à China. A ALD Bioenergia fatura atualmente em torno de R$ 500 milhões por ano. “A previsão é triplicar o faturamento a partir de 2028, para R$ 1,5 bilhão, quando a fábrica estiver operando já ampliada”, afirmou.
Para acessar os recursos do BNDES, a ALD Bioenergia contou com a assessoria financeira da Czarnikow, por meio da CZ Advise.
“O apoio do BNDES ao projeto de expansão da ALD Bioenergia evidencia a relevância crescente do etanol de milho na transição energética brasileira e o posicionamento estratégico da companhia em um setor em rápida expansão”, afirmou Fernando Soares, diretor de finanças corporativas da Czarnikow no Brasil.
“Consolidar a posição brasileira como líder mundial em energia limpa, com cerca de 89% de fontes renováveis, é uma das prioridades do governo. E o BNDES é o agente responsável pela realização dessa política pública, com US$ 36,4 bilhões em crédito para o setor entre 2004 e 2023”, disse Aloizio Mercadante, presidente do BNDES.
Fonte: Valor



