O Brasil alcançou 20 plantas de biometano autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e capacidade instalada de 1,33 milhão de metros cúbicos por dia.
Os dados são de levantamento da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogás), que aponta uma aceleração dos investimentos após a aprovação da Lei do Combustível do Futuro.
Desde a sanção da legislação, 12 novas unidades de produção receberam autorização da ANP, acrescentando 714,2 mil m³/dia à oferta nacional do combustível renovável. Atualmente, o parque produtivo é formado por 11 plantas que utilizam resíduos sólidos urbanos (RSU) de aterros sanitários e nove unidades dedicadas ao aproveitamento de resíduos agrossilvopastoris e comerciais.
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Segundo a entidade, a expansão acompanha o avanço de projetos em estados como São Paulo, onde a emissão de licenças ambientais para empreendimentos de biogás e biometano cresceu 235% entre 2024 e 2025, passando de 26 para 87 autorizações emitidas pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).
“O debate energético mundial mudou de patamar e a transição energética passou a incorporar segurança energética, competitividade industrial e soberania nacional. Nesse cenário, o biometano ganha posição estratégica: com elevada equivalência ao gás natural, pode ser usado na infraestrutura existente, viabilizando uma transição mais eficiente, competitiva e previsível”, avalia a presidente-executiva da ABiogás, Josiani Napolitano.
Além da Lei do Combustível do Futuro, a entidade destacou que o setor passou a contar com o Programa de Descarbonização do Setor de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano e com a regulamentação do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). O certificado permite a comercialização dos atributos ambientais do combustível de forma independente da molécula física de gás, criando novos mecanismos de monetização para os produtores e ampliando a rastreabilidade do biometano.
Na avaliação da Abiogás, o novo arcabouço regulatório traz maior previsibilidade para investidores e consumidores, contribuindo para a consolidação de um mercado estruturado do biocombustível no Brasil.
Pipeline supera 2 milhões de m³/dia
De acordo com a associação, existem atualmente 50 projetos em processo de autorização na ANP, que somam potencial adicional de 2,04 milhões de m³/dia de capacidade produtiva.
Do total de empreendimentos em desenvolvimento, 24 são voltados ao aproveitamento de resíduos agroindustriais, 20 utilizam resíduos sólidos urbanos em aterros sanitários, cinco adotam sistemas de codigestão, que combinam diferentes tipos de resíduos, e um ainda não teve sua matéria-prima informada.
A associação projeta que a produção nacional de biometano poderá atingir cerca de 7 milhões de m³/dia até 2030, com aproximadamente 200 plantas em operação no país. O avanço da indústria teria potencial para mobilizar até R$ 348 bilhões em investimentos e gerar cerca de 798 mil empregos ao longo da cadeia produtiva.
Fonte: Mega What



