NOTÍCIAS

Milho avança e redefine a geografia do etanol brasileiro

Milho avança e redefine a geografia do etanol brasileiro

Entre o pré-sal e o E30, o setor consolida o mercado interno e entra em nova fase marcada por diversificação produtiva e pressão climática global

No início dos anos 2000, o Brasil buscava afirmar-se como grande fornecedor global de etanol. A elevada produtividade da cana, a experiência acumulada desde o Proálcool e a difusão dos veículos flex alimentavam a expectativa de que o país poderia liderar o comércio internacional de biocombustíveis. O petróleo com forte tendência de alta e o avanço da agenda climática reforçavam essa narrativa.

A disseminação dos veículos flex, a partir de 2003, ampliou de forma estrutural a demanda doméstica. O etanol hidratado passou a competir diretamente com a gasolina na bomba, reduzindo a dependência exclusiva de mecanismos administrativos de precificação. O biocombustível entrou definitivamente na lógica concorrencial do varejo.

Entre 2004 e 2008, houve expansão expressiva da capacidade industrial e da área plantada. O país consolidou sua posição como referência em biocombustíveis e defendeu internacionalmente a ampliação das misturas obrigatórias.

A descoberta do pré-sal, em 2006, alterou a hierarquia das prioridades energéticas. A exploração offshore tornou-se eixo central da estratégia nacional, com impacto relevante sobre a balança comercial e a arrecadação. O etanol não foi abandonado, mas perdeu protagonismo relativo na agenda pública.

O redirecionamento coincidiu com a crise financeira global e com o elevado endividamento das usinas. A restrição de crédito e a redução da taxa de renovação dos canaviais elevaram a idade média das lavouras e comprimiram a produtividade. Parte do parque industrial foi reestruturada e a expansão perdeu ritmo, deslocando o foco para a estabilização do mercado interno.

A recomposição começa em 2017, com o RenovaBio, que instituiu metas compulsórias de descarbonização e criou os CBIOs, créditos de redução certificada de gases de efeito estufa. A partir de 2020, o etanol passou a integrar formalmente a estratégia climática brasileira, reduzindo sua dependência exclusiva da relação de preços com a gasolina.

Em 2024, a produção nacional atingiu cerca de 37 bilhões de litros, segundo a ANP. Mais relevante que o volume é sua composição: aproximadamente 20% já provêm do milho, conforme a Empresa de Pesquisa Energética (EPE). A ascensão do milho altera o equilíbrio histórico do setor. Enquanto a cana permanece dominante, sua produção é condicionada ao “mix” açúcar–etanol. O milho introduz maior previsibilidade de oferta e integração com cadeias agroindustriais.

A decisão de elevar a mistura obrigatória para E30 reforça esse novo regime. O mandato regulatório amplia o piso estrutural de demanda e reduz a volatilidade associada apenas à arbitragem do consumidor flex, além de contribuir para reduzir a dependência de gasolina importada.

No plano internacional, o mercado de etanol avança de forma fragmentada, com misturas obrigatórias em expansão, mas sob exigências ambientais crescentes. No transporte marítimo, a Organização Marítima Internacional aprovou meta de emissões líquidas próximas de zero até 2050, pressionando o setor a buscar rotas alternativas. O etanol enfrenta desafios de densidade energética para uso direto, mas pode integrar cadeias químicas e combustíveis sintéticos, desde que apresente intensidade de carbono certificada.

No cenário-base entre 2026 e 2030, três vetores tendem a moldar o setor: consolidação do E30 como piso regulatório, expansão do etanol de milho no Centro-Oeste e maior rigor ambiental para acesso a mercados. A produção deve crescer de forma moderada e mais diversificada, com menor dependência exclusiva do ciclo açúcar–etanol.

O desafio da próxima década não será apenas ampliar volume, mas sustentar competitividade regulatória, estabilidade macroeconômica e credibilidade ambiental em um ambiente global cada vez mais exigente.

Fonte: Cana Online


ÚLTIMAS NOTÍCIAS:

CATEGORIAS

Confira abaixo os principais artigos da semana

Abastecimento de Água

Análise de Água

Aquecimento global

Bacias Hidrográficas

Biochemie

Biocombustíveis

Bioenergia

Bioquímica

Caldeira

Desmineralização e Dessalinização

Dessalinização

Drenagem Urbana

E-book

Energia

Energias Renováveis

Equipamentos

Hidrografia / Hidrologia

Legislação

Material Hidráulico e Sistemas de Recalque

Meio Ambiente

Membranas Filtrantes

Metodologias de Análises

Microplásticos

Mineração

Mudanças climáticas

Osmose Reversa

Outros

Peneiramento

Projeto e Consultoria

Reciclagem

Recursos Hídricos

Resíduos Industriais

Resíduos Sólidos

Reúso de Água

Reúso de Efluentes

Saneamento

Sustentabilidade

Tecnologia

Tratamento de Água

Tratamento de Águas Residuais Tratamento de águas residuais

Tratamento de Chorume

Tratamento de Efluentes

Tratamento de Esgoto

Tratamento de lixiviado

Zeólitas

ÚLTIMAS NOTÍCIAS