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Biometano é oportunidade para economias emergentes, diz estudo

Biometano é oportunidade para economias emergentes, diz estudo

A produção de biometano ainda está concentrada em países desenvolvidos. Mas é uma oportunidade para as economias emergentes globais, dada a disponibilidade de matéria-prima nesses países, principalmente de resíduos agropecuários. A conclusão é de um estudo de pesquisadores brasileiros apoiado pelo Instituto Mobilidade de Baixo Carbono (MBCBrasil).

Segundo o estudo, a biodigestão de resíduos e o uso do gás no transporte pode permitir aos países emergentes ter um combustível renovável. Esse combustível pode apoiar, ao mesmo tempo, seus objetivos climáticos, estratégias de diversificação energética e de economia circular. Além disso, pode contribuir para o desenvolvimento rural.

A conclusão consta no estudo de síntese “From waste to wheels – Turning organic waste into renewable fuel for transport”. O trabalho é assinado pelos pesquisadores Glaucia Mendes Souza, da USP, Clayton Barcelos Zabeu, do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Heitor Cantarella, do Instituto Agronômico de Campinas, e Luiz A. Horta Nogueira, da Universidade Federal de Itajubá.

Os pesquisadores compilaram uma série de estudos sobre o biometano. O objetivo foi sinalizar o potencial de adoção do renovável em escala global.

De acordo com o documento, os mercados de biometano mais maduros hoje são todos desenvolvidos. Entre eles estão Suécia, Alemanha, Itália, França, Holanda, Dinamarca, Finlândia, Suíça, Reino Unido, Noruega e Califórnia.

Mas já há outros perfis de mercado em expansão, incluindo Brasil, Estados Unidos, China, Índia, Espanha, Irlanda, Áustria e Bélgica. O biometano é produzido em cerca de 40 países e usado como combustível em cerca de 30 mercados.

Segundo os pesquisadores, informações da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) mostram que as maiores oportunidades de produção de biometano ainda não exploradas estão concentradas justamente onde há maior produção agrícola, atividade pecuária e crescimento urbano, como a América Latina, África Subsaariana, e sul e sueste da Ásia.

Globalmente, o potencial de produção de biogás e biometano é de 1 trilhão de metros cúbicos ao ano, aproximadamente um quarto da demanda global por gás.

A disponibilidade de matérias-primas para a produção de biometano:

“Está ligada ao desenvolvimento econômico e ao crescimento populacional. Conforme as economias emergentes expandem sua produção agrícola e suas populações urbanas, o volume de resíduos orgânicos gerado também aumenta”, afirmou o estudo.

Matérias-primas

O estudo listou as principais matérias-primas e os países que mais podem explorar cada uma. Segundo os pesquisadores, um dos resíduos possíveis são os dejetos animais, que são abundantes no Brasil, Índia, China e Argentina. No caso dos resíduos agrícolas, há abundância no Brasil, Índia, Tailândia e Indonésia, e no caso de resíduos agroindustriais, os países da América Latina e do sudeste da Ásia são abundantes.

Entre resíduos não agropecuários, há grande potencial para aproveitamento de resíduos orgânicos urbanos em Índia, China e Indonésia, enquanto o aproveitamento do gás de aterros sanitários e do lodo de águas residuais têm forte potencial nos grandes centros urbanos emergentes.

Os pesquisadores ressaltaram que países como Brasil, Índia e China:

“Já têm experiência em adaptar as tecnologias de biometano para as condições de países em desenvolvimento e podem fornecer lições valiosas para outros mercados emergentes”.

Como fomentar

Para incentivar o mercado de biometano, o estudo citou casos de países que adotaram uma ou um conjunto de políticas. Entre elas estão mandatos de mistura de combustíveis, metas setoriais de energia renovável, desenvolvimento de infraestrutura física e incentivos financeiros ou fiscais.

Os pesquisadores mencionaram um estudo da IEA, da FAO, da Global Bioenergy Partnership (GBEP) e da Associação Europeia de Biogás. Segundo o estudo, muitos projetos de produção de biometano têm sucesso ao encontrar viabilidade econômica para seus outros produtos, como biofertilizantes. Também para serviços ambientais, como créditos de carbono.

Podem entrar como outras fontes de receita dentro de um projeto de biometano o serviço de gestão de resíduos, o biofertilizante, gás carbônico renovável, crédito de carbono e certificados de garantia de origem.

Segundo o estudo, essas receitas adicionais podem representar entre 20% e 60% da receita total de um projeto de biometano.

Vantagens

O estudo também compilou dados que reforçam o potencial do biometano para a redução de emissões e para a segurança e soberania energética. Quando os produtores obtêm o biometano por meio da biodigestão de dejetos de animais, o gás renovável apresenta uma emissão de carbono 45% menor do que a do diesel. A comparação considera as emissões de todo o ciclo de vida do diesel e do biometano, da produção à queima nos tanques.

Se a origem do resíduo são restos de alimentos, a capacidade de diminuição das emissões em comparação com o consumo de diesel é de 75%.

E, se for considerado que, no processo de biodigestão de determinados rejeitos, também se evita a emissão de metano, o biometano acaba tendo um saldo de emissões negativo – ou seja, a produção de biometano resulta em mais captura de gases da atmosfera do que em emissões.

“O benefício da descarbonização vem não só de substituir o diesel no escapamento, mas ao melhorar todo o sistema de produção, integrando gestão de resíduos e produção de energia em um modelo circular”, afirmaram os pesquisadores.

Outra vantagem do biometano, segundo o estudo, é que sua queima nos tanques dos veículos emite menos material particulado, óxidos de nitrogênio e outros poluentes em relação ao diesel.

Por fim, o biometano ainda pode ser uma solução para a segurança energética de economias emergentes, ressaltou o estudo. Enquanto os combustíveis de origem fóssil se mostraram nos últimos meses suscetíveis às turbulências geopolíticas, o gás renovável permite a utilização de recursos domésticos que estão próximos aos centros de consumo e já é compatível com a infraestrutura de gás existentes nos países.

Com isso, seu uso reduz a dependência de importação de derivados fósseis e diversifica a oferta de energia.

Fonte: Globo Rural

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