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Sabesp assina protocolo de intenções com Mauá/SP, mas não quer esgoto

Publicado em 21/08/2019 às 11:03:42

O superintendente da Sabesp, Roberval Tavares, esteve na região nesta terça-feira (20/08) para dar início à primeira obra desde que assinou o contrato com a prefeitura de Santo André 

sabesp

O representante da estatal esteve em ato simbólico de início de obra e na sequência participou do RDTv sendo entrevistado pelos jornalistas Carlos Carvalho e Leandro Amaral. Ele revelou o interesse da companhia em operar a distribuição também em Mauá, que hoje é feita pela Sama (Saneamento Ambiental de Mauá), mas não quer o esgoto que é atribuição da BRK Ambiental.

Da mesma forma como aconteceu em Diadema e em Santo André, a Sabesp quer retomar o serviço em troca de dívida bilionária da prefeitura que se arrasta desde a criação da autarquia municipal há 24 anos. Tavares disse que as tratativas estão avançadas. “Assinamos na última sexta-feira (16/08) um protocolo de intenções com Mauá para estudos técnicos e financeiros. A cidade tem uma dívida R$ 3,2 bilhões, parte da indenização de 1995 e parte pelo não pagamento da água comprada no atacado. Teremos novidade nas próximas semanas. Se não houver investimento não há solução. Estamos tentando um acordo para estabelecer uma relação com o município”, anuncia.

O superintendente da Sabesp diz que a companhia negocia com o município apenas o  serviço de distribuição de água e não quer a fatia do saneamento que hoje está a cargo da BRK, o esgoto. “Lá eles tem contrato e nisso não se mexe, o contrato em negociação é de água”, disse Roberval Tavares. A BRK opera em Mauá desde 2017 e tem um dos melhores índices de tratamento de esgotos da região metropolitana; recolhe 93% e trata 74%. Esses índices foram alcançados com forte investimento, cerca de R$ 250 milhões. A companhia espera investir outros R$ 50 milhões para atingir os 100% de esgoto tratado.

Água na torneira

Sobre Santo André, alvo principal da companhia no momento e onde foi assinado contrato para as próximas quatro décadas, Roberval detalhou pontualmente quais são os investimentos e os prazos estipulados em contrato. Ele começou falando da primeira obra que teve início nesta terça-feira (20/08). “É o primeiro tubo assentado pela Sabesp neste contrato de 40 anos. O prefeito Paulo Serra (PSDB) acompanhou a colocação do tubo de 600 milímetros de ferro fundido. Esse é o início da obra do Erasmo Assunção que vai duplicar a quantidade de água. Hoje a partir de uma certa temperatura ele fica vazio. O reservatório já tem uma ligação, agora estamos duplicando, com isso 160 mil pessoas vão ter água 24 horas por dia”, explicou Tavares.

O superintendente disse que as primeiras contas com a logomarca da Sabesp vão chegar aos moradores no dia 11 de setembro. A diferença das tarifas praticadas por Semasa e Sabesp serão equiparadas até 2021, sendo que algumas contas ficarão mais caras e outras mais baratas. “Hoje será a mesma tarifa social, a diferença é que tem parcelas da população que pagam mais, isso vai se equiparar em 2021. A faixa do meio paga hoje tarifas menores, a média 12% de diferença. Com a equiparação a parte do meio vai pagar mais e nas pontas vai pagar menos. No caso da tarifa social a do Semasa é R$ 15 e a da Sabesp é R$ 8”, aponta.

O maior compromisso no contrato firmado entre a Sabesp e a prefeitura andreense é mesmo solucionar o problema da falta de água. Hoje cerca de 5 mil famílias de bairros como Parque América, Parque Andreense e Recreio da Borda do Campo recebem água através de carros pipa, além dos demais bairros que recebem água da tubulação existente, mas o abastecimento não é regular. Para resolver a estatal vai realizar quatro grandes obras. “A Sabesp vem com um forte programa de investimento. Lançamos na última semana um pacote que tem quatro grandes obras prioritárias; a primeira começamos hoje, que é uma adutora junto ao reservatório Erasmo Assunção. Essa é a maior deste pacote inicial que envolve recursos de R$ 21 milhões”.

Perdas de água

Depois de levar água uniformemente a toda a cidade a companhia vai ter que reduzir o percentual de perdas que hoje está em 45% e é fruto de vazamentos e fraudes, como ligações clandestinas. A meta, segundo Roberval Tavares, é reduzir esse patamar para 35% até 2022 e em seis anos chegar a 25%. “Primeiro todas as equipes vão trabalhar na distribuição, depois todas vão para o trabalho de redução de perdas e por último o esgoto”, detalha.

Para o superintendente o Semasa tinha pessoal técnico e as soluções, só não tinha o recurso. “A Sabesp é a quarta maior empresa de saneamento do mundo e a primeira da América Latina. Vamos resolver a falta d´água até dezembro, lançamos quatro obras e vamos lançar mais três em setembro. O prefeito teve coragem de contratar a Sabesp. Tinham as soluções na mão, mas não tinham condições financeiras. A dívida foi suspensa e será paga durante os 40 anos de gestão em Santo André. Faltava vontade política e coragem de enfrentar o problema, por isso parabenizo o prefeito Paulo Serra”.

Com um sistema integrado a Sabesp não vai utilizar a ETA (Estação de Tratamento de Água) do Guarará, segundo Roberval Tavares, porque ela representaria um custo maior. “Não precisamos dela, temos um período de estudo para ver como será feita a desativação. A vazão vai ser substituída pelo sistema integrado”.

As próximas obras serão Camilópolis em setembro, Parque América, em dezembro, e mudanças no sistema Rio Grande, em São Bernardo. Em dezembro também começam as obras de implantação de redes coletoras de esgotos. Hoje Santo André tem índice de tratamento de 42%, o plano é chegar a 75% em três anos e em 100% em seis. “Confiem na Sabesp que estamos muito empenhados para resolver a questão da falta de água. Estaremos na rua com nossos técnicos, espero que seja um casamento para a eternidade com Santo André”, finalizou.

Fonte: RD.


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