A escassez hídrica e a degradação da qualidade da água têm aumentado o interesse na produção de água de reúso a partir de estações de tratamento de esgoto.
Dentre as preocupações com a qualidade, os contaminantes emergentes (CEs) têm ganhado destaque devido à sua persistência e aos potenciais riscos ambientais e à saúde.
Este estudo investigou a ocorrência, a distribuição espacial e a remoção de CEs em uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) em escala real, operando um processo anaeróbio-anóxico-aeróbio seguido de filtração em biorreator de membrana (MBR), no estado de São Paulo, Brasil. Amostras de esgoto foram coletadas em diferentes etapas do tratamento, e águas superficiais de rios da região foram analisadas para comparação.
Os compostos-alvo foram determinados por UPLC-MS/MS e GC-MS. Todos os analitos foram detectados no esgoto bruto, com a cafeína apresentando as maiores concentrações. Altas eficiências de remoção foram observadas para paracetamol, cafeína, ibuprofeno, naproxeno e atenolol (> 97%), enquanto diclofenaco e propranolol apresentaram remoção moderada (60-70%). Os compostos estrogênicos apresentaram remoção variável, e a carbamazepina e seus metabólitos mostraram comportamento persistente, com remoção negativa sugerindo processos de retroformação.
Os resultados confirmam a carbamazepina como um marcador químico confiável da eficiência do tratamento e indicam que, embora a água recuperada tenha apresentado alta qualidade geral, tratamentos complementares podem ser necessários para atender a padrões mais rigorosos para contaminantes emergentes.
Fonte: Springer Nature

