O biometano surge como uma alternativa promissora para a descarbonização da cadeia bioenergética
A busca por alternativas para substituir os combustíveis fósseis nas operações das usinas tem acelerado os investimentos em biometano, apontado como uma das principais apostas para ampliar a descarbonização da cadeia bioenergética.
Produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos da produção de açúcar e etanol, o combustível renovável vem conquistando espaço na movimentação de cargas, na operação de máquinas agrícolas e na geração de novas receitas para as empresas do setor.
Biometano como alternativa ao diesel
Embora a indústria sucroenergética seja referência mundial na produção de energia renovável, grande parte das atividades agrícolas e logísticas ainda depende do diesel, principalmente no transporte de cana, açúcar e etanol, além das operações de plantio e colheita.
Nesse cenário, o biometano surge como uma alternativa capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, aumentar a eficiência operacional e diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
O avanço da tecnologia e a crescente demanda por soluções de baixo carbono têm estimulado projetos em diversas usinas brasileiras, que passaram a enxergar o biometano não apenas como combustível para consumo próprio, mas também como um novo produto com potencial de comercialização para os setores de transporte, indústria e distribuição de gás.
Exemplo de sucesso e potencial de expansão
Um dos exemplos dessa transformação é a BioRota, iniciativa da Copersucar que utiliza uma frota de mais de 70 caminhões abastecidos com biometano para transportar açúcar das usinas associadas até o Porto de Santos.
A substituição do diesel pelo combustível renovável já permitiu reduzir em até 90% as emissões de gases de efeito estufa nessa operação logística, além de substituir aproximadamente 5 milhões de litros de diesel e evitar a emissão de mais de 8 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂).
Especialistas avaliam que o aproveitamento energético da vinhaça, da torta de filtro e de outros resíduos da produção sucroenergética pode transformar as usinas em polos de produção de biometano, fortalecendo a economia circular e ampliando a competitividade do setor diante das metas globais de descarbonização.
O tema estará em destaque durante a FenaBio, conferência que será realizada nos dias 12 e 13 de agosto, dentro da programação da 32ª Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP).
O encontro reunirá pesquisadores, representantes de usinas, empresas de tecnologia e especialistas para debater os avanços tecnológicos, os desafios regulatórios e as oportunidades de negócios relacionadas à produção e ao uso do biometano na matriz energética brasileira.
Além da substituição do diesel nas operações agrícolas e logísticas, os debates devem abordar a integração do biometano com outras iniciativas de bioenergia, como a captura de carbono, a produção de fertilizantes orgânicos e a geração de créditos de descarbonização, consolidando o combustível renovável como uma das principais frentes de expansão do setor bioenergético nos próximos anos.
Fonte: JornalCana



