Estudos mostram que a Kappaphycus alvarezii pode gerar biofertilizantes, biocombustíveis, pigmentos naturais e matérias-primas
O cultivo de algas marinhas pode se tornar uma alternativa estratégica para o agronegócio brasileiro. Pesquisas conduzidas pelo Instituto de Pesca, em parceria com universidades e centros de pesquisa, mostram que um biofertilizante produzido a partir da alga vermelha Kappaphycus alvarezii pode aumentar a produtividade de culturas agrícolas em até 40%, além de reduzir a dependência de fertilizantes de origem fóssil.
Além da produção de biofertilizantes, a alga Kappaphycus alvarezii apresenta potencial para diversas aplicações industriais e científicas. Segundo a pesquisadora do Instituto de Pesca, Valéria Cress Gelli, a espécie pode fornecer biomoléculas para estudos voltados ao tratamento de câncer, servir como matéria-prima para a produção de biocombustíveis, como bioetanol e bio- hidrogênio, além de ser utilizada na fabricação de plástico, papel e materiais para a construção civil.
“Como é uma alga vermelha, é possível extrair o pigmento vermelho para uso, por exemplo, nos ovos caipiras, que precisam ter uma cor mais avermelhada. Essa pode ser uma das utilizações dela”, destacou o pesquisador.
Segundo os pesquisadores, testes realizados com alface registraram aumento de 27% na produtividade. Já em experimentos com soja, os resultados indicam ganhos entre 20% e 40%, dependendo das condições de cultivo.
Além de estimular o desenvolvimento das plantas, o biofertilizante representa uma alternativa mais sustentável aos fertilizantes convencionais, contribuindo para reduzir o uso de insumos derivados do petróleo.
Potencial vai além do campo
As aplicações da Kappaphycus alvarezii não se limitam ao setor agrícola. A espécie também é estudada para a produção de biocombustíveis, como bioetanol e bio-hidrogênio, além de bioplásticos, papel, materiais para construção civil, pigmentos naturais e biomoléculas com potencial para uso farmacêutico.
Hoje, um dos principais produtos obtidos da alga é a carragenana, um composto utilizado como agente gelificante pela indústria alimentícia e em outros segmentos industriais. O Brasil, no entanto, tem concentrado esforços no desenvolvimento de biofertilizantes devido ao potencial de aplicação no agronegócio.
“Ele sendo um biofertilizante, ele acaba ajudando a aumentar a produção nacional e diminuir o uso de fertilizantes de origem, por exemplo, do petróleo”, destaca Valéria Cress.
Após a extração do bioestimulante líquido, o resíduo da alga ainda pode ser aproveitado para fabricar bioplásticos, papel, couro vegetal e farinha rica em nutrientes, ampliando o aproveitamento da matéria-prima e agregando valor à cadeia produtiva.
Cadeia produtiva em expansão
O cultivo da Kappaphycus alvarezii já é consolidado em diversos países. A produção mundial alcança cerca de 1,7 milhão de toneladas por ano, movimentando aproximadamente US$ 1,7 bilhão.
No Brasil, a produção ainda é pequena. O país produz cerca de 100 toneladas anuais, sendo aproximadamente seis toneladas cultivadas no litoral norte de São Paulo. A expectativa dos pesquisadores e ampliar essa produção para reduzir as importaçoes da alga e fortalecer uma nova cadeia produtiva nacional.
Segundo os especialistas, o avanço da atividade depende da integração entre pesquisadores, produtores, biorrefinarias e políticas públicas voltadas ao setor. A regulamentação do cultivo em estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio de Janeiro também é apontada como um passo importante para estimular novos investimentos.
Fonte: Planeta Campo

