Com nova planta solar na Bahia, gigante do aço projeta atingir 85% de autogeração limpa até 2030 e reforça competitividade no mercado brasileiro
Um ciclo robusto de investimentos no setor energético entrega a mais nova planta solar no Complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova, na Bahia. A unidade da ArcelorMittal Brasil, que entrou em operação neste mês de março, contou com um aporte de R$ 700 milhões e marca a conclusão de um pacote de R$ 5,8 bilhões destinados à autogeração de energia limpa no país.
Com a instalação de 365 mil painéis solares, a nova planta adiciona 200 MW de capacidade instalada ao sistema da companhia. A estratégia é agressiva: a produtora de aço planeja saltar dos atuais 61% para 85% de autogeração renovável até o fim desta década.
Complexo híbrido otimiza produção na Bahia
O Complexo Babilônia Centro é fruto de uma joint venture entre a ArcelorMittal e a Casa dos Ventos. Com a integração da nova planta solar à estrutura eólica que já operava desde setembro de 2025, o local passa a ser uma unidade híbrida com capacidade total de 753,5 MW.
A escolha por instalar a planta solar na mesma área foi técnica, permitindo o reaproveitamento de subestações e linhas de transmissão já existentes.
Cerca de 90% de toda a energia gerada no complexo será consumida pelas próprias unidades industriais da ArcelorMittal, enquanto o excedente será comercializado no mercado nacional.
De acordo com Everton Negresiolo, CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM, o movimento é vital para a empresa, que figura como a quarta maior consumidora de energia do Brasil.
“A conclusão desse investimento representa um marco na estratégia de transição energética da ArcelorMittal. Ao mesmo tempo em que atendemos à demanda crescente por operações mais sustentáveis, fortalecemos nossa competitividade e eficiência. Estamos avançando para uma matriz energética mais limpa, estável e previsível, essencial para o futuro da empresa”, destaca o executivo.
Eficiência e complementaridade entre sol e vento
A operação conjunta das fontes solar e eólica permite que a produção de energia seja mais constante, reduzindo a ociosidade do sistema. Durante o dia, os painéis solares garantem o fluxo, enquanto os ventos costumam ser mais produtivos em períodos complementares.
Lucas Araripe, diretor-executivo da Casa dos Ventos, ressalta que essa integração representa um avanço relevante para a indústria nacional.
“Ao combinar fontes complementares e otimizar a infraestrutura existente, conseguimos entregar mais eficiência, com uma curva de geração mais flat ao longo do dia, além de previsibilidade e competitividade para a indústria”, afirma.
Expansão em Minas Gerais e impacto social
O plano bilionário da companhia também incluiu o Parque Solar ArcelorMittal Energia Paracatu, em Minas Gerais, onde foram investidos R$ 895 milhões. No total, as três novas unidades (duas solares e uma eólica) acrescentaram 1 GW de capacidade instalada ao portfólio da siderúrgica.
Além dos números técnicos, o projeto na Bahia trouxe iniciativas voltadas às comunidades locais. Foram desenvolvidos programas de apoio ao agronegócio junto a cooperativas da região e cursos de capacitação voltados especificamente para o público feminino, buscando integrar o desenvolvimento industrial ao impacto social positivo nas áreas de atuação do complexo.
Fonte: Moviemento Econômico
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