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57º CBPCML Testes de suscetibilidade antimicrobiana e os desafios frente à resistência global

57º CBPC/ML: Testes de suscetibilidade antimicrobiana e os desafios frente à resistência global

Microbiologista norueguês Cristian Giske destaca a complexidade dos mecanismos de resistência bacteriana e os limites das opções terapêuticas atuais

O avanço da resistência bacteriana no mundo tem colocado à prova a capacidade de diagnóstico e tratamento das infecções graves. Esse tema foi o foco da palestra magna Antimicrobial Susceptibility Testing Challenges in a Global Antimicrobial Resistance Perspective, ministrada durante o 57º Congresso Brasileiro de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (CBPC/ML), pelo microbiologista norueguês Christian Giske, PhD em resistência bacteriana.

Baseando-se em dados de trabalhos recentes, incluindo publicação no The Lancet, Giske apresentou um panorama global da prevalência e dos mecanismos de resistência, com ênfase na emergência de carbapenemases como KPC, NDM e OXA-48, além dos desafios associados ao uso de novas drogas, como o cefiderocol.

Segundo ele, a distribuição dos mecanismos varia amplamente entre regiões.

“Nos EUA, o KPC foi inicialmente o primeiro problema, mas vem perdendo espaço para as metalo-β-lactamases e também para o OXA-48. Já em países da Europa, como a Suécia, a predominância é de NDM e OXA-48 (tipos de carbapenemases), enquanto no sul do continente ainda se observa forte presença do KPC”, explicou.

Na América do Sul, os dados mais recentes revelam mudanças expressivas. “No Brasil, entre 2015 e 2022, observamos o aumento do NDM de 4% para 40%, ao passo que o KPC, embora ainda muito prevalente, caiu em quase 75% para pouco mais da metade. Essas transformações têm enorme impacto nas opções terapêuticas disponíveis”, afirmou o especialista.

O palestrante também chamou atenção para a complexidade das resistências em bactérias Gram-negativas como Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii. Enquanto no Acinetobacter a resistência aos carbapenêmicos está quase sempre ligada à produção de cabapenemases, no caso da Pseudomonas entram em jogo fatores cromossômicos, como alterações de permeabilidade e bombas de efluxo.

“Esses mecanismos dificultam não apenas o tratamento, mas também a interpretação dos testes laboratoriais de suscetibilidade”, destacou.

Entre as novas opções terapêuticas, Giske destacou combinações como ceftazidima-avibactam, meropenem-vaborbactam e imipenem-relebactam, além de agentes como cefiderocol e aztreonam-avibactam. Contudo, advertiu que a eficácia pode variar de acordo com o tipo de carbapenemase envolvida.

“Para produtores de Metalobetalactamases (MBLs), como NDM, temos pouquíssimas opções confiáveis, sendo o cefiderocol e o aztreonam-avibactam os principais candidatos”, observou.

Outro ponto crítico levantado foi a dificuldade em validar testes laboratoriais para novas drogas. Em alguns casos, os métodos comerciais disponíveis podem superestimar ou subestimar a resistência, comprometendo a segurança terapêutica. “Estamos diante de um dilema ético: temos medicamentos novos no mercado, mas não conseguimos testá-los adequadamente. Isso nos obriga a assumir que são ativos, o que é uma suposição arriscada, já que muitas vezes a resistência surge rapidamente após a introdução do fármaco”, alertou.

Para Giske, enfrentar o cenário atual exige pragmatismo, atualização constante das diretrizes internacionais e integração entre laboratórios clínicos, médicos e pesquisadores.

“Não podemos esperar anos por ensaios clínicos randomizados para definir condutas, pois os pacientes precisam de tratamento imediato. Precisamos conciliar a melhor evidência disponível com a realidade prática e com a capacidade laboratorial de cada região”, concluiu.

Fonte: labnetwork


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